Episódios de julho, 2011

Episódio 154 – Amores de Ônibus #2

Um amigo de um amigo que disse.

“Quem nunca, ao entrar no ônibus, não se perdeu ao ver uma linda mulher pela visão periférica? Mas não é apenas uma mulher linda, ela é uma mulher que parece ser adorável para se conversar e fazer coisas cotidianas. Claro que uma hora ela salta e acaba todo aquele momento, mas durante todo o caminho você pensa de que forma poderia abordá-la. Só que você parece estar grudado ao banco do veículo com alguma cola que deve se chamar Timidez Bonder.

No caminho para a faculdade eu sempre topo com alguns amores de ônibus. Indiretamente, elas me dão forças para gostar de acordar 5:30 da manhã todos os dias e enfrentar um ônibus cheio de gente, cruzar a ponte e aquela maldita Francisco Bicalho. Quanto às damas, são duas. Gosto de idealizá-las da minha forma e temo que, ao conhecê-las, acabe vendo que as são diferentes, o que não me é interessante…

Uma é extremamente magra. Nem sequer tem bunda, seu busto são como limões. Seus cabelos são um misto de castanho claro com escuro, sua expressão levemente libanesa. Seu nariz é fino bem construído, comprido. Sua boca assemelha-se com uma fruta, e na minha mente a associo com a do pecado, do Éden. Seus dedos são finos e as unhas sempre muito bem feitas, por vezes francesinhas, outras aquele vermelho vivo.

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Episódio 153 – Game Over para as Jogadoras

Na Jukebox: Johnny Hates Jazz – Don’t Say It’s Love

Não entendo.
A doença social do momento é a cegueira por relacionamentos. Todos querem ter alguém do seu lado. Não consigo fazer parte desse pensamento comum. Que irônico, o mundo ficando cada vez mais habitado e as pessoas se sentindo mais sozinhas. Mas esse não é o problema. A merda começa quando as pessoas se sujeitam aos maus costumes alheios para ter sempre uma vagina ou pau disponível. Poderia até falar aqui que alem dos órgãos genitais haveria o sentimento de união, mas aí onde eu estaria com a cabeça?  

Isso começa a me atingir quando as mulheres a minha volta começam a pensar que podem me tratar da mesma forma.  Acho que a lógica feminina ta meio baleada por culpa desses personagens pegadores de seriados americanos. Aqueles caras que não ligam pra porra nenhuma, que deixam ser manipulados e sempre ficam caçando uma mulher. Desculpe, mas isso soa pra mim como uma imbecilidade absurda. São uns malditos criadores de estereótipos. Quer um exemplo? Os pseudo-cachaceiros que surgiram para copiar anti-heróis como Charlie Sheen e afins.

Como se já não bastasse um bando de gente achando que o Brasil é a América, me fazem o favor de emular essa decadência para sanar suas dividas emocionais. Diabos, como eu gostaria que os relacionamentos fossem como no início. Só que, hora ou outra, o tempo passa. O primeiro sinal é quando você sente aquele cheiro de merda dos jogos emocionais. Será que isso ocorre porque as pessoas se negam a ser o que verdadeiramente são?

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Episódio 152 – Sequestrado pela Realidade

A realidade ficou 11 km para trás e eu nem mesmo me senti passando por ela. Foi a realidade que nunca me fez sentido. E o que é tido como falta de sentido é que sempre me foi claro demais.

Dizem que a felicidade está lá fora. Falam que tenho de correr atrás dela. Sempre querem que precisemos de algo. Estar satisfeito é um crime. A alegria, ao que parece, é um cavalo selvagem desaparecendo no horizonte. Onde está o prometido “felizes para sempre”?

Se é verdade o que dizem, então todos nós nascemos tristes. Ou o mundo foi pintado dessa forma medíocre para que vivamos como um hamster que move a roda correndo nela? É o que parece. Esse regozijo da conquista ao sumir dá espaço à insatisfação que parece ser o nosso estado comum. Somos tragados por uma gravidade misteriosa e sádica.
Tanta luta para tanto pouco.

Homens viraram objetos, objetos se tornaram deuses. Com seus amuletos de grife, escondem suas dores e frustrações. Com seus santos de marca, tentam afundar os outros meros mortais. Nossos ídolos de plástico e aço viverão para sempre, nós é que iremos sucumbir. Nosso dinheiro é infiel, correndo para os braços de outro assim que enfraquecemos. São os homens, então, a imagem e semelhança de cédulas e moedas.

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Episódio 151 – O tipo ideal de mulher imperfeita

A mulher ideal nunca foi aquela comumente idealizada, perfeita fisicamente, longe disso. Nunca desejei uma top model ou uma perita na cama. Não faz sentido pra mim. Claro que seios, pernas e bundas são agradáveis de ver, mas isso não faz sombra às ideologias dela. A forma de ver o mundo, e do que gosta de fazer nele.

Se você me coloca na frente uma mulher que, por exemplo, ame videogames e outra que tenha seios imensos, eu vou fazer o quê? Ficar com as duas! Certo, mentira. Eu certamente escolheria a que gosta de videogame, porque ela teria mais chances de ter empatia comigo. Empatia, essa é a palavra. Não ter frescuras, falar o que quer na lata, não seguir nenhum conceito do que é certo ou errado. É estranho pensar que, enquanto todos buscam um namoro, eu nem sequer ligo pra isso. Não quero esse status,  essa idéia de relacionamento. Eu apenas me interesso muito por uma companhia feminina que eu possa de fato me abrir. Eu não vou mentir pra ninguém, não sou um livro aberto. E nem quero ser, porque ninguém iria entender e não valeria a pena e eu também não teria vontade alguma de saber sobre a outra pessoa.

Sexo, o que é sexo nos dias de hoje? Está em todos os lugares. Não é difícil. Mas é como um amigo importante diz: “É fácil dormir com uma mulher. Difícil é dividir calor humano”. Uma mulher que partilhe o que você gosta se torna muito mais interessante. Enganam-se quem pensa que símbolos sexuais são mais atraentes para se formar um relacionamento. Apenas no primeiro momento, mas depois podem existir tantas discrepâncias entre a personalidade do casal, que apenas não faz sentido.

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