Episódio 100 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt. 11 (FINAL)

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9

PARTE 10

Capitulo 26

1920

Aqueles eram outros tempos. Dois dólares era muito dinheiro, especialmente em um país que havia acabado de sobreviver uma guerra. Foi esta a chance de ouro de Don Peppone. Estimado homem, respeitado, siciliano forte. Lost Heaven naquele tempo era apenas um monte de vielas sujas com galinhas correndo a rua e carroças. A Família Peppone foi à primeira na cidade. Desde criança, o chefe sabia o significado da Omertà, havia aprendido tudo o que sabia nos solos férteis do sul italiano.

O Paraíso Perdido era dele. Jogos, dinheiro da proteção, policiais… Peppone e seus dois Caporegimes, Salieri e Morello, dominavam com mãos de ferro. Se alguém errava, era liquidado. Mas tudo mudou de figura quando algumas máquinas de jogo chegaram. Sem dúvidas, ela daria muito lucro, era um diabo que poderia corromper os mais ardorosos pais de família. Mas Don Peppone pagava pouco aos seus, Don Peppone não permitia que houvessem outras famílias na cidade.

Salieri e Morello que estavam com o Don desde o começo da Família armaram um esquema para começarem seus próprios negócios. Queriam ser chefes. Um tiro de Lupara lançou o pesado corpo do homem no oceano. Um homem mandado por Morello, com o consentimento de Salieri o matou em uma transação das máquinas no porto. Ambos amavam o Don, o consideravam um pai, mas isto se tratava de negócios. Sentimentos e negócios não andam juntos, são polaridades.

Salieri ficou com a Pequena Itália, Morello do outro lado da cidade. Sergio dominou o porto. Aos poucos ambos começaram a formar sua própria organização, pegando o que sobrou do império de Peppone. Alguns sicilianos tentaram fazer vendetta dois anos depois, e esta foi a única vez em que os dois rivais se uniram para algo. O caso ficou conhecido como “Os 5 da Sicilia”, quando os cinco gangsteres foram encontrados amontoadas, com a pele descascada, no pátio da polícia.

Isso era poder. Mas nada é eterno.


Capitulo 27

1938

23 de Setembro. Paulie estava morto. O telefone tocava. Os olhos de Tommy lacrimejavam em uma mistura de pavor e tristeza, mas ao mesmo tempo, tudo parecia muito irreal. Tom caminhou até o telefone, com o revolver em mãos. Olhou pela janela e viu dois carros da policia estacionando. Uma patrulha e um camburão de detetives. Caminhou rapidamente até o telefone e o atendeu.

- Paulie? – Era a voz de Sam.

- Sam? – Perguntou Tommy. – É Tom… Paulie está morto… eu… eu… – Desconsertado.

- Cristo, eu sabia! Tom, você está na maior merda! Tentei avisar Paulie, Salieri descobriu sobre o banco e decidiu que não ia tolerar isso. Não fiz isso a tempo. Tom, você tem que sumir rápido.

- Sam, eu não sabia que isso ia dar tamanha confusão… – Seu coração batia forte, Tom olhava em volta. – Eu… O que eu devo fazer? Não posso abandonar Sarah e a criança!

- Tá bom, tá bom, Tom. Vou te ajudar. Temos que nos encontrar em algum lugar, mas praticamente qualquer lugar é perigoso pra você agora. Nossa melhor aposta, seria a galeria de artes da cidade.

- Certo, certo, eu estarei lá logo. – E olhava o corpo do amigo. – Eu… agradeço! Paulie está aqui em pedaços, eu não sei a quem recorrer.

- Tudo bem. – Respondeu Sam, com calma. – Ainda lhe devo uma.

- Obrigado, Sam! – Tom pôs o telefone na linha e saiu do apartamento.

Ao ouvir passos na escada, guardou a arma e andou calmamente. Passou por dois policiais e dois investigadores, que usavam casacos bege e chapéu. Tentou transmitir uma normalidade. Na rua, correu até o carro e acelerou, a toda velocidade, até a galeria. Estacionou e correu até a grande entrada. Ao entrar, olhava os vitrais e pinturas, com certa fascinação. À frente, havia uma grande escadaria levando à uma grande porta dupla de madeira.

- Não se mexa seu lixo!

Dois homens surgiram dos cantos apontando pistolas para Tommy.

- Ah, merda! – Exclamou Tom.

- Surpresa!

Notas de cem dólares começaram a cair sobre Tommy.

- Você não estaria procurando por aquele Paulie, estaria? – Era a voz de Sam. Estava na sacada, nos andares superiores. Sentou-se à beirada, com as pernas para dentro e tirou um cigarro

- Sam, o que está acontecendo? Achei que íamos nos encontrar à sós!

- A situação mudou, Tom. – Sam acendeu o cigarro, com calma. – Tive que decidir de que lado eu estava e sinto, mas seria suicídio ficar no seu lado. Porem, posso viver com assassinato.

- Então, você matou Paulie?! – Gritou, a voz ecoou pela galeria.

- Bem, eu meio que fui o meio para sua morte. A mesma coisa que serei no seu caso. – Fitava Thomas nos olhos.

- Eu nunca esperaria algo assim de você, Sam! – Observou de soslaio os dois mafiosos. Ao serem vistos, levantaram mais as armas.

- Bem, estou de bom humor. As coisas estão melhorando para mim, e achei um saco de dinheiro!

- Então matar seus parceiros é uma grande piada? Quem sabe eu deva experimentar…

- Não seria ruim, mas provavelmente você não terá tempo.

- Nunca é tarde demais para começar. – Tom desafiou. – Acha que a honra está fora de questão?

- Honra não significa nada! – Sam respondeu com peso. – Isso é negócio e você quebrou as regras por muitas vezes, Tom.

Um silêncio tomou conta, os dois se encararam. Sam deu uma longa tragada em seu cigarro.

- Quem sabe eu sinta alguma culpa, mas isso está fora de questão nos negócios. – Sam foi taxativo em sua decisão.

- Não percebi que eu era a causa dos problemas da Família.

- No duro? Você fez o que quis, Tom! Você não matou Frank, você deixou aquela puta fugir e então o banco! Você não pode fazer o que acha certo, porque você não sabe de nada. Não mede as conseqüências dos seus atos. O Don é um visionário.

- E você nunca foi, por isso precisou dele. Não é como eu me sinto. Eu posso pensar sozinho.

- A opinião do Don Salieri é que ele não vai ficar na cadeia somente por causa dos seus sentimentos! – Berrou, com raiva. – E concordo com a opinião dele completamente. Don Salieri realmente gostava de você, Tom. E eu também. – Falou calmamente, controlando-se. – Vamos chorar juntos no funeral.

- Seu pobre miserável. Sam, sinto por você.

- … Mas eu estou vivo! É uma pena que você não poderá usar esse dinheiro. Não se preocupe, vou dar um pouco para Sarah. Você sabe, nesses dias, mães solteiras não conseguem dinheiro facilmente. O Don vai cuidar dela, ele não é o monstro que você pensa. Adeus, Tom. Foi bom ter conhecido você. Cuidem bem dele, rapazes… E por favor, não o façam sofrer. Ele é meu amigo.

Thomas virou-se para os algozes, levou a mão até a calça e retirou seu revolver. Rapidamente, sacou e atirou nos homens, abaixando e rolando para o lado. Um levou o tiro na garganta, espirrando sangue vivo na vidraça da porta. O outro, na barriga, e caiu com dor. Tom pegou a pistola deste e chutou para longe a do outro ferido, correndo em direção à escadaria.

Andando pelos cantos, ia verificando se não havia mais ninguém de surpresa. Por algum motivo, a galeria estava fechada. Haviam quadros caríssimos por todo o lado e uma Vênus de Milo. Estava escuro. Tom caminhava pelos corredores atento, apontando a pistola para frente. No repente, surgiu um mafioso. Atirou contra Tommy, mas apenas levou tiros de raspão por conta de uma vitrine que guardava alguns pequenos artefatos. Tom respondeu atirando e colorindo de vermelho uma pintura barroca.

Continuou até ver outra escadaria que levava ao andar superior. Subiu, atento, olhando para as sacadas. Duas estatuas renascentistas encaravam Tom, uma de cada lado. O lugar estava escuro.

- Como posso ver, os rapazes subestimaram você, Tom. Bem, espero mais sorte dessa vez. – Sam o observava de braços cruzados, na sacada atrás da escada. Mas não vamos quebrar nada, há coisas lindas e valiosas aqui…

Sam retirou do terno uma granada, tirou o pino com a boca e lançou em Tom. O mafioso assustou-se, pulando para o lado. A granada acertou o chão de mármore e explodiu. Thomas voou de bruços nos degraus e uma das estatuas se despedaçou, estilhaços do chão voaram e uma nuvem branca subiu.

Tom levantou-se, buscando sua arma com o tato, e subiu a escadaria. Era uma infinidade de corredores e portas, aquilo o deixava tonto. Abria todas, aos chutes. Todas com as luzes apagadas. Finalmente chutou outra, e deparou-se com a luz acesa. Mas ninguém estava lá. Apontou a arma e deu passos lentos em direção à outra porta no fim do corredor. Quando tocou a maçaneta, a porta foi chutada. Tom voou para trás, caindo sobre um sofá.

Um mafioso com uma lupara o aguardava. Thomas virou o sofá e se defendeu, o tiro explodiu parte do sofá, lançando plumas pra todo lado. Um tiro na canela e outro no peito foi o suficiente para matar o homem. Tom subiu por uma escadaria que levava ao último andar da galeria. Era um grande corredor circular, com um espaço vazio no meio que permitia ver o andar de baixo. Na outra sacada, Sam apareceu, com passos felinos. Tinha uma metralhadora em mãos e não hesitou em atirar.

Angelo escondeu-se atrás da parede. Sam escondeu-se também, do outro lado do corredor, numa varanda.

- Parece que você superestimou os seus parceiros! – Gritou. – Talvez você deva mudar de lado.

- Ainda não acabou, Tom!

Voltaram a trocar tiros, mas os dois se escondiam. Pedaços do embolso da parede voavam. Os dois movimentaram-se, mudando suas posições e escondendo-se atrás de outras varandas.

- As coisas não são o que parecem, Sam! Salieri também sacaneou você! – Tom tentava ganhar tempo e se aproximar do inimigo.

- Do que você está falando? – Nitidamente, estava em dúvida de tudo o que fazia.

- Quase fomos mortos por causa daqueles cigarros estúpidos. Salieri sabia que o trabalho era arriscado! Haviam diamantes escondidos nos cigarros e ele não queria nos dar nem uma parte! Por isso que eu e Paulie roubamos o banco, porque ele descobriu como Salieri estava nos sacaneando.

- Ele me contou tudo sobre os diamantes, Tom. – Continuava apontando a metralhadora para o local onde Thomas estava, embora não pudesse vê-lo. – Ele só queria manter eles em segredo, assim ninguém saberia onde eles estavam antes de serem vendidos! Alem disso, os diamantes não tem nada a ver com o fato de que você não matou o Frank!

Tom sentiu uma ponta de arrependimento, e estava nitidamente em desvantagem.

- Ele quebrou a Omertà. – Sam explicou. – O que é pior, Tom?

- Como você sabe que eu não matei o Frank?

- Você pode colocar a culpa em alguém que você não matou. Você é muito humanitário. A prostituta, ela voltou a cidade e nós a encontramos por acidente.

- Maldição! – Aproveitou a deixa e pulou para o lado, disparando em Sam. Ele respondeu com os tiros. Os dois voltaram a se esconder.

- Tom, Tom, Tom. Você sabe que não deve confiar em uma dama. – Recarregou a metralhadora. – Eu posso entender que não é fácil matar a mulher de seu melhor amigo. Eu devia ter feito isso no seu lugar. – Deu uma breve risada. – Ela também me pediu perdão e chorou. Bem, descobrimos que não podíamos confiar em você, então verificamos um pouco e soubemos sobre Frank.

- Sam, você realmente acha que tudo tem que acabar assim? Ainda temos uma chance.

- Não há volta agora, Tom. Sinto.

Os dois se viam, mas os dois se negavam a atirar um no outro. Os dois finalmente se decidiram, gritaram, e atirara um contra o outro. Tom acertou o ombro de Sam, fazendo-o perder o controle da metralhadora, que baleou de raspão a garganta e os braços de Tom. Os dois caíram. Thomas ouviu passos rápidos, não tardou em levantar, e seguiu.

Havia um rastro de sangue para um corredor. Era o sangue de Sam. Tommy foi andando, em passos rápidos. Tom aproximava-se da curva do corredor. O suor lhe escorria pelo rosto. Sam era uma víbora, afinal. Tratava-se de rapidez. O coração batia com força. Num estalo, o inimigo surgiu e disparou contra o ex-amigo. Tom não pode nem respirar. Sentiu uma fisgada na costela e voou no chão. Naquele instante, para Tom, era o fim.

Thomas escutou barulhos estranhos, ao invés de tiros. Até onde bem entendia, as balas da arma de Sam havia acabado. Ele largou a arma e levantou a mão, rendendo-se. Esforçou-se para apontar a pistola ao homem.

- Ei, é a mesma situação de novo, Tom. E de novo, você não pode decidir. – Abaixou os braços lentamente e correu pelo corredor.

- Maldição… – Tommy abaixou a arma, levantando-se com dificuldade.

Sam passou por uma porta de madeira e desceu umas escadarias, indo para o segundo andar, em busca da saída. Encostou-se em um pilar e colocou a mão na perna e a viu, estava coberta de sangue. Sam não podia mais lutar. Continuou tentando fugir.

Enquanto isso, Tom perdeu o alvo de vista, só lhe restou voltar e tentar ver se o inimigo passava no andar de baixo. Seguiu novamente para o hall do terceiro andar, na mesma varanda onde Sam estava. Finalmente viu o inimigo, andando com dificuldade. Tom mirou a pistola colt. Ficou calado como um falcão esperando para abocanhar a preza.

Quando Sam entrou na mira, Tommy não hesitou, apertou o gatilho. O tiro pegou nas costas do mafioso, fazendo uma nevoa de sangue voar. Ele parou de andar e bambeou as pernas, continuou de costas para Tom.

- Você… Você… fez isso… – Levou a mão ao peito, cuja bala havia atravessado, e olhou a mão ensangüentada. – Mas eles te darão o mesmo… Salieri vai pegar você… – Virou-se para Tom. – Ele te apoiou… Seu rato… Você é perigoso, Tom… E Paulie, está morto… – Sua voz tinha pesar, talvez pelo medo da morte, ou por estar realmente triste em ter perdido os amigos. – Você terá que se esconder como um paria… E um dia… vão pegar você… – O sangue escorreu pela boca, caçando caminho pela barba por fazer e descendo pela garganta. – Será igual… ao Frank… – Levantou a cabeça, forçando um sorriso. – Você apenas aumentou a sua vida… – Falava com muita dificuldade – …Mas no fim, eles o encontraram… Frank era o único amigo verdadeiro do Don… – cambaleava. – … Amizade não vale nem merda…

Tom disparou. E disparou mais duas vezes. O corpo de Sam voou para trás, batendo em uma sacada circular que dava visão para o primeiro piso. Caiu de joelhos, gemendo. Tentando falar algo que não conseguia pronunciar. Finalmente seu corpo se deitou, de bruços, no chão da galeria. Os olhos de Tommy marejaram. Uma poça de sangue, daquele antigo amigo, dançava pelo piso.

O sangue da sacada e lentamente pingava nas notas de cem dólares que estavam espalhadas no primeiro piso, junto de outros corpos.

Sam estava morto. Todos os amigos de Tom estavam mortos agora.

Acabou.


Capitulo 28

- Então foi você de novo… Não foi? – Perguntou o investigador, já havia desistido de tomar sua décima primeira xícara de café. – Você destruiu a coleção de pinturas que valia aqueles milhões de dólares?

- Não era o planejado, mas de alguma forma acabou acontecendo.

- Então… Isso é tudo?

- Saí de lá rápido. Não era um piquenique. Eu realmente estava em perigo, mas consegui me livrar. Peguei minha esposa e filha e imediatamente saí do país. Sam estava certo, se eles estavam decididos a encontrar Frank na Europa e se vingar quase cinco anos depois de seu sumiço, eles não iriam simplesmente me deixar partir após trair todos.

- E você está querendo dizer que tudo o que me disse agora, falará em uma corte, pronto a dar evidencias contra todos esses homens? Não acha que a situação será bem pior para você? O que está planejando fazer não é delatar, é mais parecido com uma traição.

- Se essas pessoas forem presas, ou melhor, condenadas à morte, eles não poderão ter sua vingança. Pelo menos não tão fácil quanto seria se estivessem livres. Estou querendo dar provas contra eles se você me assegurar a proteção e, após o julgamento, uma nova identidade para mim, minha esposa e filha.

- Se conseguirmos sucesso, será a maior batalha legal que esse país já viu. – Recostou-se no estofado vermelho. É uma oferta interessante. – Abaixou a cabeça, buscando uma resposta. – Não sei se é certo ajudar alguém como você. – Ergueu a cabeça, olhando o mafioso nos olhos. – Mas acredito que o resultado final valha a pena.

Os dois se entre olharam. O policial já tinha simpatia pelo bandido, e acabou sorrindo. A esta altura, não sabia se apoiava Tom pelo seu feito ou se o odiava por ter traído a Família. Era uma confusão.

- Acho que vou te ajudar. – Disse o investigador, encerrando o seu sorriso.

Pediram a conta.

Em questão de pouquíssimos meses, tudo explodiu. Os jornais anunciavam o julgamento dos gangsteres. A policia invadiu o bar do Salieri levando todos presos, inclusive o pobre Ralphy, que pegou a menor sentença, de oito anos. Vincenzo entregou-se pacificamente, e foi pego em flagrante, enquanto consertava uma espingarda. Mais de 80 homens de Salieri foram presos. Bertone fugiu para Empire Bay, uma cidade vizinha, deixando para trás sua oficina. Luigi agora não tinha emprego, Tommy não falou nada que o incriminasse em seu relatório. Sarah ficaria devastada, afinal.

O Don entregou-se, com uma calma quase sobrenatural, mesmo sabendo que pegou prisão perpetua. Vários mafiosos foram condenados à cadeira elétrica. Carros da policia, fotógrafos. A Pequena Itália parecia estar prestes a explodir por conta de tamanha exposição da mídia.

Tudo funcionou até Tommy ser julgado. Thomas Angelo ficou em sua apertada e escondida cela, sozinho, escrevendo todas as provas que tinha. Toda a sua vida depois que se tornou um dos garotos de Salieri. Pessoas que foram, por uma década, os amigos dele. O caso foi enorme, causou comoção em todo o país. Luigi foi um avô presente à Sarah e a filha de Tom, que logicamente, não puderam vê-lo por um longo tempo.


Epílogo

1957

No fim, tudo valeu a pena. Norman deu novas identidades à família Angelo e os mudou para o outro lado do país. Thomas virou motorista de uma respeitável companhia e teve uma vida estável por um bom tempo, inteiramente diferente de antes. Nem a Segunda Guerra Mundial pôde atrapalhar.

Em uma manhã ensolarada de domingo, Tommy, já beirando os 60 anos de idade, molhava as plantas na porta de sua casa. O tempo havia realmente passado. O ex-mafioso havia ganho alguns quilos, uma barriga e um bigode. Seus cabelos estavam grisalhos, quase brancos. Seus traços, rugosos. Era um bom vizinho, ninguém imaginava o seu passado, coisa que ele deixava escondido.

Sua filha havia ido para a faculdade, em outra cidade. Sarah cozinhava. Um cadillac vermelho de teto de lona branco estacionou à porta da casa de Tommy. Dois homens saíram e caminharam até o velho. Um usava um largo terno de couro, chapéu fedora da mesma cor e gravata vermelha. Seu rosto era largo e rechonchudo, seu nariz largo. Ao seu lado, um magro homem de terno azulado e chapéu creme com fita azul.

- Sr. Angelo? – Disse o rapaz de terno azulado.

- Sim? – Disse Thomas, em um tom automático. Não havia mais Angelo em seu nome, mas ele atendeu.

- O Sr. Salieri manda lembranças.

Os olhos de Tom arregalaram, seu coração bateu forte em reação a aquele nome. Ele apertou a mangueira. O rechonchudo rapidamente retirou de sua Lupara de dentro do terno e atirou no peito de Thomas Angelo.

Ele caiu morto no gramado, soltando a mangueira que começou a encharcar o gramado. O sangue escorria por sua boca. Sua vida escoava pela grama. A surpresa ficou espantada em seu corpo. Os dois homens voltaram para o automóvel e foram embora. Dizem que seus nomes são Vito Scalleta e Joe Barbaro…

O mundo não segue as leis escritas no papel. Ele é comandado por pessoas. Algumas de acordo com as leis, outras não. Depende de cada um definir como seu mundo será, e como ele irá o fazer ser. E você também precisa de muita sorte para que ninguém faça de sua vida um inferno.

Não é tão simples como eles fazem parecer no colégio. Mas é bom ter valores fortes e mantê-los. No casamento, no crime, na guerra, sempre e em todos os lugares. Eu estraguei tudo, Paulie e Sam também.

Queríamos uma vida melhor, mas no final nós fomos piores do que a maioria das pessoas. Sabe, eu acho que é importante manter um equilíbrio das coisas. Sim, equilíbrio, essa é a palavra certa. Porque aquele que aceita muitos riscos, acaba perdendo tudo. Claro, o cara que espera muito pouco da vida, poderá não conseguir nada no fim.

- Trecho final da carta de Thomas Angelo (1900 – 1957)

FIM


-

Créditos:

Illusion Softworks

Máfia Game Wikia

Comunidade Contos de Games

Comunidade Poderoso Chefão

Comunidade Mario Puzo

E a todos os que leram e apoiaram de alguma forma.

-

Este projeto foi muito legal pra mim, de verdade. Ele trabalha com uma grande dualidade. Quem no fim da história está certo, afinal? Tommy por ter delatado e sido ganâncioso? Ou seria Salieri, o Don, que lógicamente, não tolerou tais atitudes.

Comecei ele imediatamente ao terminar o de GTA 3, e foi mais de uma mês trabalhando nele. Esse jogo foi inesquecível pra mim, desde minha juventude, e quando achei o jogo aqui… Eureca, eu tinha que transformar em livro!

Sou muito grato aos que acompanharam e continuem ligados aqui no Cogumelando, viu?

OBRIGRATO POR PERDER TEMPO COM O COGUMELO!

Nos vemos na próxima.

Aquele abraço!

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9

PARTE 10

Related posts:

  1. Episódio 87 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.1
  2. Episódio 88 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.2
  3. Episódio 90 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.3
  4. Episódio 91 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.4
  5. Episódio 93 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.5
  6. Episódio 94 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.6
  7. Episódio 96 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.7
  8. Episódio 97 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.8
  9. Episódio 98 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.9
  10. Episódio 99 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt. 10
  del.icio.us this!

9 Comentários até agora »

  1. 1

    Wesley said,

    setembro 3, 2010 @ 22:36

    Como que o Salieri mandou matar o Tom?

  2. 2

    Pedro Casanova said,

    setembro 4, 2010 @ 10:07

    A pergunta pode ser também: Quem matou Tom, Salieri mesmo ou algum Don amigo?

  3. 3

    Wesley said,

    setembro 7, 2010 @ 21:02

    Tom morreu à mando de Saleiri! Dois comparças de Salieri matou o Tom! Mas eu quero saber como q o Salieri fez isso já q ele pegou prisão perpétua!

  4. 4

    Pedro Casanova said,

    setembro 7, 2010 @ 23:49

    mesmo assim o contato continua, sempre!

  5. 5

    Dudu said,

    dezembro 4, 2010 @ 23:41

    voce ira agora fazer um livro do mafia 2, acabei de zerar e queria entender bem a historia de vito. =)

  6. 6

    bruno said,

    janeiro 20, 2011 @ 14:51

    Cara!!! muito bom,foram tres semanas perdendo tempo com seu livro,he he he, mas valeu a pena.

    Só não gostei do tom ter sido morto por saliere no final,eu achei que ele fez o certo

    esse é o fim de um criminoso!!!

  7. 7

    Pedro Casanova said,

    janeiro 20, 2011 @ 15:28

    Valeu cara!
    Muito grato, de verdade!

  8. 8

    candido said,

    fevereiro 28, 2011 @ 19:16

    muito legal a historia deste jogo ele mostra que o crime nao compensa.
    parabéns ao escritor, só fiquei triste pelo tommy ter morrido

  9. 9

    Flavio da Silva said,

    maio 6, 2011 @ 19:14

    Bem que o Sam disse, que mais cedo ou mais tarde, ele acabaria morto…

Comment RSS · TrackBack URI

Comenta aí

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes