Episódio 109 – Retrospectiva Ganbare Goemon Pt.1

E aí, pessoal!

Um ano e sei lá quantos meses depois da retrospectiva de Dragon Quest, inicio um novo projeto: Ganbare Goemon, o clássico da Konami e uma das séries mais obscuras no ocidente.

Esta série vem desde os anos 80, no Arcade, e por aqui ficou conhecida como “Mystical Ninja”, tendo sua primeira versão lançada para Super Nintendo. O game é conhecido por ser um tanto Steampunk, contando com robôs gigantes, raio lasers e máquinas. No entanto, mantem uma atmosfera completamente japonesa – o que, por este motivo, pode ter impedido seu crescimento no ocidente.

A série foi muito mal traduzida pro inglês, contendo erros nas piadas e mudança nos nomes (Goemon por exemplo, virou Kid Ying…). Pois bem! Preparem-se para entrar no maravilhoso mundo de Ganbare Goemon, esta fantástica jornada que nos remete aos clássicos – e difíceis – games de plataforma retro!

Antes de começarmos, um pouco de história…

Ishikawa Goemon é um popular bandido na história japonesa, um Robin Hood oriental, por assim dizer. Ele roubava dinheiro e bens de valor e distribuía aos pobres. Há muita especulação em torno de sua origem, mas pelo o que dizem, nasceu em 1558 na Província de Iga. Quando seu pai foi morto, jurou vingança e começou a treinar Ninjutsu. O tempo passou, ele teve de fugir e criou uma gangue, que o ajudava a roubar de senhores feudais, templos e qualquer lutar que desse um bom “loot”.

Morreu cozido vivo em óleo por tentar assassinar Toyotomi Hideyoshi, um daimyo – ou seja, senhor feudal. Triste isso, né? Há uma série de outras histórias sobre sua morte, vale a pena conferir a fundo.

O Racoon – que tanto aparece em diversas séries de videogame – se trata de um Tanuki, que faz parte do folclore japonês. Diz a lenda que o Tanuki é o mestre do disfarce, sendo um metamorfo, causador de confusões e alegre – transformando-se em pessoas importantes, ou folhas em dinheiro, travessuras desde tipo. Eu queria ter um Tanuki de estimação…

Personagens

Goemon

O protagonista dos games. Por aqui é (infelizmente) chamado de Kid Ying, o que depois volta a ser Goemon nos jogos de N64. Goemon ataca com um kiseru, ou seja, um cachimbo. Utiliza moedas também, no maior estilo Silvio Santos. Como todo bom herói, o pavio dele é curto e seu senso de justiça alto.

Ebisumaru
Eu adoro esse viadinho! Teve o nome escrotizado por aqui também virando “Dr. Yank” (que merda é essa?!) e utiliza um estranho uniforme ninja. Definitivamente, ele é gay (e adora se vestir de bailarina), e isso aumenta a cada game. Utiliza para atacar desde leques e frigideiras, até um bambolê (!). É um belo toque comico das séries. É um ninja diferente, que prefere comer e dormir. Eu adoro esse cara!

Sasuke
Sasuke é chapa quente! É um ninja mecânico que teve sua primeira aparição como boss do primeiro Goemon para Super Nintendo (Ou The Legend of Mystical Ninja). Ataca com kunais e bombas – o que o faz parecer um personagem vindo diretamente de Bomberman. Foi criado pelo Sábio Monoshirii de Iga e se aproxima dos heróis quando os eventos de Ganbare Goemon 2: Kiteretsu Shogun Magginesu tem inicio. Alem disso, ele tem outras habilidades como escalar pedras e desaparecer. Seu jeito de falar é extremamente educado. Para jogar, é o meu favorito, sem dúvidas.

Yae
Sabe que eu gosto dessa menina? Ela aparece inicialmente no RPG de NES, mas a fama só veio no “The Legend of Mystical Ninja” como uma ninja de cabelo roxo (que por algum motivo desconhecido depois fica verde, será Wellaton?) sendo uma prisioneira, que acaba por ser salva por Goemon e Ebisumaru. A partir disso, ela só se tornaria personagem jogava no Ganbare Goemon 3. Até então, ela aparecia para dar dicas ou ajudar em algo e sumia, no maior estilo Shadow do Final Fantasy 6. Ela é, sem dúvida, o personagem mais interessante da série. Alem de atacar com sua espada, ela tem uma bazuca e vira sereia. Sua personalidade é toda braba e, por muitas vezes, é ela quem lidera o grupo. Fantástica, fantástica.

Jogos

Mr. Goemon

Consoles: Arcade, Xbox 360

Ano de Lançamento: 1986 (JP), 2010 (US)

A primeira aventura do Goemon no mundo dos videogames. Esse sim eu posso chamar de jogo obscuro! O game, graficamente falando, é bem rico para a época principalmente por seguir o estilo Ukiyo-e de desenho, ou seja, aquelas gravuras japonesas antigas. Os cenários contam com templos japoneses, nipônicos enfurecidos e surfistas japoneses (!). Sem esquecer, é claro, Tanukis indicando o caminho.

Muito dos elementos que surgiram nesse game continuaram nas sequências, como o fato de lançar moedas nos inimigos e encontrar gatinhos ao decorrer do jogo que dão power-ups. Os sprites são todos bem desenhados, sendo uma espécie de caricatura do Japão antigo. O Goemon possui uma expressão fantástica, assim como movimentos muito bem feitos.

A jogabilidade não tem mistérios, saia correndo e acertando com o pipe, ou pulando na cabeça deles (ou esquivando, se você for um covardão!). No entanto, você não pode voltar o percorrido – uma bandeira vermelha e branca impede seu retorno. O mesmo acontece nos chefes. Certos inimigos te agarram, e você precisa movimentar o personagem sucessivas vezes para que ele se solte.

No fim das fases, encontra-se uma pilha de ouro e uma animação personagem-cenário ocorre. Outro fator interessantíssimo é o timer, que não é o simples tempo com números, e sim a lua. No fim do estágio, quando se conta os pontos, a lua se movimenta no céu como se fossem os números indo ao zero para decidir seu score.

O game não é longo, mas é extremamente difícil. Se você morrer, começa tudo de novo. O interessante nisso tudo é que Goemon, até os dias atuais, é uma série bem difícil de se fechar. Eu fico feliz em ver games que começaram difíceis, e continuam difíceis.

Vídeo do Gameplay

Ganbare Goemon: Karakuri Douchuu

Consoles: NES, Game Boy Advance

Ano de Lançamento: 1986 (JP), 2004 (JP)

Um beat n’ up bem clássico misturado com exploração bem típica do primeiro Zelda. No entanto, esse jogo pode te deixar maluco, sério. De imediato, você dá de cara com uma imensidão da época (algo como um Vice City do Nintendinho). Você sobe, desce, pula coisas. No entanto, o game pode se tornar repetitivo. Os cenários todos apenas mudam de cor, e mais nada. Mesmos inimigos (que aparecerão nos outros games, e eu amo esse tradicionalismo) e fundos.

O ponto bom é que você pode encontrar passagens secretas, se aventurar em cavernas cheias de grana, e surrar gueixas loucas com um cajado (não, aquilo não tem como ser um cachimbo…). Algo inteligentíssimo é a venda de itens, por exemplo, você precisa comprar um item para iluminar as cavernas escuras.

É algo que poderia sim ter vindo para o ocidente quando foi lançado, visto que na década de 80 havia uma grande aproximação da cultura japonesa sendo usada em diversos filmes (Karate Kid) e desenhos (Tartarugas Ninja).

Em 2004 foi lançado um port, sem nenhuma alteração, para Game Boy Advance com o selo Famicon Mini.

Vídeo do Gameplay

Vídeo do Comercial#1

Vídeo do Comercial#2

Ganbare Goemon: Karakuri Douchuu

Consoles: MSX2

Ano de Lançamento: 1986 (JP)

Essa sim é uma jóia perdida no passado. Mesmo nome da versão de Nintendo, game diferente. A tela é estática, como muitos games do MSX, e as fases se parecem, mas a estrutura muda do Famicon. No fim das contas, o modo de jogar é como a outra, exceto pelo fato do Goemon ser muito lento quando está sem as sandálias.

O ponto chave aqui é que alem do jogo permitir dois jogadores, é aqui que surge Ebisumaru. Na verdade, aqui seu nome é Nezumi Kozou (baseado em um ninja existente, de fato) e serve como uma base para o nosso querido gayzinho.

Vídeo do Gameplay

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Então é isso, pessoal! Essa foi a primeira parted a Retrospectiva do Ganbare Goemon. Espero que tenham gostado.

Obrigrato por perder tempo com o Cogumelo e até!

CONTINUA>

PARTE 2








Sobre o autor

Pedro Casanova Fundador do Cogumelando e assassino de aluguel nas horas vagas. Amante de muitas coisas, dentre elas cinema, séries, literatura, games, quadrinhos, música, motocicletas e carros antigos. Nem nerd nem descolado, é especialista em levar diversão a sério e o sério na diversão.

 

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