Episódio 113 – Retrospectiva Ganbare Goemon Pt.3


Ganbare Goemon: Yukihime Kyuushutsu Emaki / Legend of the Mystical Ninja
Consoles: SNES
Ano de Lançamento: 1991 (JP), 1992 (EUA)
Foi por esse game que eu conheci a série. Ainda me lembro como se fosse
ontem, eu no alto dos meus 10 anos, indo à locadora pegar um fita. Então eu vi a capa americana, bonita até – tirando o Goemon que virou uma espécie de goblin montado em um tigre. Trouxe pra casa e me apaixonei. Esse é um
game que todo gamer deve jogar.
Foi o primeiro game do Goemon chegando na América e veio em boa hora, foi um dos primeiros títulos do sistema por aqui, o que ajudou a consolidar seu sucesso. Até então, a jogabilidade dele era diferente, assim com o mundo, com o qual não estávamos tão afeiçoados. Era como embarcar em um novo mundo.
A versão americana sofreu com a Nintendo, tendo algumas partes cortadas, textos mal traduzidos e o nome do Goemon e Ebisumaru mudado pra Kid
Ying e Dr. Yang. Faz sentido? NÃO MESMO! E o mais triste é que eles não perceberam, é que estes são nomes chineses.
Enredo, né? Então, estava tudo muito bem no Edo, até que fantasmas surgem. Goemon e Ebisumaru vão investigar isso, como bons heróis que são, e no decorrer descobrem que a Princesa Yuki foi seqüestrada por um tal Otafu Army. Agora é preciso cair pra dentro e salva-la, com a ajuda de alguns gatos ninja – como Kurobei (que aparece anteriormente no NES) e correr por todo o Japão.
Este tem os melhores sprites de toda a série. Embora não tenham tantas cores (afinal, é de 92 o jogo), os personagens são incrivelmente carismáticos. Já é possível perceber isso de cara com o efeito da tela titulo e a cutscene que surge assim que se começa um jogo – e várias outras na divisão de uma fase para a outra podendo mudar certas vezes, como é o caso do fim da primeira fase quando você escolhe o barco para ir até o segundo cenário. A cena muda de acordo com o preço pago para a viagem – é bem engraçado . Os cenários são riquíssimos, revelando paisagens exuberantes da cultura japonesa. Vão de templos até ilhas com festivais.
P
ara quem jogou as versões anteriores, pôde ver os NPCs antigos agora totalmente recauchutados. Os inimigos são bem criativos também, como é o caso de um cão raivoso com babador e outros elementos do folclore japonês. Aqui, o Tanuki ficou parecendo um mendigo, ou velho do saco, qualquer coisa assim. Os chefes são bem interessantes, o primeiro é uma fantasma que você deve acertar os pratos, para que eles voltem contra ela.
As cidades alem de bonitas, possuem lojas e mini-games. Os itens vão desde sandálias que fazem os personagens correr mais rápidos, até bombas. Os mini-games são vários: Corrida de Cavalo, Labirinto com Itens, Loterias, Jogos e o mais incrível de todos – Gradius, o shooter clássico da Konami, neste game numa nova roupagem de sua primeira fase. Existem passagens secretas onde você encontrar aumento do limite de sangue e dinheiro. É uma das minhas partes favoritas, o entanto você precisa ter sandálias para pular as pedras e arrebentar os jarros para pegar os upgrades.
Música, fantástica. Ela não saíra da sua cabeça, ficará marcada. Consegue expressar todo o momento do game. Os efeitos sonoros são muito bons também, um game que muitos jogos posteriores não conseguem vencer em qualidade.
As fases são divididas em duas partes – uma com a visão como a de antigamente, quando o herói percorre pela cidade e os arredores. Outra, já é em side-scroller (tipo Castlevania), que é o castelo a caminho do chefe. Aqui é possível usar jutsus que se aprende no dojo das cidades, que são poderes como evocar um tigre e montar nele, ou voar. Eles gastam o “pow” que fica no menu. Há também uma cooperação entre os jogadores, podendo um montar no outro e ser carregado, assim um fica encarregado de correr e o outro de atacar.
A dificuldade do jogo é grande, tendo um pulo imenso no 5º estágio. Ao morrer, você volta ao início da fase, sem nenhum item – é um belo prejuízo. O problema aumenta com o sistema falho de password, o que é de fato um
ponto bem negativo para o game. São grandes e complicados, o que o torna bem passível de erro. Para alguns jogadores, essa dificuldade pode ser bem atrativa, como é o meu caso.
É um excelente game, para se ter. E não digo a ROM, o ideal é ter o cartucho, ligar no SNES e jogar com os amigos. Uma obra de arte.



Ganbare Goemon 2: Kiteretsu Shogun Magginesu
Consoles: SNES
Ano de Lançamento: 1993 (JP)
“O Mistério do General Magginesu” é o melhor de todos os Ganbare Goemon, que (in)felizmente, não chegou ao ocidente. A história é fantástica – Magginesu invadiu o Edo e quer “westernizar”, ou seja, ocidentalizar o Japão, justo quando Goemon e Ebisumaru foram tirar umas férias. A história já tem
início no fim do Goemon 1, quando é possível ver gringos em algumas casas na ultima cidade (e eles falam coisas ilegiveis, como $(@(@(@($, achei muito bom). Magginesu utiliza homens coelho para o serviço, mas os heróis devem parar isso – e agora contam com mais uma ajuda, Sasuke – que foi um dos chefes do primeiro Goemon, que ao entender que tudo era um mal entendido, se juntou aos garotos. Sasuke é um robô-ninja, criado pelo “Sábio de Iga”.
Por que ele é o melhor Goemon? Porque é um jogo atual, tudo é de agora. Há mais cutscenes, que de fato são cenas, desenhadas, e não utilizam os sprites do jogo. Os cenários são todos diferentes, bem coloridos e criativos (como é o caso da fase em que você tem que andar em cima de um dragão
que mergulha no mar). Há um belo e vasto World Map repleto de fases secretas. Este é o Goemon campeão em cameos, até aparecendo um personagem de Castlevania durante o jogo.
Alem de tudo, o jogo é difícil – mas não uma dificuldade feita de bugs, e sim planejada. Para isso, aboliram-se os passwords, colocando no lugar uma bateria para salvar o jogo – o que muito enriquece. A jogabilidade é maravilhosa permitindo muita cooperação para dois jogadores (o que torna outro jogo completamente novo – é preciso zerar para um e para dois para provar todo o titulo). Agora, o Tanuki realmente parece um Tanuki, mas não há mais divisão em duas fases. Há a cidade, com suas passagens secretas e mini-games, e há as fases propriamente ditas – que certas vezes oferecem múltiplos caminhos, levando à múltiplos lugares. Há também diversos veículos, como carros-rato e robôs lutador de sumô. É bem diversificado e cada um tem uma função.
Certos chefes de fase são apenas enfrentados com Goemon Impact, uma espécie de Megazord criado pelo “Sábio de Iga”, que é evocado com uma flauta. Então a batalha vira algo semelhante à Super Punch Out e Star Wars de Super Nintendo quando se foge da estrela da morte. Antes de toda luta, você pode ter seu momento Rampage com o robozão, correndo por cidades e
fortalezas pisoteando e destruindo tudo – o que lhe confere mais life para o duelo principal. Os continues agora são infinitos, então você simplesmente não se estressa – o que é digno, já que há save game.
A música é diferente para praticamente todas as fases, pouquíssimas repetem, e há a mais bela música de toda a série – a do final. Todas elas, como no antecessor, foram bem encaixadas. Os efeitos sonoros são claros e limpos, não parecendo rãs no cio.
Goemon continua com seu pipe, Ebisumaru agora ataca com um leque e Sasuke com kunais. O Goemon Impact com socos e metralhadoras. Os sprites aumentaram, deixando o jogo semelhante à Megaman. Embora em minha opinião os do jogo anteriores sejam melhores, aqui ele ganha pela amplitude de personagens e mudança nos cenários (muitas vezes na mesma cidade). O vilão, por ser ocidental, deixou o jogo mais steampunk do que nunca antes – canhões, robôs gigantes e bunny-mans atirando com armas de fogo.
Esse é obrigatório em qualquer biblioteca. Dou nota 10.



Ganbare Goemon 3: Shishijyuurokubei no Karakuri Manji Katame
Consoles: SNES
Ano de Lançamento: 1994 (JP)
Voltando as raízes, Ganbare Goemon 3 está com uma atmosfera RPGística. Pegando elementos do outro grande sucesso The Legend of Zelda: Link to the Past, o título trás uma visão diferenciada nas cidades e um side-scroller nos dungeons. Não consegui gostar desse game, infelizmente. Peguei-o com animo, em vontade, mas a grande necessidade de se falar japonês me derrubou – e meu japa não é tão fluente assim. Não dá pra pegar todos os detalhes.
Acredito que, com o plot de sucesso de seu antecessor, GG3 trouxe uma história semelhante. O sábio de Iga criou uma maquina do tempo e foi para o futuro, mas tudo dá errado quando Bisumaru, uma descendente francesa e católica do Ebisumaru, rouba o trambolho. Agora, os heróis precisam ir para o Japão Antigo futurista Neo Edo parar com a palhaçada.
Começa com Goemon e Ebisumaru, no decorrer entra Sasuke e (finalmente) Yae, a ninja, estreiando como personagem jogável. Goemon Impact aparece aqui também, mas com importância menor, mesmo rolando algumas lutas “Punch Out” como no 2. Cada personagem tem sua habilidade especial, sendo essencial em cada momento. Por exemplo, Sasuke lança bombas enquanto Yae vira sereia e pode mergulhar.
É um game rico, graficamente bonito com seus sprites bem coloridos e cenários realmente detalhados. O menu é muito bem acabado, mostrando portraits dos personagens. Há itens úteis também, como uma bóia que permite o jogador andar pelos rios. Os inimigos são bonitos, bem coloridos (a exemplo do sapo robô). Há aqui a volta dos dojôs, dessa vez a função de se aprender as habilidades especiais – e o desafio é um mini-game, como acender fogos na ordem.
Mas é aí que surgem os defeitos. Mesma o game tendo a tecnologia save game e a dificuldade se manter igual a do anterior, o modo de cooperação é medíocre, praticamente nulo. Há momentos em que o segundo jogador se torna inútil e até se vê obrigado a se matar (bem japonês isso, se pensarmos bem). Muitos chefes se resumem a… fugir. Sim, os heróis montam em robôs (semelhantes aos Punch Robots do Megaman X) e devem correr, apertando os botões para pular ou correr. Chato isso, tendo um Goemon Impact pra
surrar os canalhas todas às vezes.
Os dungeons são bem, mas bem repetitivos mesmo. Perdem a qualidade dos anteriores, de serem diferentes, e se tornam chatices que mais se parecem labirintos – e o mapa não ajuda muito. Nem os skills dos personagens e os itens perdidos ao longo deles ajudam na tarefa (como é o caso dos gatinhos que aumentam o limite de sangue, aqui eles se tornam artefatos a serem buscados nos dungeons e cidades, permitindo um final diferente e mais sangue) – é chato pra cacete mesmo, e logo se torna massivo.
Mas, Goemon é Goemon, afinal de contas, e tem seus pontos positivos. Se os problemas citados acima não são realmente problemas pra você, é um ótimo game, especialmente se você jogar sozinho.



Ganbare Goemon Kirakira Douchuu: Boku ga Dancer ni Natta Wake
Consoles: SNES
Ano de Lançamento: 1994 (JP)
Esse é o tipo de game que você não gosta no começo, e depois de jogar um pouco, simplesmente se fascina. Esse é Ganbare Goemon “4”, embora não leve o número no nome. É um grande, mas um grande choque.
Goemon Impact se mudou para um planeta onde todos são seus semelhantes, mas um super-vilão chamado Seppukumaru e seus ajudantes (que parecem bolinhos de arroz). E é aí que, numa das cenas mais loucas de todos os games de SFC, o robôzão vem ao Edo e chama os mocinhos para darem uma força lá no outro planeta e pra isso ele de tão feliz (suponho eu) CHUTA a casa do Sábio de Iga. Como assim, brooooother?! Bem, os quatro se espalham nas luas em volta do planeta, que estão controladas pelo Vaderzão, e conseqüentemente ele impede o acesso ao planeta principal.
Aí mermão, é aquele abraço: Os NPCs são alienígenas ajaponeijados. Imagine você uma gueixa com um capacete de astronauta, ou uma lagosta com roupas de samurai? FANTÁSTICO! Os sprites são incrivelmente bem desenhados e os cenários muito diferenciados. Num todo, o jogo deixa evidente a volta ao estilo do 2, com o que o 3 tem de bom. Ou seja: Itens e habilidades especiais.
Goemon foi para uma lua desértica, Ebisumaru para uma floresta, Sasuke para o gelo e Yae para um mundo oceânico. Fases secretas ainda existem, assim como fases geniais. Yae surfa, em uma das fases, isso é fantástico! E,
bem, aqui sim a dificuldade aumentou MUITO. Muitos cenários exigem pericia para pular os buracos, e sincronia para aproveitar oportunidades, assim como habilidade para lutar com inimigos difíceis e longos, como é o caso dos ringues de boxe, onde você tem de enfrentar seguidamente 5 lutadores e seguir vivo até o fim da fase.
A temática dos esportes está presente em todo o decorrer do jogo. O castelo dos chefes costumam ter motivos assim, e também a luta contra o Boss, que se baseia em competições. Tem seu lado bom e seu lado ruim isso. Interessante citar que, na tela de Game Over, aparece o demônio do Goemon 2, só que dessa vez dançando uma ridicula música com um bambolê.
Aqui o jogo peca novamente no modo para dois jogadores. Como apenas no mundo final o grupo se reúne, durante o segundo jogador se vê obrigado a jogar com um clone do personagem da fase. Dois heróis semi-iguais confundem MUITO! Imagine você dois Ebisumarus pulando pela tela, que merda?
Outra coisa que me desagradou muito foi as batalhas contra os chefes. Eu quero meter a porrada no infeliz, não competir corrida com ele ou um quis game. Isso aí eles erraram a mão, infelizmente.
Mas compensa, todo o resto. Pela dificuldade, pelos gráficos e o som. Isso tudo compensa. Os mini-games estão aqui também, e melhores, mesmo não tendo os divertidos Gradius e Xexex dos anteriores. Há cameos de outras séries também, como golpes iguais ao do Ryu, inimigos iguais ao Guile, Estrelas da Morte sendo jogadas contra você na batalha final e uma arma muito parecida com a do Doom. E os caminhos alternativos, secretos e itens escondidos é algo bem puxado do Megaman e que conseguiu ainda ficar melhor.
Aproveite, especialmente se você joga sozinho!



Soreyuke Ebisumaru! Karakuri Meiro – Kieta Goemon no Nazo!!
Consoles: SNES
Ano de Lançamento: 1996 (JP)
Cacete, isso que eu chamo de jogo obscuro! Esse table game, um puzzle, coloca como principal o nosso querido Ebizarromaru. Goemon sumiu, e agora ele precisa encontrar o amigo, então é hora do ninja brilhar!
Graficamente falando, o jogo está OK para um puzzle e lembra inclusive outro clássico do mesmo ano, o Super Mario RPG, as cutscenes inclusive são em CGI. A visão é vista de cima e levemente de lado, e você deve percorrer um verdadeiro labirinto fugindo de algumas casas. Há um timer, e você precisa chegar no fim antes que ele acabe. No caminho, há ainda inimigos e armadilhas, o que trás a dificuldade do jogo – o que o torna perigoso.
Para dar aquela amenizada, há itens espalhados pelo caminho que rendem alguma pontuação. Num total, não é um bom jogo, mas pode dar diversão pros verdadeiros fãs da série. A música é boa, mas o estilo e a jogabilidade não facilitam, então a função de ser divertido acaba falhando em longo prazo. Mas a música e os efeitos sonoros salvam.
É um game raro e muito esquecido, aí mora o charme dele. Se alguém quiser me doar um cartucho, aceito de bom grado!


-
E é isso aê, obrigrato por perder tempo com o Cogumelo!
Nos vemos!![]()
CONTINUA >
< VOLTAR








































