Episódio 167 – Para Sempre Eterno – Cap. II
No capítulo anterior
João conheceu uma mulher morena no ônibus quando voltava de algumas compras, saltou e resolveu segui-la. Havia algo estranho nela, o que ela iria fazer na praia à noite, ameaçando chuva? Ela não sabia andar no lugar, poderia precisar de ajuda. Assim que ele saltou, de repente, um carro lhe atropelou. Um estranho homem colocou o dedo médio e anelar na testa do ferido…
Ele acordou em seu quarto em 2013, paredes com madeiras pregadas à parede. Ninguém pelas ruas, televisão fora do ar… Então, de repente, ele estava em casa. Seis meses haviam se passado, mas ninguém dava falta deles. Tudo estava normal, menos para João. O que aconteceu durante esse tempo?
Parte 1
12 de Dezembro de 2011 – Diário
O remédio ou sei lá o que meu irmão me deu está me causando problemas de vista ou alucinações, isso só pode ser uma reação adversa. Não sei explicar o que foi aquilo. Ele desapareceu. Sumiu diante dos meus olhos e então reapareceu alguns metros à frente. Acho que devo descansar mais…
Meu irmão não é mais o mesmo. Ele anda fugindo de casa, esses dias mamãe ficou louca atrás dele. Preciso entrar no computador dele, estava usando e quando entrei em seu quarto, ele minimizou a tela e não me deixou ver nada.
~
João voltou ao local onde havia sido atropelado, na praia de Itacoatiara. O céu estava bem claro e quente naquela hora, próxima das 14 horas. Surfistas e mulheres de biquíni passavam por ele, carros em alta velocidade, crianças molhadas de praia. Encostado ao muro observava a rua, buscava no rosto de cada um aquele que o atropelou ou, ao menos, aquela morena.
Já havia andando por todo o quarteirão, praia, até o fim da rua. Seus pés ardiam e os tênis All Star estavam cheios de areia. Nem sinal daquele carro, nem sinal daquele homem. O rapaz, sem entender porque daquilo tudo, resolveu voltar para casa. Caminhava em direção ao ponto de ônibus, mas algo estranho aconteceu… Não havia ponto de ônibus.
A pequena armação de concreto havia desaparecido, a placa enferrujada estava restaurada. Pareciam ter feito alguma obra enquanto ele estava fora, embora não houvesse rastros no chão e nem o som de operários ou máquinas. Havia mais mato no local e nenhuma cabine policial, praticamente nenhum transeunte. João pensou se estava no ponto certo, mas estes pensamentos se afastaram de sua cabeça quando o coletivo aproximou-se. Era um modelo antigo, todo “quadrado”, com marcas de barro seco em sua lataria. Ele entrou, deu o dinheiro ao trocador. O homem pegou aquelas notas, as observou sem nada entender.
- Que papel é esse? – Indagou o trocador.
- … Dinheiro? – Respondeu João, sem entender.
- Ah, saia daqui! – Disse o trocador, acertando a caneta no segurador de ferro do ônibus, fazendo sinal para o motorista parar e abrir. A porta abriu-se e ele saiu, segurando sua amarrotada nota de dois reais na mão direita.
João lançou um olhar para dentro do veículo e todos estavam fora de moda, pareciam roupas de vinte anos atrás, pelo menos ao que observou pela janela. O rapaz saltou poucos metros após o ponto. Estava assustado, confuso. Coçou a cabeça e levou os olhos até o ponto, e lá estava a pequena estrutura de madeira e a placa enferrujada. A cabine de polícia, a vegetação parecia ter sido aparada. João não entendeu, mas considerou que havia pegado o coletivo no lugar errado.
Sentou no banco de cimento, já com seus pés doendo, ao lado de um casal. A troca de caricias daqueles dois o incomodava, então ele encarou o céu, levemente tímido. Uma grande nuvem passeava pelo azul claro. Observando-a, logo percebeu que ela tinha a forma der uma colher. Sua introspecção foi interrompida por outro ônibus, dessa vez um mais novo. Ele pegou e seguiu para casa.
Saltou e foi caminhando até sua rua, coisa de cinco minutos depois chegou até a entrada. Abriu o portão de ferro, seguiu pelo pequeno passeio de pedras e viu algumas crianças pelo vidro da porta frontal, havia um velotrol na varanda, idêntico ao que tivera quando pequeno – Naquela época, dos seis anos de idade, João sempre dizia que queria ser um soldado piloto de moto. João tocou a porta, abriu e… Não havia nenhuma pessoa na sala.
Foi caminhando até a cozinha e viu seu pai e mãe, sua irmã não estava nem na sala, nem na cozinha.
- Filho, está tudo bem? – Perguntou o pai.
- Sim, pai, saí apenas para… ahn… aproveitar o dia! – Disse João, mentindo, apenas por não querer entrar em detalhes. – Onde está minha irmã?
- No quarto… Ela não estava muito bem. Está dormindo. – Disse o pai.
João olhou para sua mãe, ela tinha um olhar perdido para o chão. Tudo isso foi o suficiente para acabar com seu dia. Foi tomar uma ducha e depois, desanimado, sentou no sofá e começou a ver algum filme B que passava na televisão. Filmes de crianças super inteligentes não era seu gênero favorito, então se levantou e foi para seu quarto, fechando e trancando a porta em busca de alguma privacidade.
A única forma de relaxar era desconectando-se da realidade, mesmo que por momentos, a leucemia que acometia a irmã o fazia sofrer também. Colocou uma música para tocar, enfiou o fone na cabeça e começou a navegar por alguma rede social medíocre, o que o irritava profundamente. Enquanto estava lá, sua irmã estava morrendo aos poucos na parede ao lado. Ele não podia fazer nada.
Dinosaur Jr. Turnip farm (clique para ouvir)
Então, uma janela subitamente surgiu na tela de seu velho monitor de tubo, opondo-se ao rosto de John Travolta em seu papel de parede de Pulp Fiction. Um estranho e-mail pedia para ser adicionado em seu MSN, que ele nem se lembrava de ter ligado. João franziu a testa e começou a pensar se deveria ou não aceitar. O estranho endereço xrjajleajbaal1936@hotmail.com parecia algum spam.
Quando ia clicar no “não”, notou uma estranha mensagem anexada. Ela dizia “Adicione. Obedeça”. Só podia ser brincadeira de alguém, então se deixou levar – com certeza era melhor que procrastinar e ficar com curiosidade.
O estranho contato, cujo nick era o próprio e-mail, estava ali online.
Sua janela subiu, ele mandou uma mensagem.
- Fui eu que te atropelei – Disse a mensagem.
O coração de João bateu forte, a garganta ficou subitamente seca, sua pele arrepiou-se.
O que ele deve perguntar ao desconhecido?
Usem os comentários para sugerir o que João deve perguntar ou falar para o atropelador.
Comente nos comentários daqui ou no Facebook e decida o que ele deve perguntar ao homem (encerrado)
Parte 2
(Clique nas imagens para ver maior)
João caminhou até o quarto da irmã, abriu a porta e a viu deitada, coberta. Aquela visão o incomodava, ela não tinha mais cabelo, parecia tão fraca, frágil. O rapaz seguiu até ela, teve alguma dificuldade em fazer o dedo médio e anelar ficarem unidos – formando uma espécie de W – e quando conseguiu, levou até a testa da irmã.
Imaginou uma luz amarela fluindo de seu braço até o corpo da irmã. Fechou seus olhos, era melhor para ele imaginar assim. Começou a sentir um cansaço progressivo, era como se suia energia estivesse saindo de seu corpo, era o que a mente de João lhe dizia. Então abriu os olhos. Ela também. Os dois se olharam.
- O que está fazendo? Ela perguntou, olhando para a mão dele. – O que você me deu?
- Nada, não fiz nada! – Disse ele, saindo em passos apressados, nitidamente nervoso.
João trancou-se no quarto, e quando chegou até o computador, lá estava o estranho contato. Sentou-se e começou a digitar loucamente.
E após isso, ele ficou offline.
O que este contato deseja? ![]()
Opções:
1) Ir aos hospitais e fazer o que ele indicou
2) Testar impor sua vontade nos outros através do olhar
3) Não ir ao velho hotel
Escolha o que ele deve fazer clicando aqui (Encerrado)
Parte 1
Related posts:
- Episódio 25 – Convertendo .avi para .mp4
- Episódio 55 – Três maneiras de fazer um encontro romântico dar errado (Para homens)
- Episódio 69 – O homem vai para a faculdade
- Episódio 70 – Sobre Salvador Abílio
- Episódio 73 – Ladies Night
- Episódio 150 – 7 motivos para crer que Deus existe sim, mas é um sacana
- Episódio 153 – Game Over para as Jogadoras
- Episódio 160 – Para a Família Cogumelando
- Episódio 163 – Para Sempre Eterno – Cap. I
- Episódio 165 – Videogame é para Todas as Idades


























' Dark said,
janeiro 21, 2012 @ 20:22
Então meu jovem, são varias as perguntas..
Pra onde vamos agora?
Mauricio said,
janeiro 21, 2012 @ 20:25
o q o joão deve perguntar?
-quando vc me atropelou exatamente? o q fez comigo? -
e o loko vai responder:
te atropelei quando vc se jogou na frente do meu carro. e fiz sexo gostoso com vc
Reação do João = Poker Face
carlos e renato said,
janeiro 21, 2012 @ 20:53
ñ tenho facebook entao vai por aqui pergunta a ele o que ele fez a ele e pq as coisas estranhas tao acontecendo
Clayton Biscalchini said,
janeiro 21, 2012 @ 22:25
Ele deveria perguntar se isso é sério, se há alguma garantia de que a pessoa q ele está falando é realmente quem o atropelou.
Vics said,
janeiro 24, 2012 @ 19:59
Isso tá muito sinistro, na moral. AUHUAHAUHAUHAUH
Wtf ele se tornou? Um mutante com poderes do E.t. ?
Pedro Casanova said,
janeiro 25, 2012 @ 18:37
Hehehehe “não perca o próximo episódio!”