Episódio 71 – Enchanté, mon amour

“Vinda de França, ela disse. Isso são as cousas da vida, ela explicou. Meu amor, ela enganou.
O mundo não é mais o mesmo. Como a história – por mais mentirosa que seja – ou os sobreviventes dela dizem, a exemplo da Idade Média, as mudanças vinham a cada século. Agora não, elas são semanais.
Eu sou do tempo em que tudo começou a ficar rápido. Ora, sou da década de trinta, o que você poderia esperar dela alem de movimentos políticos ditatoriais e cruéis ao longo do mundo? É preciso entender que depois da morte, especialmente se ela vem nos anos cinqüenta, você não se torna mais criado da massiva politicagem – muitas vezes derivada do Velho Mundo – e sim se torna parte dela. Evidentemente, meu caro, a esta altura já é possível presumir que neste tabuleiro de xadrez, quem move as peças somos nós. Ou seria melhor dizer que peças movem peças?
Héloise de Lyon, esta sim marcou minha vida de forma que eu me sinta obrigado em citá-la ao discorrer sobre minha existência. Mas falar disso é como mostrar sangue na neve – não há sentido. Antes, se me permite, devo contar o que fui. Nasci em 1936, ironicamente a mesma época em que Hitler teve sua ascensão e ocasionou a tão estimada e adorada pelos Familiares Segunda Guerra Mundial. Mas eu não me importava com isso, eu era apenas um bebê que não sabia nada sobre a vida e a morte.
Mamãe era o exemplo de mulher ideal daquela época, e conforme o tempo passava menos eu entendia porque papai a abandonou. Mas, quem liga? Tinha eu as latas de leite com o ilustre rosto de Getúlio Vargas. Fui um bom aluno, mas nunca fui ligado nisto. Embora eu fizesse parte da camada pobre – pois esta “classe média” deriva dos novos moradores deste mundo – conseguia sonhar. Desde os primeiros dias, quis eu ser um desenhista. Ilustrar, hoje, ainda é pra mim algo de grande prazer, mas, como nós sabemos, a vitae humana tomou o lugar como coisa mais gostosa. Ninguém disse que a vida deveria ser fácil.
Se me permite, non decet contar minha adolescência. O que é a vida humana diante do que eu consegui em 1956? Vale ressaltar que o jovem daquele tempo, não era tão jovem. Quer dizer, alem da paixão por carros que a maioria das crianças de hoje possuem, o contexto era totalmente outro. Eu acreditava no amor, eu queria tomar uma mulher como a minha donzela e ama-la para sempre. Bem, eu já tinha uma escolhida.
Por quatro anos fui apaixonado por Donzela. Prefiro não tocar no nome dela, ainda me causa certa estranheza. Eu via nela o perdão de todas as minhas dividas, e naquele tempo, meu coração era vivo. Batia forte quando eu a via. Infelizmente, eu nunca fui o homem ideal pra ela, de forma que ela fazia questão em me mostrar seus novos namorados, penso que ela gostava de deixar claro a distancia entre eu e ela.
Sei que ela não entendia, e perdôo isso, mas às vezes eu queria mostrar à ela o quão interessante era minha vida. O quanto aquele sentimento era delicado. Ainda me lembro das noites em que passava trancado em meu quarto, com os olhos cheios de lagrima. Queimei muitos desenhos que fiz pensando nela, coisas hoje banais, como eu e ela andando de mãos dadas ou até mesmo poemas que fariam Castro Alves suspirar.
Droga de adolescência.
Agora que estamos lidando da década de cinqüenta, é preciso que eu explique o meu entusiasmo por todos os avanços derivados desta década. Para mim o Rio de Janeiro ainda é o mesmo, exceto que neste tempo havia mais árvores e menos seios. Fui um artista do passado, neste presente. Pintava quadros, criava desenhos e vendia. Conseguia um bom dinheiro, e isso garantia almoços de domingo. É, a necessidade torna os seus dons em pilhas de moedas. Eu estava feliz… Por fora.
Com dedicação e mesmo sem um ensino superior, pude bancar até mesmo os remédios de minha mãe e claro, estudar línguas por correspondência. Nós éramos rurais, mas minha alma possuía um anseio por carros e cidades. Embora eu sempre sorrisse, por dentro, eu estava estraçalhado. Donzela havia se casado e me convidado à cerimônia, algum banqueiro fez dela sua esposa. E por isso repito que a necessidade torna os seus dons em pilhas de moedas…
Voltei-me para o trabalho, até porque você há de convir que alguns nascem apenas pra isso. Ser o que você quer é apenas um advento do século XXI. Mas minha vida mudou quando, a há pouco citada Héloise de Lyon surgiu. Um amigo, Pablo, que eu conhecera por via do meu trabalho, havia indicado esta francesa. Ele ainda frisou que ela era uma compradora em potencial, e eu devia ser polido com ela.
Passou-se uma semana, se bem lembro, e ela me apresentou uma bela moça de cabelos castanhos claros, quase marrons. Sua pele era pálida e um tanto seca, com maquiagem. Uma pele que me remetia a de alguém que provou de todos os tipos de amores e desamores. Seus olhos eram negros como uma noite no deserto e seu sorriso vivaz, com curiosas presas que apenas semanas depois pude me dar conta do que era. Uma pinta negra em seu rosto causava o contraste em seu corpo.
Embora ela desfilasse pelo calor, não trocava seu modelito parisiense. Cachecol vermelho sangue repousando sobre roupas em seda, leves, como se fossem tecidas por gueixas adestradas. Sua pele era gelada, como se houvesse saído de um dia frio. Ela era cativante, e não demorou muito para que eu sentisse por ela algo infinitamente maior do que eu sentia por Donzela.
Hoje me dei conta de que ela manipulou meus sentimentos com o seu “dom”. Mas, quem liga? Eu tenho os meus também. Não obstante, ela havia se tornado a minha nova musa. Mas compreendo que toda esta afeição foi resultante dela ter, simplesmente, me observado em meio à multidão. Quem não gosta de se sentir especial, único? Ela dizia ser “de França” e que ter conhecido minha arte era apenas uma das “cousas da vida”.
Como vocês dizem mesmo… Ah sim, ela me “pegou”. O beijo dela era apaixonante, e ela me escravizava: Tinha eu que criar um milhão de quadros por semana, para satisfazê-las. Notava uma presença de Pablo, cujo amigo até hostilizei por ciúmes. Ainda me lembro de seu sorriso, o mesmo que gatos maliciosos possuem antes de aniquilar camundongos.
Minha mãe morreu. Embora ela não cuidasse tanto de mim – motivo pelo qual prefiro não contar meus anos iniciais – eu a amava tanto… Bem, a esta altura você pode imaginar quem me deu apoio, não é?
Me dediquei a Héloise de Lyon. Eu realmente me dediquei.
Tudo mudou de cabeça para baixo, quando em uma noite repleta de neblina, Héloise me levou para passear. Universal Pictures não teria feito um momento tão belo quanto esse. Enquanto caminhávamos pelas calmas calçadas de 1956, ela me perguntava o que eu achava sobre viver pra sempre. É evidente que mostrei interesse. Eu teria tempo de corrigir tudo, de me tornar perfeito. Era mais fácil do que ir todo domingo às missas e rezar para Deus.
O Rio Antigo foi tão belo. Com aqueles delineados postes de ferro, com fraca iluminação, pairando sobre os clássicos casarões dos quais muitos, hoje em dia, são casas de festas cujos donos são Familiares, buscando o rebanho ideal. Muitos bigodes, fraques. Os carros lentamente deslizavam pelas macias ruas, com seus ternos faróis redondos. Como esquecer?
Héloise de Lyon me levou na chique Confeitaria Colombo, cujo lugar era destinado pela “Noblesse Oblige” do estado. É um local cujo coração ainda é chacoalhado. Héloise, sorridente, caminhou comigo passando pela luxuosa instalação, repleta de molduras e moveis em madeira que fariam os defensores do meio ambiente de hoje em dia terem um infarto. Caros vestidos haviam estado naquela cadeira, muitas vezes até levantados por pobres empregados que mesmo sem um tostão, orgulhavam-se de citar seu emprego.
Nos sentamos, de frente para o outro, em uma mesa que penso eu ter sido feita do mais fino jacarandá. Entre nós, uma delicada rosa branca. A toalha branca caía sobre a madeira da mesma forma que minha dignidade cairia caso em cometesse uma gafe. Era uma espécie de primeiro encontro para eu e ela, minha face corava. O sangue ainda corria pelo corpo sem meu controle, diferente de hoje.
Ela ajeitou o cabelo, e levou suas mãos dentro de uma macia luva branca até meu rosto. Seus dedos caminharam pela minha face, terminando no queixo, cujo carinho ela deu com seu dedão. Então ela me contou sobre tudo, sem mesmo se preocupar. Falou sobre os Familares e fez, aquela rosa branca, levitar por uns instantes. Eu a achei louca, é claro. Mas nem tanto, depois que ela ter falado o quanto eu era especial. O quanto minha arte era bela. Segundo ela, deveria eu abraçar a eternidade.
Pablo, amigo de anos, era um lacaio dela. Héloise de Lyon havia dado a ele um pouco de seu sangue, fazendo dele algo semelhante de um bicho de estimação. Ele havia aproximado de mim a mando da francesa. Perguntei então porque não dar a eternidade a ele também, e ela apenas riu. Ela continuou a explicação e disse que o atual dono da tradicional casa, era também o “capanga”, mas de outro funcionário do Diabo. E eu achando que Copacabana era apenas o recanto de poetas.
Ainda me lembro do quanto duvidei. No dia seguinte, ela me levou para ver o nascer e o por do sol. Tivemos um almoço e jantar maravilhoso, ainda me lembro do croissant e o creme de brûlée. Eu estava feliz, mesmo. Mesmo achando ela louca, não queria abandoná-la. Quem liga se minha mente estava explodindo em vermelhas interrogações?
Depois do maravilhoso dia, fomos até meu quarto. Teorizei, no caminho do corredor, sobre o que iria acontecer. Em uma noite chuvosa – digna de clichê, diga-se de passagem – ao som de Moonlight Serenade, ela advertiu-me de que não deveria eu ver nunca o Nascer ou o Pôr do sol. Hoje sei o que isso causa nos Familiares. E, recontando suas palavras, ela contou-me que eu poderia banhar-me ao sol por todo o dia, desde que não estivesse por perto quando o Sol surgisse ou sumisse. E que não deveria contar, a nenhum mortal, sobre isso. Respondi com uma risada, e mudança de assunto. Cinco minutos depois, eu estava no chão tendo meu sangue sugado. Por instantes me perguntei se aquilo era perder a virgindade. O prazer era grande, causando em mim curiosas alterações na região pélvica.
Minutos depois – e não sei quantos ao certo, já que minha vista escurecia – Héloise de Lyon havia tomado todo meu sangue. Agora eu me perguntava se aquilo era a morte. Minha vida passava como um filme, eu sentia de certa forma, uma leveza. Meu corpo estava paralisado, eu me sentia vulnerável. Um desejo infantil pelo colo de minha mãe dominou o meu peito, subindo pela garganta e culminando em muitas frases não ditas por conta de minha fraqueza.
Eu pensava em coisas sem o mínimo sentido, respirar era difícil. Tudo estava turvo, e mal conseguia mover meus lábios que clamavam por água. Comecei a me ver como um herói de guerra, sangrando ao chão da batalha. Enquanto desfalecia, pensava em criar uma arte sobre isso quando acordasse. Acho que tudo isso era uma confusão da minha mente, querendo me afastar da morte, ou me levar mais rápido até ela.
Quando meus tornozelos escorrerem como se fosse mingau, o manjar dos deuses veio a minha boca. Ele era vermelho. Algo quente e terno pingou sobre meus lábios, e apesar de espesso, aquilo era mil vezes melhor que água. Me lembro do meu corpo estalando e seguindo, em secura, aquela meraviglia. Corri até a boca de Héloise, era dali que o mel vinha. Me deliciei, e eu me sentia melhorar. Deitamos à cama e eu ainda posso me lembrar daquele frenesi. Meu coração começou o beijo batendo, e ao fim, não mais o sentia. Então veio a parte ruim.
Meu corpo começou a tremer, mexer-se involuntariamente. Uma força sobrenatural, vinda de mim mesmo, lançou-me para fora da cama. Acertei a boca no rodapé, aquilo não deu tanto. Sentia meu estomago doer, como se eu tivesse gases. Um frio subia em minha espinha, e o maravilhoso almoço saía de minha boca em forma de pasta. Algo estava ferindo minha língua, bem onde os caninos ficam, que só depois descobri ter sido a minha “marca de Caim”.
Estava eu, em um destruído terno, envolto de minha própria decadência. Eu encarava o nada. Não mais tinha necessidade de piscar os olhos, e minha respiração havia desaparecido. Pensei ter-me tornado um espírito. Pensando bem, virar um espírito teria sido melhor.
Ouvi os passos de Héloise e tentei olhar para o alto. Seu cabelo, desarrumado, cobria seu rosto, cheio de sangue nos lábios e bochechas. Com voz autoritária evidente mesmo naquele sotaque francês, ela disse:
“Agora você é meu enfant. Você do meu intimo pegou meus dons. Cependant, apenas a eternidade que lhe concedi explicará. Agora serás jovem para sempre. Você não é mais um humanitas. Não revele a nenhum mortal a sua real nature”
Ouvi seus passos se afastando. Permaneci ali por um dia inteiro, no mesmo lugar. E quando levantei, meu quarto mudou. Algo pulsava em mim, querendo mais daquela substancia que me transformou. Unanimemente viciado. Após criar um furo disforme no armário com um chute e derrubar a porta com as minhas costas fui tomar água. Desceu em mim trazendo-me uma sensação equivalente ao afogamento. Embora não houvesse mais fome, tentei mesmo assim comer um duro pão que residia desde o dia anterior sobre a mesa. Afirmo-lhe, meu estimado: Foi uma das piores experiências de minha vida. Por felicidade sua, pude aprender a lidar com isso atualmente.
Aquela sede por não sei o que aumentava cada vez mais. Comecei a correr a casa em busca daquela maravilha de Héloise, pensei que ela havia deixado algo. Foi quando encontrei o espelho do banheiro, e me deparei com meu rosto. Flácido, pálido, morto. Olhos sem brilho, lábios cinzas. Havia vomito em meu rosto. Durante cerca de 10 minutos em que fiquei me observando perplexo, notei que não pisquei nem uma vez. E só Deus sabe o quanto é difícil acostumar-se com o piscar dos olhos, depois da mudança. A surpresa maior veio quando abri a boca.
Lá estavam, dois caninos. A francesa não havia mentido, eu era um vampiro. Eles existiam, mas como assim? Pelos três anos seguintes – até encontrar outro igual a mim – fiquei sem sair de casa à luz do sol. Eu tinha esquecido do que minha senhora havia dito, e me entreguei ao medo do claro. Mas, sem perder a ordem cronológica dos fatos, tinha eu que vencer aquela fome.
O gato da vizinha foi minha primeira “vitima”, e foi neste brilhante momento, que notei que minha panacéia era o sangue. Senti-me triste ao desenterrar os dentes da barriga daquele gato. Havia pelo em meus dentes, e eu senti nojo, mas meu estomago não estremecia mais. É como se ele houvesse sumido! Mas vejamos pelo lado bom: Curei minha ulcera.
Não conseguia me lembrar de nenhuma vitima. Até que Donzela ilustrou minha mente. Tentei me livrar disso, mas um sentimento que era nada mais nada menos que um misto de vingança e vontade residia em mim. Héloise não levou meus sentimentos, uau.
Duas horas depois, eu havia drenado toda sua vida. Seu corpo pálido, usando um vestido branco com borboletas desenhadas, estava jogado ao chão. Sua testa estava afundada, visto que no alto de minha brutalidade, golpeei sua cabeça no criado mudo a ponto de quebrar a madeira. Hoje isso é normal, mas na época? Na época eu estava morrendo de medo! Me senti incrível quando invadi o quarto dela pela janela, mas toda aquela adrenalina se transformou em medo quando ela me olhou daquela forma acusadora, segundos antes de ceifa-la.
Não havia ninguém em casa. Minha obsessão por ela havia me lembrado de seus horários. Mas como eu iria fugir com aquele cadáver? Ainda me lembro da ênfase em que Héloise deu, quanto a ocultar minha natureza. Assim, esperei por mais três horas seu marido chegar, entocado no banheiro como um cão raivoso. Medo, era tudo isso que eu sentia. Imaginava ele sacando uma arma e me dando um tiro, ou algo assim. A porta do banheiro abriu.
Lá estava o marido dela, com sua aparência de cansado. Agora ele era um homem de família, é claro, e casado com a mulher que eu amei durante toda a vida-viva. Eu odiava ele, e só percebo isso agora que, ao passar das décadas, larguei destes vícios humanos. Me lembro de brigar com ele, e todo o banheiro quebrou. Ele ficou caído, com o pescoço repousado no trincado vidro do box. Saí dali capengando, com minhas roupas sujas amarrotadas. Quando ouvi passos, vindo pelas minhas costas, mal pude virar: O banqueiro fincou em mim um pedaço de vidro quebrado bem na barriga. Acho que era o vidro do espelho. Dor? Mínima. Eu estava vivo, achei fantástico! Então terminei a questão com um tapa em seu rosto, o que o lançou no sofá. Acho que o pescoço dele quebrou.
Tomei todo o sangue dele depois, e aí sim quase morri. Isso me ensinou que sangue de mortos não é bom, ainda mais um morto de trinta minutos. Ora, foi mais forte do que eu, fiquei observando meu feito. E não, não o achei bonito.
Isso me ferrou de vez. Não queria ser um assassino! E pelo resto daquela metade de semana, me alimentei só dos animais da vizinhança. Quem liga se são cães vira-latas e leprosos? Eu não morro.
Pablo foi até mim, em minha casa. Explicou que Héloise havia voltado para França, e que eu não deveria busca-la. Pablo também contou que a policia achou o corpo do casal, e a francesa teve dificuldades em associar o crime a uma briga de casal. Eu ri quando ele disse que Donzela havia matado o marido e se matado em seguida. Eu estava em um grande teatro! O que testemunhas manipuladas não fazem? Pablo, pobre Pablo. Anos depois, descobri que ele se tornou peão de alguma coisa, e foi esquartejado.
Héloise? Fazem décadas, e nada dela. Sim, eu procurei ela. Não obtive nenhum resultado. Ela, da mesma forma que surgiu, sumiu. E embora eu, na realidade, seja um morto vivo, ainda tenho algumas daquelas vermelhas interrogações na cabeça.
Assim eu nasci. Não gosto de matar, por isso, tive de me tornar um ator. Os vizinhos começaram a desconfiar de mim. Minha barba? Não cresce mais. Ao contrário do que Anne Rice disse em seus belos livros, podemos sim mudar nosso cabelo. Podemos em termos, pois este é um dos dons que eu adquiri. E pra isso sim tive que matar. Mas tenho de concordar que o aprendizado foi divertido. Conhecer diversas linguas, sem pressa ou preocupação com “mercado de trabalho” é um tanto relaxante.
Como eu e você sabemos, nem mesmo me adentrei na política dos membros. Isso não está em pauta agora, afinal. Mas você sabe que estou nesta de “legalizar os Familiares”. Desde aquelas informações interceptadas, o que nos separa do mundo vivo pode estar frágil. Acho que eles querem nos tornar legais justamente querendo evitar uma guerra.
É, Donzela estava grávida. Obrigado por me interromper e me lembrar disto. Mas, não venha com essa sensibilidade fajuta. Nossa humanidade escorre dia após dia pela nossa garganta. A vida entra, ela sai. Mas considero-te mais humano que muitos bem feitores da sociedade mortal. Mas se me permite parecer bonzinho, eu curei o câncer da mãe da Donzela com minha vitae. Cadê meu prêmio nobel?
Fortunate Son? Eu realmente adoro essa música. Aumente ela um pouco, preciso relaxar, pois sei que sua história é muito mais carregada. Afinal, um monólogo de 607 anos é muito mais assustador. Mas, não são estas as cousas da vida?”
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