Episódio 74 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.1


Prólogo

Liberty City… A cidade onde os diabos podem caminhar à luz do Sol. Foi criada em 1798 assim que uma igreja foi construída e se estabeleceu, junto de alguns poucos fazendeiros que começavam o plantio. Era o último refúgio para alguns que viram nesse plano terreno, livre de montanhas a oportunidade de criar suas novas vidas. O tempo se passou e grandes prédios foram erguidos, o concreto abarrotou aqueles verdes campos de plantio. Da mesma forma que aqueles fazendeiros tementes à Deus viram neste solo a chance de crescer, o mesmo ao passar do tempo foi idealizado pela escória residente no mundo.

Em outubro de 2001, Claude havia acabado de chegar na cidade com a sua namorada, Catalina. Claude era um calado garoto de San Andreas que emergiu fazendo corridas proibidas pelas ruas de San Fierro, na Costa Oeste. Nunca foi um homem vivendo à risca da lei, mas tudo piorou quando conheceu a psicótica Catalina no ano de 1992. O casal passou nove anos correndo o país cometendo assaltos a banco. Quem ligava? Eram apenas os dois, se amavam. Para Claude, ela era apenas uma garota com problemas amorosos e colhões que poucos homens tinham. Por mais incrível que isso parecesse, as conexões de Catalina se estendiam desde a gangue Varrios Los Astecas até o organizado Cartel Colombiano, que aos poucos, ganhava espaço na Costa Leste.

Assim que o casal se estabeleceu em Liberty City, trataram de logo fazer o que mais sabiam: Assaltar um banco. Naquela tarde um Banshee conversível azul roubado freou na porta do maior e mais antigo banco da cidade. Tudo iria dar certo: O carro era rápido, dois figurões do Cartel Colombiano estavam em sua companhia e os namorados já haviam feito isso um milhão de vezes. Inclusive, certa vez no Novo México, os dois tinham roubado o carro forte alem de limpar o banco. Era lindo, a aposentaria dos dois poderia até mesmo estar garantida depois deste assalto.

Quando o carro estacionou queimando os pneus, um ficou no carro mantendo a maquina ligada e os outros três invadiram pelos fundos chutando a pequena portinhola de ferro. O colombiano hesitou em atirar no vigia, já que havia se rendido. Catalina não ligou e atirou em seu peito sem qualquer cerimônia, o corpo com o impacto voou sob a cadeira e seu sangue jorrou no jornal que ele lia momentos antes de ser morto. Claude não se assustava mais, estes anos todos o moldaram à forma dela. Não demorou muito para que o apavorado gerente abrisse o cofre e colocasse todo o dinheiro em uma maleta prateada. Nenhum cliente foi ferido. A operação durou exatos 13 minutos e o grupo fugiu pelo mesmo lugar que entrou, e só então o alarme tocou. Os policias levariam cerca de quatro minutos para chegar no local, e a esta hora eles já estariam comemorando com champanhe. Na frente saiu correndo o latinos, com o dinheiro. Catalina fez sua cobertura indo logo atrás.

Claude estava por ultimo e portava uma calibre 12, na saída explodiu o peito de um vigilante que tentou agarra-lo e quebrou uma camera de vigilância. Para Claude, era assim que funcionava: Se ninguém se metia, ninguém saía ferido. Mas se alguém fizesse algo, ele não se importaria mais. Logo o rapaz acelerou em direção ao carro, um tiro foi escutado. O som ecoou pelo sujo beco, repleto de jornais e caçambas. Por instantes, ele pensou que uma patrulha poderia estar passando no local e ter presenciado tudo e tentado algo. O que o mantinha tranqüilo era que Catalina nunca se deixaria ser pega assim, mas fugir da policia exigira um esforço maior na fuga. Ao virar a curva, já iluminado pela luz da rua, Claude interrompeu o passo.

O colombiano estava no chão, com sua camisa azul de motivos florais brancos empapada de sangue. Havia levado um tiro bem no coração, e não tardaria a morrer. Seu rosto estava enfurnado dentro de seu chapéu e sua arma havia sido pega por Catalina, que apontava as duas pistolas 9mm prateadas para o peito do namorado. Claude até pensou ser uma brincadeira. Embora aquilo soasse muito errado, era típico de sua mulher.

- Eu sou uma garota ambiciosa e você… – Ela apertou o gatilho de sua arma e o tiro acertou o lado direito do peito de Claude e o deixando surdo por instantes.

- É perda de tempo. – Completou ela, virando-se de costas e pegando a maleta com o dinheiro das frouxas mãos do colombiano já morto.

Ela caminhou calmamente ao carro. Claude estava no chão agora, olhando para o céu sem entender muita coisa. Ele estava com a arma do crime nas mãos, nem sequer conseguia levantar-se. Pensou ele o que teria feito para causar isso, a resposta não veio. Em seguida, sentiu uma imensa raiva e inspiração para a violência, mas seu corpo começara a fraquejar assim que o Banshee cantou os pneus e foi embora. Sentia vontade de rir agora, talvez fosse efeito da dor. Ele tentara se manter de pé, na esperança que ela voltasse e o ajudasse, era tudo incrível demais pra ele. Quando as sirenes da policia tocaram, ele viu que seria inútil continuar ali, se forçando e forçando a respiração – o beco cheirava a chorume e ao ferroso cheiro do sangue. Seus olhos, com a visão já turva, pesaram e se fecharam.

Toda essa situação nascia de algo que Claude tinha dificuldade em compreender. Ela queria crescer no mundo do crime, e ele estava em correr o país assaltando e roubando carros. Ela estava agora com o Cartel Colombiano e ele não condizia com tudo isso. O rapaz da Costa Oeste agora pouco se importava com os motivos dela, tudo isso perdia importância diante de seu desejo de vingança.

Para os policiais e a imprensa, foi ótimo. Havia um cúmplice traído pela namorada, deixado para morrer com a arma que havia ceifado a vida de um pai de família em mãos. Tinha um peixe grande do Cartel Colombiano morto. Ele já estava na capa do Liberty Tree do dia seguinte, suas fotos haviam sido publicadas neste jornal e agora sua história estava sendo divulgada nos maiores canais de televisão. Ele havia virado até mesmo motivo de piada dos programas humorísticos de sábado à noite.

Assim que melhorou, saiu do hospital e foi preso, tendo sido reconhecido por todas as testemunhas. Foi levado a julgamento e levou 10 anos de cárcere privado. Agora em custódia da policia, era hora de ser transferido da delegacia até a Penitenciaria de Liberty City. Teve de ouvir todas as zombarias dos policiais e até mesmo de uma velha datilografa. Na prisão então, seria considerado carne nova. Tudo isso era pensado por Claude, que era levado em um camburão ao lado de um negro com as mãos enfaixadas e um idoso asiático. Ele os observava e tentava imaginar o que haviam feito para ir à prisão. O preto parecia ser um pugilista que transformou em mingau o crânio de seu oponente. Seu porte semi-atlético dava certo sentido para esta teoria, assim como seu cabelo raspado mostrando uma careca semelhante ao do humorista Damon Wayans. O velho era calvo e de estatura pequena, parte do seu pouco cabelo era totalmente branco, parecia ser um samurai aposentado que poderia ter rasgado em dois alguns policiais com sua katana.

Chovia muito naquela noite, as pessoas corriam pelas ruas tentando se proteger em vão com seus jornais e bolsas. O comboio policial era formado do camburão da SWAT, acompanhado de uma viatura que ia logo à frente abrindo caminho. Um furgão seguia observando o movimento. Quando começavam a subir a Ponte Callahan que dá acesso de Staunton para Portland, um acelerado Patriot saía da região portuária e começava também a seguir as patrulhas. O furgão diminuiu a velocidade ficando logo atrás do 4×4 e se manteve em velocidade constante. Poucos carros civis passavam pela ponte, abrindo espaço para os policiais.

Quando os carros chegaram no meio da ponte, o Patriot acelerou passando pelas viaturas e lançou no vão das pistas uma maleta repleta de C4. Parou na frente da viatura da policia, que freou bruscamente. O Patriot deu ré, passando pela divisa das pistas e pegou a outra mão, voltando para Portland. O furgão estacionou e da porta de trás pularam dois membros do Cartel Colombiano apontando metralhadoras para os tiras. Claude via a ação de dentro do carro, levantando a cabeça para ver dentre o vidro da porta. Pensou que Catalina poderia ter se arrependido do que fez e estava vindo salva-lo. Ele estaria até disposto a perdoá-la, assim sendo. Claude havia até mesmo levantando um pouco o corpo, preparado para fugir, na esperança de ser resgatado naqueles 10 anos presos que havia recebido.

- Vamos! Saiam do carro suas cabeças de pau! Você vai se arrepender se não fizer isso. – Falavam com um carregado sotaque espanhol.

Os policiais se renderam, um deles saiu abrindo a porta do camburão e levantou os braços, seguindo piamente a ordem dos atiradores. Enquanto um fazia a cobertura, com a arma pronta para atirar, o outro resgatava o velho oriental, puxando-o pelo braço com força e levando até o furgão. O outro criminoso voltou-se para o furgão mirando sua arma para os policias. A operação foi rápida e em menos de 3 minutos o furgão já caía fora em direção à Portland. Os outros carros que passavam pela ponte aceleraram ao ver a ação enquanto outros pararam para assistir, alguns foram até mesmo abandonados pelos seus medrosos pedestres que se apressavam em fugir dali.

Era a chance de ouro. O preto fugiu dali e atingiu suas mãos enfaixadas em cheio no rosto do apavorado policial com força o suficiente para jogá-lo no chão atordoado, ignorando a dor que sentira. Quando o policial de dentro do carro ia ajudar o parceiro, Claude colocou os pés em sua frente e fez com que a boca do tira estourasse ao tocar o chão de ferro do veículo. Claude pegou a chave das algemas e correu até o lado de fora encontrando o outro preso.

- Vamos cara, me tira isso! – Disse o negro.

Claude abriu a algema dele, e sua própria, largando-as no chão mesmo e percebeu que a atenção do outro fugitivo estava direcionada ao centro da ponte. Ao acompanhar o olhar, notou um pacote jogado na ponte. O outro preso saiu correndo desesperado e Claude o acompanhou. Em coisa de 1 minuto depois, aquele pacote explodiu lançando os dois cárceres ao chão e os deixando cegos por uns instantes devido ao brilho. O barulho foi ensurdecedor, sendo seguido de estalos e sons de pesadas estruturas caindo na água. Quando eles se deram por si e se ergueram, pôde-se ver a Ponte Callahan partida ao meio com as ligas de ferro despencando. O camburão foi jogado às alturas e caiu próximo dos dois, em chamas com as portas arreganhadas. Os policiais desapareceram, tendo sido provavelmente despedaçados com a explosão. Em meio a fumaça era possível escutar o perdido som de uma buzina e um corpo com a cabeça enfiada em seu carro que não conseguiu fugir a tempo perdido nas chamas.

Agora o silêncio tomava conta, os dois presos se olhavam abismados e com certa pressa de fugir. Ambos olharam ao mesmo tempo para um Kuruma largado com a porta aberta. As sirenes podiam ser ouvidas ao longe, em minutos aquele lugar estaria cheio de tiras, repórteres e ambulâncias.

Claude estava finalmente livre. Foi nessa hora que ele teve a certeza absoluta de realizar sua vingança – Este era um sinal quase divino de que deveria fazer isso, embora nunca houvesse sido um homem que acreditasse muito em Deus ou nos santos. Havia sido traído pela mulher que o acompanhara por dez anos. Um golpe do destino fez seu próprio inimigo o salvar. Era hora de quebrar com aquela vadia.

Capitulo 1

Estavam os dois próximos à explosão, ainda vestindo seus macacões laranja da penitenciária. A fumaça já os fazia tossir.

- Ei cara, eu me chamo Bola Oito, você não parece ser do tipo que fala muito né? Bem, eu conheço um lugar no Distrito da Luz Vermelha que nós podemos ficar na encolha, mas minas mãos estão na merda, então é melhor você dirigir, mano.

Bola Oito abriu a porta e entrou no carona. Claude não tardou em abrir a porta do motorista e se acomodar. O radio ainda tocava a Rise FM, uma estação de Trance. Claude pisou no acelerador, descendo a ponte e passando acelerado por carros da policia e ambulâncias que chegavam. Logo ele virou o Kuruma azul para a estrada e acelerou. Seu coração batia forte, sua boca estava seca. O pilar de fumaça derivado da explosão já ficava para trás. Com algumas indicações do Bola Oito, rapidamente a dupla chegou em uma ladeira, que deixava em um pequeno beco que levava a uma pequena porta com uma garagem.

- É esse lugar aqui, o Eddie’s, vamos trocar de roupa logo antes que alguém nos perceba.

Bola Oito saiu correndo em direção à pequena porta do local, que já estava aberta. Claude saiu e olhou em volta, o lugar cheirava à graxa. Provavelmente era alguma mecânica dos conhecidos do Bola Oito. Era um beco gelado, haviam algumas lixeiras e ele poderia jurar ter ouvido ratos, embora isso pudesse ser ainda efeitos de sua audição abalada pela explosão.

Claude entrou no quartinho. Escutava um barulho no banheiro, provavelmente Bola Oito estava trocando de roupas. Havia um cesto de roupas sujas caído, e Claude foi até lá procurar algumas roupas. O lugar era realmente pobre. As paredes não tinham tintura, nem o chão piso. Havia um velho fogão preto, um microondas em cima de uma maquina de lavar de dez anos atrás, enferrujada. Um colchão de solteiro estava jogado no chão, próximo à uma televisão 14 polegadas em cima de uma caixa. Na parede, havia um pôster de uns coqueiros escrito Getaway. Haviam manchas para todo lado. Claude trocou de roupas, colocando uma calça jeans esverdeada, uma blusa preta e uma jaqueta de preta por cima. O sapato deixou os mesmos. Seu cabelo estava desarrumado, mas seu topete continuava de pé. Estas roupas escuras causaram certo contraste com sua pele pálida devido à ausência de sol desde o tempo que esteve na cadeia.

Bola Oito sai de dentro do banheiro, usando um colete azul com uma camisa de mangas longas brancas por dentro. Uma calça jeans azul batida e sapatos um pouco sujos. Era um negro de 1,85 mais ou menos, que não mostrava muito perigo à primeira vista. Suas mãos pareciam ter sido queimadas, por isso as faixas.

- Eu conheço um cara chapa quente chamado Luigi. – Falava enquanto ajeitava seus curativos.

- Vamos até lá, estamos voltando ao negócio, quem sabe eu não consigo um trabalho pra você? Anda!

Bola Oito foi saindo do quartinho, Claude o seguiu. Acelerou a passos largos até o kuruma estacionado, com o motor ligado ainda, quando entrou pode escutar o final da noticia da explosão na Ponte Callahan, Bola Oito soltou uma risada disso, se sentindo poderoso. Deu ré saindo do beco e correu subindo à ladeira. Logo entrou no coração do Distrito, uma rua repleta de clubes de strip e prostitutas.

O Distrito da Luz Vermelha é a teta de onde todos os cafetões mamam, tenham eles categoria ou não. Há prostitutas de todas as idades, sendo as menores de idade reservadas aos sujos apartamentos dos prédios locais. Taxistas fazem ponto neste lugar, levando e trazendo jovens excitados de todo o canto da cidade. Alguns táxis falsos operam na região, assaltando os passageiros.

- A Família Leone controla esse lugar, não se meta com os italianos! Estacione ali. – Advertiu o careca.

Claude passa os olhos pelo vidro já seco da chuva e viu o mais imponente lugar dali: Luigi’s Sex Club 7. Havia muita gente na porta, jovens efusivos com prostitutas dignas de ganhar o oscar, velhos pedófilos discutindo com seguranças e carros com homens mal encarados. Duas mulheres vestidas de coelho feitas de metal e lâmpadas destacavam-se na grande placa azul que havia escrito em vermelho Girls Girls Girls piscando freneticamente e no centro, Sex Club.

- Aqui é o clube do Luigi. Vamos dar a volta e ir até a porta de serviço.

O Kuruma foi estacionado ao lado de um Manana, os dois saltaram e Bola Oito tomou a frente entrando pelo caminho dos fundos, que levava até uns lances de escada e uma porta de ferro. Os fundos eram bem sujos, as lixeiras ficavam dentro de uma cerca de ferro. O som da boate podia ser escutado dali, um pouco abafado pelo intenso transito do lado de fora.

- Espere aqui enquanto eu vou lá falar com Luigi. – Disse Bola Oito, caminhando até a saída de incêndio e dando um chute de leve nela. Em seguida entrando.

Claude espera andando de um lado pro outro e olhando em volta, atento. Embora nesta uma hora e meia desde o acontecido não tenha notado ninguém o seguindo, ele ainda era um alvo. Para todos os efeitos ele estava morto para o Cartel, e se o descobrissem vivo, as coisas sairiam bem errado.

- Diga olá para o Bola Oito, moças! – Disse Bola Oito lá dentro, alto o suficiente para Claude ouvir do lado de fora.

Em seguida, um homem de terno saiu dali. Claude o olhou, imaginando que ele fosse Luigi, mas logo tirou isso de idéia. Era apenas um gorilão, mal cabendo dentro de seu terno. Encarava Claude e olhava em volta, como se estivesse verificando o local para alguém chegar. Era de estatura normal de um americano. Seu cabelo era cortado curto e sua face parecia já ter levado muitos socos.

Em seguida, a porta abriu e um homem de terno preto e alinhado, um Armani, saiu.

Seu rosto era largo e ossudo, seu cabelo preto era penteado pra trás e ele cheirava à alfazema. Era um típico italiano, e seu semblante era calmo, como se estivesse com a vida ganha. Luigi Goterelli era um cafetão bem vestido, e isso podia ser facilmente identificado. Havia sido acusado pelo jornal Liberty Tree de estar envolvido em prostituição, mas negou tudo. Era um dos associados da Família Leone, donos do território.

- Bola Oito está resolvendo alguns assuntos lá em cima. Talvez você possa me fazer um favor. – Neste momento desceu um pouco as escadas, ajeitando a gravata, enquanto seu segurança, Mickey Hamfists, o observava de cima embaixo pronto a voar nele caso um movimento em brusco fosse feito.

- Uma das minhas garotas precisa de uma carona, então pegue um carro e pegue Misty na clinica. Você a identificará facilmente. Traga a de volta pra cá. – Disse isso dando uns passos de volta para dentro do clube, ao observar Claude concordando com a cabeça.

- E lembre-se! – Virou olhando Claude nos olhos – Ninguém mexe com minhas garotas! Então mantenha suas mãos no volante, se você não bagunçar, talvez tenha mais trabalho para você. Agora cai fora daqui! – Disse Goterelli, entrando no clube sendo seguido por Mickey que dá uma ultima olhada no local.

Claude virou-se na mesma hora, caminhando até o Kuruma estacionado. Entrou nele, desligou o radio. Quando deu partida no carro e foi passando pelas brilhantes ruas, começou a pensar sobre tudo isso e viu como uma grande oportunidade de ganhar apoio, apenas trabalhando para esses carcamanos.

Claude teve seu pensamento interrompido e virou a rua rapidamente ao ver um carro da LCPD se aproximando quase atropelando um pedestre. Com ajuda das placas, o rapaz seguia em velocidade até o Sweeney General Hospital, dirigir devagar não era sua virtude e em cinco minutos se aproximava de Portland View.

Já podia ver o Hospital, era imenso. Havia estado lá quando foi baleado, mas nunca o vira na perspectiva de pedestre. Era amplo, dominava toda a rua. Ambulâncias entravam e saíam, mesmo a esta hora da noite. Claude estacionou o carro e saiu, estava frio e ele aquecia as mãos. Olhou em volta e viu uma garota de poucas roupas encostada na parede entre as duas portas automáticas do hospital. Abraçava a si mesma devido ao frio, e olhava em volta como se esperasse alguém. Ele caminhou até ela e Misty se abriu.

- Oi, eu sou Misty!

Claude afirmou com a cabeça e Misty o olhou de cima embaixo, pensando consigo mesmo porque ele não falava, até pensou por instantes que ele seria mudo. Ela começou a segui-lo. Ela devia ter apenas 1,68, sua pele estava pálida por conta do frio. Ainda usava sua meia calça, com um short jeans por cima. Suas botas estavam molhadas, e o rapaz percebendo tudo isso, antes mesmo de entrar no carro, tirou sua jaqueta e colocou na garota. Abriu a porta para ela, e Misty entrou sorrindo para ele. Claude pegou a direção. Embora isso parecesse para ela uma gentileza, ele apenas queria realizar um bom serviço para que conseguisse bons aliados. Não queria decepcionar Bola Oito também, ele poderia ser útil outra hora.

Claude acelerou enquanto a prostituta procurava uma estação de rádio, lançando-se do banco de trás deixando seu decote a vista para Claude. Ele olhava seus seios um pouco o suficiente só para que ela não se sentisse desprezada, e ela gostava disso. Após rodar todas as rádios, ela escolheu pela Head Radio e se acomodou no banco de trás. Ela estava triste e sorrindo, mas sorrir para todos já havia se tornado um costume graças à sua profissão.

Misty estava no hospital por ter exagerado no uso de cocaína, estava se tornando dependente. Era uma das namoradas de Joey Leone, filha de Don Salvatore Leone, que dominava o local onde ela trabalhava. Isso a ajudou em muito em sua “carreira”, e era uma das garotas preferidas de Luigi que não a tocava em respeito a filho do chefão. Ela era o intermediário da amizade entre os dois, sendo esta a garantia de uma relação de sucesso entre Joey e Goterelli.

Claude rapidamente a levou de volta ao clube. Eram quinze para as quatro e a cidade já estava bem parada, uma chuva fina caía. O Distrito da Luz Vermelha ainda funcionava há esta hora, e Hemfists esperava os dois na porta do beco. Claude estacionou o kuruma e levou Misty até ele. Ela se despediu o abraçando e dando um beijinho na bochecha, em seguida tirou a jaqueta e devolveu à Claude. Embora isso parecesse um agradecimento, era apenas uma forma de tentar laçar o garoto da Costa Oeste para um programa, algum dia.

Mickey abriu caminho para Misty e levou a mão dentro do terno. Claude vestia sua jaqueta e estava atento. Hemfists tirou um envelope e sem falar uma palavra, levou a mão até o homem. Claude pegou, abriu de leve e viu algumas notas.

- Volte amanhã pela tarde, Goterelli guardou algo para você.

O gorila deu as costas e Claude voltou ao kuruma roubado. Adiantou-se até o Eddie’s. Chegou lá, guardou o carro na garagem e foi até o pequeno quartinho. Entrou, abriu o envelope e contou o dinheiro. 1500 em dinheiro vivo, foi impossível não sorrir.

Foi tomar um banho, deitar e refletir. Amanhã seria um grande dia, no fim das contas. Pensou que precisaria de armas a esta altura. Deitou e sorriu, cobrindo-se com o florido cobertor. Dormiu com a roupa do corpo mesmo, aquela que usava parecia mais limpa do que as espalhadas no chão. As coisas começavam a dar certo.

A hora da vingança já não era mais um sonho.

No dia seguinte, Claude procurou ser o mais apresentável possível. Comprou creme de barbear e uma lamina, lavou as roupas, fez a barba. O sol aparecia tímido dentre as nuvens escuras da frente fria que ia embora. Os jornais já contavam sobre o acontecido, a televisão citava isso à todo momento. Entretanto, nenhum dos prisioneiros foi citado. Seria este o poder do Cartel, ou a mídia não estava se importando ainda?

Pegou parte do dinheiro e foi almoçar no Cafe Metropolitan, uma chique cadeia de lanchonetes que é espalhada por toda a cidade. Ficava próximo ao clube do Luigi, poderia até mesmo vê-lo pela janela. Homens de terno entravam e saíam do local, sem dúvida eram associados da família Leone.

Comeu panquecas e tomou uma grande caneca de café para ficar aceso. Procurou não comer muito, não era boa idéia fazer algo de barriga cheia, o ideal era apenas ficar satisfeito. A rádio Double Clef FM tocava no recinto, algumas prostitutas de olheiras entravam no local, provavelmente não ganhavam tão mal assim.

A cada garfada na comida, Claude pensava em como executar todo o plano. Se de fato conseguisse se juntar aos Leone, então teria maior força contra Catalina, que a esta altura era totalmente ligada ao Cartel.

Por volta das 14 horas, ele saiu do local e caminhou até o clube. Seguiu pela entrada dos fundos e bateu na porta verde da saída de incêndio. Passou por um taco de madeira escorado na parede, imaginou para o que serviria. Em seguida, Hamfists saiu com uma folha de papel em mãos.

- Luigi disse para te dar isso então… aqui, aqui está, pegue isso.

Claude pegou o papel e começou a ler e Mickey entrou no clube novamente.

“Há algo novo nas ruas chamado SPANK. Algum espertinho está apresentando esse lixo para minhas garotas em Portland Harbor, no estacionamento. Vá e apresente à cara dele o taco. Então pegue o seu Stallion e leve ao Pay n’ Spray. Eu quero uma retaliação por este insulto!”

Ele amassou o papel e jogou na lixeira, pegou o taco e caminhou até seu Kuruma estacionado em alguma das quadras dali. Começou a pensar que logo a policia procuraria o carro, então era a oportunidade perfeita de se livrar dele.

Pegou o mesmo trajeto que havia feito antes em direção ao hospital, mas dessa vez seguiu direto. Rumou até o porto de Portland. Não foi precisa muita perícia para identificar o rapaz. Havia duas prostitutas ainda usando provavelmente as mesmas roupas da noite anterior discutindo com um rapazinho. Ao seu lado, um Stallion azul irregularmente estacionado, com o motor ligado e teto de lona. Provavelmente o garoto tinha mais trabalho para fazer.

Era branco, de 1,78 provavelmente. Um moleque de boné azul e um cordão de ouro. Tinha alguns músculos, mas não parecia estar armado. A esta altura o SPANK estava deixando muita gente rica. Ele escolheu as putas erradas para vender seu bagulho, se fosse esperto, não estaria vendendo para as de Goterelli. Sua morte já estava decretada.

Claude respirou fundo no quarto, dando um sorriso ao ver a postura forçada do garoto. A radio estava sintonizada na Double Clef FM, música clássica sempre lhe lembrou sua mãe. Mozart tocava calmamente no radio, Overture From Marriage of Figaro.

Dirigiu o carro até o estacionamento. Estacionou, pegou o taco no banco de trás. O rapaz olhou por cima do carro e viu o jovem falando com uma morena e uma loura.

Caminhou com o taco em mãos, tendo em foco o rapaz. Ao se aproximar, o garoto o olhou de lado. Nenhum falou nada.

- Mas que diabos!

O espertinho caminhou até Claude com os peitos inflados. Claude levantou o taco e o golpeou no ombro. O garoto se afastou. Ele o atingiu com o taco novamente na barriga e ele capotou para trás, batendo no carro. O taco o atingiu novamente no ombro, novamente na barriga. O menininho começou a chorar.

Começou a trabalhar nele. O atingiu nas mãos, na junta das pernas. As prostitutas foram se afastando e olhando aterrorizadas. Sabiam que Goterelli havia mandado lembranças. Por instantes pensaram em parar Claude para conseguir algum SPANK em nome da gratidão, mas desistiram quando viram o taco coberto de sangue.

As tacadas se seguiam, o jovem já havia parado de se mover. Apenas cuspia sangue. Ele estava quebrado, seu cordão havia arrebentado e estava jogado no chão, havia hematomas por todo o seu corpo e as unhas da mão estavam quebradas. Claude finalizou dando um golpe com toda força no topo do boné do traficante. O som oco do crânio se partindo foi o ultimo som que saiu daquele jovem. O corpo já sem vida virou para o lado e sangue começou a escorrer pela sua cabeça. O boné continuou ali mesmo, em sua cabeça, enterrado.

Ele entrou no Stallion, deixou o taco no chão do banco de trás e seguiu até o Pay n’ Spray onde ganharia uma nova pintura e novas placas. Tudo era feito por um mecânico associado às gangues da cidade, recebia bem por isso e fazia sua parte direito. Saiu dali rápido, pessoas começavam a se aglomerar. O carro que era azul com algumas manchas de sangue foi lavado e se tornou branco, sua placa mudou, e uma de Carcer City foi posta no lugar. Claude deixou o carro próximo ao Hospital em uma das garagens de Luigi. Havia um pouco de SPANK dentro do porta-malas, mas isso apenas Claude teorizava, nem sequer quis abrir. Luigi havia pedido apenas para guardar o veiculo.

Mais tarde recebeu das próprias mãos de Goterelli 4,000 dólares. Naquela noite mesmo, Claude conseguiu uma pistola no Ammunation, uma loja de armas próxima ao metrô.

Foi uma boa noite, alguém estava crescendo nas ruas.

Quando encontraram o corpo no estacionamento do porto, até mesmo os legistas ficaram horrorizados. Havia massa cefálica misturada ao tecido de seu boné. Sua cabeça estourou como um ovo. O taco ensangüentado mais tarde foi deixado na porta da família do garoto em Harwood como um aviso para que os pais do traficante prevenissem que os outros três irmãos do morto se metessem nisso, fosse para vingar ou vender drogas para as pessoas erradas. Para quê a polícia iria se preocupar? Era só mais um traficante morto, menos trabalho, não faria falta à ninguém importante.

Mais tarde Claude pegou o Kuruma e levou ao Pay n’ Spray, gastou algum dinheiro, mas seu carro estava limpo agora. A policia nunca acharia novamente.

Claude nunca soube disso, mas todo o crime organizado da cidade soube que alguém havia chegado à cidade. Isso ou seria muito bom, ou muito ruim. Era hora de trabalhar.


***

CONTINUA NA PARTE 2

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9 (FINAL)

Salve, pessoal!

Estou colocando aqui a história do jogo da Rockstar Games, GTA3. Jogo este que revolucionou todos os conceitos de ação, criando inúmeros clones. O objetivo deste post é contar tudo o que aconteceu neste game (cujo enredo é de filme) em forma de livro. É uma adaptação que eu espero que se divirtam!

Se fizer sucesso, crio as próximas partes! Dedico esse ao Bushinman que tá sempre dando força haha. Agradecimentos ao Wikia também, que me lembra dos detalhes.
Curiosidade: (Cor)Leone? Hmmm…

Até mais!

Pedro Casanova

Pedro Casanova Pedro Casanova (ou Cogu) é o fundador do Cogumelando e assassino de aluguel nas horas vagas. Amante de muitas coisas, dentre elas cinema, séries, literatura, games, quadrinhos, música, motocicletas e carros antigos. Nem nerd nem descolado, é especialista em levar diversão a sério e o sério na diversão.

 

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6 comentários até agora »

  1. 1

    TE INTERESSA? said,

    novembro 7, 2010 @ 16:02

    FAZ UMA DO GTA SA!
    EM 1992,O PROTAGONISTA DE GRAND THEFT AUTO SAN ANDREAS PARTIU DE LIBERTY CITY AO SER AVISADO POR SEU IRMÃO SWEET QUE TEVE QUE VOLTAR PARA LOS SANTOS DEPOIS DE 5 ANOS EM LIBERTY CITY!
    CHEGANDO LÁ 3 MELÍCIAS PEGARAM ELE E JOGARAM NO BECO…E O RESTO É HISTÓRIA!

  2. 2

    Pedro Casanova said,

    novembro 17, 2010 @ 18:26

    Isso mesmo, tá por dentro. Mas me foquei em contar a história do GTA III, não o San Andreas e etc. Essa estou abordando mais no meu novo trabalho: GTA Zero. Abraços!

  3. 3

    Gustavo Santos Ferreira said,

    agosto 9, 2011 @ 22:10

    ei cara, muito legal o que você faz com os jogos, gostei mais de ler a história do que jogar o jogo kkk… e olha que eu já zerei em 100% Mas eu acho que você poderia reparar certos errinhos de ortografia.

  4. 4

    Pedro Casanova said,

    agosto 12, 2011 @ 1:05

    Vou conferir, as vezes algo escapou.

  5. 5

    Aristóbulo Gouveia said,

    fevereiro 20, 2012 @ 8:44

    Cara, tenho que dar os parabéns. Muito bom, muito bom mesmo. A sugestão do cara ali de fazer um do SA é uma boa. Só que ficaria muito longo, muito longo mesmo.

  6. 6

    Kyshme said,

    abril 6, 2012 @ 4:50

    Muito legal o que você fez. Ótimo post. Eu adoraria ver um sobre o VCS.

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