Episódio 77 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.3

Capitulo 5
Faziam três meses antes de Claude chegar em Liberty City que um maníaco de Shoreside contratou algumas das putas mais caras de Luigi – Misty e Paula, uma caribenha de boca grande.
Era um desses velhos com sites de BDSM como página principal. Sem dúvidas, achou as mulheres erradas para brincar. Se fosse inteligente, teria ido curtir o calor de Vice City e as cubanas, tudo era muito fácil por aquelas bandas e ele poderia realizar todos os seus sonhos pervertidos.
Um carro deixou as duas em frente ao seu condomínio em Cedar Grove, um dos mais caros bairros da cidade. O dinheiro era bom, e para que não houvesse briga entre as garotas, Goterelli as selecionou pessoalmente seguindo os padrões dados por Manchester, pelo menos era assim que o coronel aposentado se apresentava.
Um sentinel vermelho claro deixou as garotas na porta da villa. As grades
eram pretas e ele as recebeu no portão do condomínio. Parecia ser um bom homem, usava roupas joviais para a idade dele. O chapéu de coco em sua cabeça dava um ar antigo perante suas vestimentas, talvez fosse a idade.
O problema começou quando ele começou a sodomizar as duas. Era normal usar chicotes ou algemas, mas quando Paula começou a sangrar pelos pulsos, Misty entrou em desespero. Saiu fugida dali. Foi questão de tempo para Goterelli descobrir tudo. Até Joey estava envolvido agora e agora os melhores membros da família estariam ao dispor.
A policia encontrou o corpo da garota próximo a represa Cochrane, e no mês seguinte Goterelli incumbiu-se de organizar todo o esquema. Seria ruim ele deixar isso passar, simplesmente não podia, não importando se Manchester era um coronel ou não. Foi fácil descobrir que seu nome era, de fato, Paul DeCarlo e nunca fora coronel – nem mesmo fazia parte de alguma força militar. Mas era filho de um, e havia dado sorte na carreira artística sugando da herança de seu pai. Tinha um filho em Staunton, vivia dividindo o apartamento com um colega de turma em Liberty Campus, cursava administração. Sua ex-esposa, que havia se separado dele por maus tratos, morava em Aspatria, de forma que seu filho sempre a via pela semana.
Estava tudo combinado. Em uma sexta-feira chuvosa, pela manhã, Goterelli se reuniu com Hamfists e dois Leone: Remo Piscano e Frankie “O Búfalo” Stabile. Eram espertos, queriam prestigio. Mickey era o braço direito de Luigi e seria essencial nessa missão. O que se seguiu nos próximos dias é apenas de conhecimento do submundo, e ninguém mais.
Os italianos têm a mania de devolver tudo na mesma moeda, mas com os Leone a questão era outra. Se você desrespeitava, seria ferido. Se você ferisse, seria morto. Se matasse, sua família dividiria de sua pena. Funcionava assim há anos, por que mudaria agora? O importante era não envolver os inocentes. Para eles, isso era coisa dos pretos e latinos.
Seu filho foi seqüestrado quando saía da faculdade. Piscano amigavelmente o levou até o mafia sentinel, onde Stabile o aguardava no banco de trás. Hamfists estava no volante. O carro seguiu até o local onde Paula havia sido encontrada e era hora de fazer a vendetta acontecer. Embora Stabile e Hamfists tenham fechado os olhos para isso, Piscano fez o serviço no menino da mesma forma que havia feito com os fracos e homossexuais da cadeia. Era uma mania que os próprios parceiros não queriam perceber. Depois, o jovem de cabelos castanhos e corte asa delta havia sido estrangulado com o garrote de seda e levado até um armazém no porto para ser como diziam, empacotado.
Pelas próximas semanas, pedaços do jovem foram enviados à seu pai. Pés, dedos, orelhas… O corpo do garoto havia sido entregue como uma pizza. Paul teve uma sincope quando recebeu a primeira encomenda, os mamilos do filho embrulhados em papel para presente.
Por mais incrível que possa parecer, foi de Mick essa idéia de picar o menino. Junto, mandava bilhetes desencorajando-o a denunciar para a policia.
Passou-se coisa de um mês, até a poeira assentar. Era preciso deixar DeCarlo sentir a dor da perda do filho, se sentir culpado. Não tinha a quem se apoiar, ninguém sabia. E se soubessem, seu segredinho poderia vir à tona. Agüentava sua ex-esposa ligando para perguntar onde diabo estava o jovem. Seu colega de quarto não entendeu nada. Foram até a policia, e Paul quase confessou tudo quando foi prestar esclarecimentos. Desistiu de ultima hora, pensava estar a salvo. Pensava que sua penitencia havia chegado ao fim e não queria piorar as coisas.
Estava acima de qualquer suspeita, mesmo que sua ex-esposa tivesse motivos para desconfiar dele. Os restos do garoto, que recebera em papel de pão, enterrou em seu jardim onde apenas ele mexia. Entregou-se ao uísque, estava desgostoso, mas relaxado por fim, despreocupado quanto a sua vida.
Em um sábado de manhã, quando foi ao mercado comprar algumas frutas e peixes frescos, foi surpreendido por Hamfists e Búfalo na fila do caixa.
- Essa fila ta demorada, não é? – Comentou Hamfists, segurando um carrinho de compras atrás dele.
- É… Mas aqui é assim mesmo. – Finalizou, desinteressado, o homem.
- Veja aquela funcionária do caixa, não é bonita, Stabile? – Comentou Hamfists para o parceiro.
- Sim, é linda… Adoraria cortar seus pulsos e vê-la sangrar. – Falou Stabile, sério, e olhou para DeCarlo.
O coronel os olhou e começou a afastar derrubando acidentalmente o carrinho de compras da mulher que estava na frente, mas Mick tirou sua 9mm preta e acertou em cheio na parte de trás da cabeça de DeMarco, que explodiu como uma melancia. O corpo sem vida, jorrando sangue, caiu no chão. Vários clientes se abaixaram e correram para os corredores numa tentativa de evitar o pior para eles. As frutas do carrinho que caiu rolavam pelo chão junto das latas, enquanto ele estava estirado no chão enchendo o piso de sangue, um vermelho vivo deslizando pelo chão branco.
Foi com um tiro assim que Mickey havia matado Joseph Daniel O’Toole, o ex-associado dos Sindacco. Não fazia tanto tempo que trabalhava para Luigi, mas era reconhecido entre os Leone. Havia até sido apresentado ao Don Salvatore.
Correu dali com Frankie e entrou em um sentinel que os esperava na porta do chique mercado. Remo estava no volante e tratou de acelerar o carro para longe dali. A arma do crime foi jogada no mar horas depois. Dias depois, os contatos na mídia lançaram a noticia de que “aposentado artista que assassinou prostituta foi assassinado em um supermercado”. Todo o seu segredinho foi mostrado e quando encontraram os restos de seu filho, Paul DeCarlo foi acusado de ter matado e esquartejado o filho.
Capitulo 6
A vida estava boa. Em uma quinta à noite Claude foi chamado para jantar com alguns Leone no clube do Luigi, havia até mesmo fechado o estabelecimento. Embora ele não confiasse em nenhum daqueles rapazes, era interessante tudo isso. A tigela de marracone passava de mãos em mãos pelos mafiosos, que iam colocando a massa em seus pratos e brindando com vinho italiano. Depois, cada um deles, sorveu de uma mulher. Era a forma que Luigi mantinha na linha aqueles que o ajudavam e uma forma de distribuir sentenças por meio daquelas conversas ao pé do ouvido.
Joey Leone soube que Marty Chonks queria fazer algumas coisas e mandou uma mensagem para Claude, havia arrumado tudo. O esquema aconteceria todo em Trenton, próximo à garagem do Joey. O serviço seria dado pelo telefone público, de forma que o sigilo seria mantido.
Chonks era um homem de meia idade que veio de Carcer City para tentar a vida na cidade ainda quando era adolescente. Tinha um bigode cultivado há anos e sua pele era pálida, tinha olheiras e manchas pelo corpo, também era alguém recluso.
Terminou a faculdade e abriu um canil, que não fez sucesso. Viu a cor do dinheiro quando inaugurou uma fabrica de comida de cachorro – era dinheiro certo. Mas agora estava com problemas, precisava de algum trocado para pagar as dividas. Era hora de apelar para o que suas mãos podiam alcançar. Procurou os Leone para pedir um favor, e arrumara mais uma divida.
Chovia nesse dia, e o calado foi ganhar seu trocado. Esperou do lado do
telefone dentro de um Esperanto que havia roubado no dia anterior. Ficava na mesma parede que a fabrica Bitchin’ Dog Food, faziam ração para cães ali e era um lugar bem sujo, o cheiro de sangue pairava ali no ar. Não tinha nenhum funcionário à vista, provavelmente a fabrica não estava funcionando. Às onze da manhã, o telefone começou a tocar.
- Meu nome é Chonks, Marty Chonks. Eu sou o dono dessa fábrica e comando tudo por aqui. Estou com alguns problemas financeiros, mas quem não os tem, não é mesmo? Me faça alguns favores e não vai se arrepender, garoto. – Era a voz uma voz rouca pelo fumo.
Os próximos trabalhos enojam até mesmo Claude. Naquela mesma manhã, pegou um Perennial cinza nos fundos daquele lugar sujo e foi até o banco de Portland. Era o gerente de Chonks, homem simpático até, mas parecia estar pressionando-o demais. O trabalho era deixá-lo na fabrica e depois se livrar do carro. Quando o rapaz ia para o ferro velho se livrar do veiculo, jura ter ouvido o gerente gritando “Tire as mãos de mim!”.
Na semana seguinte, seu empregador disse que havia contratado dois ladrões, um negro e um latino, para arrombar seu apartamento e roubar algumas coisas, assim o seguro pagaria tudo para Marty. Só que os dois parias queriam mais. Se não ganhasse o dinheiro, iria dedurar o empresário. Foi um trabalho fácil, bastando pega-los no Distrito Luz Vermelha e leva-los até a fabrica. Dessa vez usaria o carro pessoal do velho.
Marty Chonks era um psicopata. O barulho dos moedores de carne e dos gritos fez o estomago de Claude embrulhar, mas trabalho era trabalho.
O próximo alvo: Sua esposa. Buscou ela no Classic Nails, um famoso e caro salão. Era uma mulher loura de olhos azuis, uma coroa enxuta, devido aos tratos que o dinheiro concede. Entrou no carro apressando o encontro, tinha o cabelo para terminar. Usava roupas esportivas e no caminho todo não falou uma palavra – considerava Claude um subalterno.
Horas depois, já de noite, o carro da empresa estava sendo jogado no mar em
um píer em Atlantic Quays e a esposa seria distribuída para todos os cães de Liberty City. O calado amaldiçoava Joey a todo o momento por ele ter indicado um serial killer para ele.
Duas semanas depois, Marty Chonks entrou em contato. Mesmo com o fundo que sua mulher havia deixado para ele, tinha outro problema: Descobriu que sua mulher tinha um amante, e esse homem era justamente o mesmo que ele devia dinheiro. Era um agiota de meio período do subúrbio. Claude foi buscá-lo, mas tinha um pressentimento ruim, como se algo fosse dar errado. Era um rapaz de constituição forte, usando um casaco vermelho de
time.
Assim que Carl, o amante, chegou à fábrica, sacou seu trabuco e acertou o peito de Marty Chonks que o esperava no pátio, pronto a levá-lo até “seu escritório”. Os negócios agora eram do agiota, Chonks estava morto. Para Claude isso foi até um alivio. Foi embora dali largando o corpo, o amante e o stallion.
Capitulo 7
O crime é feito de conflitos e não seria diferente em Liberty City. Chinatown sempre foi da Tríade, mas agora eles queriam mais. Os Leone sempre
possuíram o comercio nas proximidades de Chinatown. Os imigrantes davam o dinheiro da proteção para os italianos, e tudo ficava bem. Mas até demorou muito para o clima ficar tenso – Um dia, um membro foi buscar o dinheiro na Mr. Wong Laundrette e foi espancado por dois chineses e deixado próximo à estação de metrô.
O caso foi apurado e dois italianos pegaram de pancadas um dos orientais culpados e o pendurou em um poste próximo à lavanderia. Desde então, as duas organizações começaram a trocar farpas. Foi progressivo: O que começou em troca de socos, terminou em atentados a carros da máfia. Era hora de dar um jeito nisso.
Em um domingo, tarde da noite, quando o restaurante da mãe de Toni Cipriani já havia fechado, eles cuidaram de tudo. Isso deveria parar e uma trégua seria estabelecida, estava sendo ruim para ambos os negócios. Fazia tempo que os dois grupos não brigavam, e estava tudo bem continuar assim. Vendetta por vendetta não estava certo.
Toni Cipriani era o capo da família. Um homem alto, forte e de cabelos grisalhos e voz grave. A idade já estava chegando, devagar, mas isso não tirara a sua força. Era respeitado até mesmo pela policia que sabia de suas atividades mas falhavam em conectá-lo ao crime organizado por falta de provas. Embora fosse um homem de poder, sua mãe, Ma Cipriani, tratava-o como uma criança desobediente. Sempre dizia que ele nunca seria como o pai, Toni odiava isso. Provavelmente seria o Don, substituindo algum dia Salvatore Leone visto que Joey não era diretamente envolvido nos negócios.
Havia muitas histórias sobre o Capo. Esforçara-se muito para crescer, tendo até mesmo matado Vincenzo Cilli, o antigo Capo que o impedia de crescer. Era o responsável por dar sumiço no poderoso Avery Carrington, bem sucedido empresário do ramo de terrenos. Seus tentáculos iam até mesmo à Itália, onde tinha estreito contato com a máfia siciliana. Mas seu maior feito foi ter matado ninguém menos que o prefeito.
Em 1998, Roger C. Hole tentou prender Cipriani e o Don. O político estava no bolso dos Forelli e fazia o que eles queriam. Quando os dois conseguiram escapar, o homem foi marcado. Hole teve o corpo massacrado por Toni quando fazia seu cooper matinal no Belleville Park. Havia sangue até nas árvores e nas flores. Ficou provado que ninguém poderia mexer com os Leone e sair impune, nem mesmo os políticos, que até então, eram considerados intocáveis. Embora Hole apenas estivesse sendo controlado, não os importava, um político conectado é um triunfo nas mãos de alguém. A Família comandava a política, era apenas uma arma burocrática.
Cipriani tinha um imenso carinho por Joey, e o convidou para essa reunião. Stabile estava lá também, junto de outros rapazes. Foi descoberto que os chineses estavam fortes assim por ter firmado parceria com o Cartel Colombiano, e agora havia até mesmo tráfico de SPANK em Chinatown. Como um pedido pessoal de Toni, ficou determinado que Joey desse fim em dois problemas em Chinatown a fim de atar os movimentos dos orientais. O filho do Don era destacado da família e usaria algum de seus garotos, a Tríade não poderia fazer muita coisa então. Até citou o desempenho de Claude na reunião, e seria ele quem faria o trabalho.
Joey dias depois passou para Claude dois serviços. Um era matar “Chunky” Lee Chong, traficante que estava enriquecendo vendendo SPANK e consequentemente, fortalecendo os seus aliados de olhos puxados. O outro era roubar um carro forte que saía do centro de Chinatown para que a policia pudesse atrapalhar seus negócios.
Não foi difícil: Claude invadiu Chinatown com uma uzi e atirou em Chunky,
que ainda conseguiu chegar a seu carro e mesmo sangrando tentou fugir, mas acabou batendo em um poste e estourando a cabeça no painel do automóvel. Já o carro-forte exigiu um esforço maior. Uma carreta foi roubada no porto e Claude a jogou no veiculo do banco, visto que a blindagem era muito forte para se usar armas de fogo. Quando os seguranças do carro fugiram em pânico, todo o dinheiro foi levado para o porto onde os rapazes de Joey assumiriam. O dinheiro foi dividido entre os garotos de Leone, inclusive parte foi para Claude.
Passaram-se algumas semanas, o clima ficou ameno. Era chegado o dia de ir buscar o dinheiro da proteção, e dessa vez acreditavam que os chineses recuariam. Para que esta certeza se tornasse maior, Toni Cipriani pessoalmente iria buscar o ganho. Pediu a Joey seu melhor motorista, Claude foi indicado. Sua proeza em roubar o carro-forte usando uma carreta foi comentada durante dias entre a Família. Entretanto, o mecânico deixou claro: Não ia se meter nestes assuntos contra a tríade. Iria cuidar de seus negócios, o que fazia era apenas fazer um favor.
Quando Claude chegou na garagem do Joey o viu conversando com Toni Cipriani. Até então não o conhecia. Cipriani dava à Joey alguns conselhos sobre mulheres, mas o papo foi interrompido.
- Ah! Aí está o cara que eu te disse. Tudo bem, escute. – Falava enquanto Claude se aproximava dos dois – Esse cara não é italiano, nem mecânico, mas ele conserta as coisas. Claude, esse é o Capo do Papai, Toni Cipriani.
Toni deu uns passos curtos e encarou Claude, de cima embaixo. O homem
transbordava poder com sua presença.
- Isso, eu sou Toni Cipriani. – Falou seriamente.
- Leve-o até o restaurante de sua mãe em St. Marks, certo?
Claude começou a se afastar, indo até o carro com Cipriani que estava estacionado próximo a um stallion.
- Seguinte, eu estou planejando um serviço que precisa de um bom motorista, então apareça por aqui depois, certo? Agora vai lá!
O calado ligou o carro e Toni entrou no carona. Joey abriu a porta da garagem e Claude foi para as ruas. Estava dirigindo um dos carros da máfia, um sentinel preto alterado mecanicamente, para ficar mais rápido. Isso o fazia se sentir totalmente dentro do esquema, da família. Era um carro de prestigio, afinal.
- Certo, garoto. Me leve até a lavanderia em Chinatown primeiro, tenho uns negócios para cuidar. Aquelas lavadeiras não estão me pagando o dinheiro da proteção. E cuidado com o carro, Joey acabou de consertá-lo. Sem fazer bobagem, ok?
Toni sintonizou na Double Clef FM e foi ouvindo música clássica. O trajeto não era longo, ao virar umas curvas, já podia ver a Mr. Wong Laundrette.
Para o caporegime, a trégua já estava estabelecida. Eles viram que o seu lugar não era esse e seguiram em frente.
Claude parou ao sinal do chefe e Toni pegou um taco de baseball no banco
traseiro do carro como sempre fazia. Era um metálico, autografado. Seguiu devagar, como se não tivesse pressa.
- Espere aqui e deixe o motor ligado. Não é uma reunião social.
Ele entrou na lavanderia. Percebeu que havia mais gente do que o normal, e sua experiência dizia que eles o olhavam de maneira maliciosa. Pensou em sair dali, mas continuou. Foi até o balcão e começou a dialogar com um chinês de seus vinte anos, de sotaque carregado.
Claude viu um dos orientais pegando algo por baixo da camisa, mas nem pode fazer nada. O homem colocou a mão no ombro do capo e levou a arma até suas costas. Toni conseguiu se desvencilhar em uma velocidade incrível, seu corpo parecia ter se acionado para a sobrevivência. Empurrou o guarda que ficara na porta impedindo sua passagem e correu até o carro a toda velocidade.
- É uma cilada da Tríade! Vamos cair fora daqui, garoto!
Claude abriu a porta de trás e o capo se jogou dentro do carro. Dois chineses
surgiram como que por magia das esquinas e começaram a atirar no carro. Claude se abaixou e deu ré para fugir e acertou um hidrante, fazendo jorrar água. Um pneu foi furado, mas o motorista não se importou e jogou o carro em cima de dois dos chineses. Um foi atropelado e jogado em uma caixa dos correios. Fez a curva, marcando o asfalto com as rodas e seguiu até o restaurante. Claude achava música clássica maravilhosa nestes momentos.
Quando saiu de Chinatown, os dois puderam respirar sossegados. O carro parecia um queijo suíço. A janela do lado do carona, onde Toni estava, tinha um furo. Por um triz uma cabeça não foi estourada.
Claude chegou até o local marcado em coisa de 20 minutos, visto que pegou o caminho mais longo, outros tríades poderiam estar apenas aguardando o carro nas esquinas.
- Os tríades pensam que podem mexer comigo, os tríades, COMIGO! Venha aqui depois e nós daremos algo para eles lavarem: Suas próprias camisas manchadas de sangue!
O velho estava furioso, até cuspia quando esbravejava aqueles chineses. Saiu do carro, batendo a porta com força.
- Faça o que quiser com o carro e… – Levou a mão ao bolso puxando uma carteira de couro. Seu anel de ouro no mindinho reluziu no sol daquela manhã. – Pegue isso e faça bom aproveito.
Eram 5.000 dólares. Como ele poderia guardar tanto dinheiro assim em uma carteira?
Tanto faz. Agora Claude desfilava pela cidade em seu novo carro. O carro usado pelos mafiosos e estava feliz por isso. Havia salvo ninguém menos que Toni Cipriani. Isso tinha concedido a ele total liberdade de andar pelas ruas de Liberty City novamente. Ninguém mexeria com ele.
Capitulo 8
Joey estava extremamente satisfeito com Claude. O trabalho que ele havia citado anteriormente era nada mais nada menos que dar cabo de um dos irmãos Forelli que estava entulhado em um porta-malas no Greasy Joe’s Cafe, perto de Callahan Point.
Chuck Forelli foi capturado por três Leone quando passava por Hepburn Heights. Um dos rapazes jogou o carro no mar, enquanto os outros dois torturaram o Forelli por 16 horas em um armazém no porto. Ele se negara a pagar Joey, mesmo depois que Boca foi assassinado. Chuck não agüentou quando um dos rapazes furou seu joelho com uma furadeira. Estava morto, e foi jogado em um Manana.
Como o planejado, os dois deveriam deixar o automóvel estacionado no
Greasy Joe para Claude se livrar dele. Mas alguém abriu o bico, os Forelli agora sabiam de tudo e apenas esperava alguém chegar para buscar o carro. Eram dois sentinel, um estava próximo há uma saída da praia, a uns 10 metros dali, e outro no estacionamento. Eles queriam capturar e depois matar o motorista, assim que ele despejasse todas as informações e desse todos os nomes. Não queriam saber se era justo ou não matar os dois por dever.
Claude conseguiu escapar. Despistou os sedans dos Forelli e levou o Manana até o ferro velho. O esmagador deu fim tanto do carro, quanto do presunto. Isso deixou Leone realmente feliz, e prometeu que os passaria para os peixes maiores, mas antes disso, pediria um ultimo favor. Queria ajudar alguns amigos em um roubo a banco. Seriam três rapazes, e Joey citou Claude como o piloto de fuga. Eram Jim, Morrie e Piscano.
De manhã, após fazer seu breakfast no Cafe Metropolitan, seguiu até a garagem em Trenton. Joey consertava um BF Injection azul, no carrinho, mexendo na parte de baixo do automóvel.
- Que maravilha temos aqui, huh? Beleza, escute. Pegue algum carro e vá até o esconderijo em St. Marks e pegue alguns amigos meus, aqui está o endereço. – Tirou do bolso um papel e deu para Claude – Eles vão fazer um trabalho no banco e precisam de um motorista. Eu dei minha palavra que você era o cara, então não me decepcione. Leve-os antes das cinco, nem um minuto a mais! – Explicou, empurrando com as costas o carrinho para debaixo do carro novamente.
Claude pegou o Pony e foi até o endereço, era um sobrado com garagem. Rapidamente, os três homens de terno e mascaras de pano portando calibres 12 e pistolas entraram no furgão e foram até as proximidades de Chinatown. Antes de estacionar, os rapazes terminaram de ajeitar as armas e prepararam tudo.
- Deixa o motor ligado, nós seremos rápidos. – Falou Piscano e saíram do furgão, invadindo o banco.
Claude ouviu disparos, gritos e depois o alarme. Pensou que tudo tinha dado errado, e agora teria de sair apressado com a policia em seu encalce. Isso seria um problema.
Dentro do banco, Morrie assim que passou pela porta giratória, apontou a pistola para os clientes e os mandou abaixar. Jim apontou a calibre 12 para os vigilantes e Piscano foi à procura do gerente. Tudo levaria no máximo três minutos.
O plano era Morrie e Jim manter todos os clientes longe do alarme. O departamento de policia ficava próximo e se o alarme tocasse, em quatro minutos estaria o dobro de tiras do que em qualquer outro banco da cidade. Era o estabelecimento de um judeu poderoso, com contatos na policia, por isso era considerado um lugar difícil de fazer ganhos.
Piscano entrou rapidamente no escritório e apontou a arma para o gerente. Rapidamente o funcionário, também judeu, levou o bandido até o cofre e colocou tudo dentro de sacolas. O assaltante as pegou e mandou o gerente ir à frente, para sua sala. O homem fez o que lhe foi mandado, mas quando Piscano saía da sala, o gerente pegou um revolver e deu um tiro em suas costas. Era um desses que ou tinha muito amor pelo seu trabalho, ou queria aparecer no quadro de funcionário do mês. Mas quem sabe, fosse apenas pavor.
Mesmo ferido, Piscano atirou com seu calibre 12 arrebentando a barriga avantajada do gerente. Mesmo tendo dado o tiro de longe, foi letal para o velho. Ele caiu lentamente, de joelhos, largando o revolver e soltando grunhidos.
O barulho gerou pânico no banco e uma obesa negra levantou-se e tocou o alarme. Morris atirou em sua garganta, banhando toda sua roupa de sangue. Os vigilantes viram isso como uma oportunidade e alvejaram Jim. Piscano apareceu sangrando, Morris o puxou pelo braço e o apoiou nos ombros e atirou na direção de alguns vigilantes mas só atingiu um.
Passaram os dois desesperados pela porta giratória. Abriram o furgão e entraram caindo no chão do carro. Claude mal havia ouvido os tiros e gritos, e já escutava as sirenes da policia.
- Nos tire daqui agora! – Gritou Morris, segurando Piscano que sangrava muito mas em momento algum largara suas bolsas com dinheiro.
Claude acelerou cantando pneus e seguiu pelas ruas. Escutou o barulho de helicóptero, e se assustou quando viu que um o seguia, junto de dois carros da policia que surgiram rapidamente. Na fuga, Claude atropelou duas pessoas e destruiu um banco de madeira, mas continuava seguindo para St. Marks. Morris o mandava parar de bater, Piscano estava muito machucado, quase ficando inconsciente, mas ele não ligava. Ele não queria ir preso, seria complicado para ele. Que se dane Piscano, pensava Claude.
- Nem pense em ir para o hospital! Vamos para a casa mesmo! Vai, rápido! – Esbravejou o apressado assaltante.
Despistou o helicóptero quando passou pela alameda de St. Marks, cujos trilhos de trem tampavam a visão da rua. Entrou em uma rua, desceu uma escadaria saindo por um beco e passando por outra rua, isso deixou os dois carros policiais para trás. Deixou o bairro me pânico.
Entrou na garagem do esconderijo quase arrebentando a porta.
O resultado do assalto foi curioso. Apenas uma bolsa ficou para trás, junto com Jim que levou três tiros no tórax de três vigilantes. No banco, a negra obesa, um vigilante latino e o gerente morreram. Piscano faleceu naquela noite, mesmo sendo tratado por um dos médicos dos Leone. No fim, o que importou mesmo foram os 200.000 em cash.
O dinheiro do roubo foi para Joey por ter auxiliado, Claude por ter dirigido e para as famílias dos dois mortos. Para Morris foi bom, ele levou uma bolada e ainda foi bem conceituado por ter salvado o parceiro. Agora seria indicado aos grandões, Joey estava agradecido. Falou com ele pessoalmente, em sua oficina. Misty estava lá também, mas como sempre age quando está com Leone, não ligou para Claude.
Comentavam sobre Claude, o Mudo. Seu nome deslizava pelas ruas, pela boca dos mais baratos vigaristas até os barões do crime. Haviam melhores, mas Claude estava próximo. Muitos nem sequer haviam chegado até esse ponto – eram mortos, ou traídos. Claude não dera motivo para isso, nunca falava. E alguns morriam às vezes apenas por dar oi a pessoa errada.
Era lindo.
***
CONTINUA NA PARTE 4
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 6
PARTE 7
PARTE 8
PARTE 9 (FINAL)
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