Episódio 78 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.4

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9 (FINAL)

Capitulo 9

Os jornais começavam a apontar a hostilidade entre os Leone e a Tríade depois do caso em que três caminhões da Lavanderia Mr. Wong foram destruídos no espaço de uma noite. Um dos veículos estava tão carbonizado que quando foram procurar o corpo do motorista, acharem apenas o torso. O resto havia sido calcificado e se misturado às ferragens. Claude fazia um bom trabalho e Toni mostrava como funcionavam as coisas. Se pagassem às pessoas certas, estariam todos seguros e felizes.

Isso chamou a atenção até mesmo dos Diablos. Eles não haviam esquecido o que foi feito com seus dois membros há muito tempo atrás, mas negócios eram negócios. O calado já até tinha ganhado reputação o suficiente para estar seguro. El Burro, chefe dos Diablos e poderoso no ramo pornográfico o chamou para trabalhar. Estava tudo bem para os Leone, Claude não pertencia a eles, não era uma propriedade. Queria ganhar a vida, e todos sabiam que estava fazendo isso para vingar-se de Catalina. Deixou que o garoto procurasse sucesso.

El Burro fazia isso há anos, era um alcoviteiro, pouco se importando se a policia o investigava há anos. Seu poder no ramo do entretenimento adulto estava encardido no país. Empregou Claude como um auxiliar para resolver certos assuntos. Seu teste para o rapaz foi colocá-lo em uma corrida de rua, onde ele ganhava um bom dinheiro com as apostas. Pesquisou sobre Claude, queria ver se as informações eram verídicas. Para o mudo, isso foi fácil. Venceu de lavada, embora os outros corredores fossem muito bons. Claude se sentia poderoso agora, isso quase o subia a cabeça.

Quando o chefe dos Diablo descobriu o que Claude fizera com Boca Forelli, resolveu limpar com alguns rapazes que tentavam crescer na cidade e atrapalhavam os negócios de El Burro. Chegou a ser cômico: Claude roubou o carro do sorvete que eles que sempre os vendia e plantou no refrigerador uma bomba de controle remoto fornecida pelo chefe. Levou até o ponto de encontro e foi para longe, quando os caras de finos ternos se aproximaram, o botão foi apertado. Até hoje não encontraram o braço de um dos corpos.

Outro caso que ajudou a levar Claude ao estrelato foi quando, com um lança-chamas, torrou 20 membros da Tríade em Chinatown que haviam roubado o carro pessoal do chefe e posto fogo com algumas, segundo El Burro, “relíquias únicas”. Foi ótimo, os Leone ficaram felizes com isso. De fato, cortar as asinhas daqueles chineses era essencial.

O ultimo trabalho para o Diablo rendeu à Claude uma coleção imensa de revistas pornográficas, que lotaram a sua casa. Foi fácil o ultimo serviço, que consistia apenas em matar um de seus funcionários que havia cheirado muito SPANK e perdido remeças das revistas que deveriam chegar à loja XXX Mag na manhã seguinte. Faturou um dinheiro vendendo essas revistas para os pervertidos da cidade e presenteou Luigi, Toni e Joey com elas. É claro que, quando Cipriani as recebeu, se livrou delas pessoalmente. Se sua mãe visse ele com aquelas revistas, seria um problema.

Foi um bom tempo. Claude ganhou um bom dinheiro e sucesso. Isso difundiu suas conexões em Liberty City e El Burro prometeu ajuda-lo no que precisasse. É claro que ele não contaria muito com isso, a gangue dele não era a das mais espertas. Eram apenas porto-riquenhos sem qualquer futuro, andando na rua com tacos de beisebol e ouvindo Head Radio.

Os Diablos tinham um problema sério: Tinham inimigos demais. Havia gente até mesmo de Shoreside querendo suas cabeças. Há alguns anos atrás foram usados pela Máfia Siciliana para bagunçar com a Família Leone. Isso rendeu muito sangue, mas o tempo passou e a situação se estabilizou depois que Cipriani resolveu o assunto e tirou os patrocinados deles de jogada. Agora, continham-se apenas com seu bairro, Hepburn Heights, e até El Burro aceitava isso de bom grado.

Por todas essas semanas, o clima entre os Leone e a Tríade parece ter apaziguado. A lavanderia resolveu pagar o dinheiro da proteção.

Capitulo 10

Naquela manhã chuvosa, Claude foi até o restaurante Cipiani. Acelerou até a varanda fugindo da forte chuva que assolava Liberty City e encontrou um bilhete sobre a mesa de madeira, coberta por um guarda-sol branco e vermelho. De dentro do restaurante a mãe gritou com sua voz rouca.

- Toni está fora fazendo alguém sangrar, ou tentando! Ele nunca será igual ao pai, mas deixou um bilhete na mesa.

Claude pegou o papel e começou a ler, parecia ter sido arrancada de uma agenda.

- A lavanderia concordou em pagar, você foi bem, garoto! Vá pegar o dinheiro e traga para cá. Cuidado com a Tríade. Eles estão planejando acabar com você, mas não leve a merda deles. Ninguém, eu disse ninguém, mexe com Toni Cipriani!

Sentiu um frio lhe correr o corpo quando descobriu que aqueles animalizados chineses estavam prestes a arrancar seu couro. Atrás do bilhete estava o endereço para recebimento. Mas era preciso fazer seu trabalho, então voltou até seu Mafia Sentinel estacionado na garagem do restaurante e foi na direção de Chinatown.

Toni Cipriani há esta hora estava na mansão de Salvatore Leone, falando sobre os feitos de Claude, discutindo sobre o problema de Stabile e tentando descobrir como se livrar de toda essa confusão gerada com os chineses. Era assim que um conflito começava, como há muitos anos atrás quando Crazy Joe decidiu desafiar um chefão e começar uma guerra. O início era por baixo e semanas depois não seria difícil encontrar corpos por aí.

O problema de Stabile era simples, mas barulhento. O garoto foi descuidado e azarado, acabou matando um garçom em um bar no Distrito da Luz Vermelha, mas até aí estava tudo bem. A situação se complicou quando, dois dias depois, ele foi cobrar o dinheiro de um pequeno empresário que tinha um irmão na policia. Tudo ficou fácil quando o tira associou o sumiço do garçom, de família humilde, com Stabile. Ele foi em cana e a opinião pública foi avassaladora. Salvatore pretendia afunda-lo, mas Cipriani responsabilizou-se e prometeu cuidar de tudo. Era um garoto eficiente.

Claude foi para Chinatown, a rua estava silenciosa. Parou ao lado de um beco que ligava às duas ruas. Saiu do carro e levou a mão para baixo da jaqueta, segurando sua pistola. Seguiu o caminho, até encontrar uma mala no canto, próximo a umas tubulações que passavam pela parede. Tudo parecia limpo. Pegou a maleta cinza e ia voltando para seu carro quando uma freada brusca o surpreendeu.

Um caminhão das peixarias que a Tríade comandava fechou um dos caminhos, e de cada lado do corredor uns batedores chineses apareceram. Um saiu do caminhão. Três usavam tacos de beisebol, dois pistolas, sendo estes últimos não vistos pelo calado. Era problema a vista, mas Claude nem quis argumentar. Atirou no maxilar de um dos batedores com o taco e saiu correndo em direção ao seu carro levando a mala. Foi aí que sentiu uma picada em suas costas e um ruído ecoando.

Jogou a maleta pra dentro do carro e descarregou sua pistola. Embora não tenha conseguido atingir nenhum dos homens, conseguiu faze-los se proteger. Claude aproveitou a oportunidade e entrou no carro. De mau jeito, pilotou para longe de Chinatown. Um caminhão começou a segui-lo e o rapaz acelerou tudo o que podia.

Em pouco tempo o carro estava cheio de sangue, havia levado um tiro próximo ao ombro e sangrava bastante. Quando percebeu que o caminhão não o seguia, ficou mais tranqüilo. Conseguiu chegar à casa de Cipriani em 10 minutos no máximo, mas quando já caminhava até a varanda, não agüentou e desmaiou com a mala em mãos que para seu azar, depois foi descoberto ter apenas quase metade da quantia. Claude não queria, de forma alguma, se meter nessa briga entre as duas facções. Entretanto, acabou sendo ele o homem marcado. Absorveu o problema da família. Desmaiara, no pátio, com seu sangue levado pela chuva.

Capitulo 11

O único problema da Família Leone neste momento eram os chineses. Até mesmo o problema que os Forelli haviam criado para Joey já tinham sido resolvidos com algumas garantias e explicações do caporegime, que fez disso um presente pessoal para o filho do Don. Agora era hora de resolver o assunto com a Tríade. Para que a reunião ocorresse de forma direita, um poderoso membro dono de algumas peixarias e com negócios em Las Venturas foi seqüestrado.

Agora sim os chineses se reuniriam sem tentar nenhuma trapaça direta, visto que um dos peixes grandes corria risco. A reunião se deu em um armazém em Atlantic Quays.

Toni Cipriani foi junto de seus capangas, e outros dois importantes da Tríade também, com seus guarda-costas. Salvatore quis participar da reunião, mas Toni preferiu cuidar disso sozinho. No fundo, ele sabia que se o velho morresse, a família entraria em declínio. E como estava paranóico desde quando voltou de San Andreas, podia colocar tudo a perder. Seu apreço pelo Don não o permitia arriscar tanto assim a sua vida.

Era um armazém sujo, mas arrumado horas antes com uma mesa e algumas cadeiras por parte dos italianos, para que se criasse um ambiente confortável. Alguns orientais aguardavam dentro de furgões prontos para, a qualquer momento, sair e fuzilar alguns negócios importantes, como o restaurante de sua mãe e o Clube do Luigi.

Toni não tinha a comprovação disso, mas sabia como eles agiam e já podia imaginar. Se atacasse algum inimigo naquele momento, os atiradores agiriam. Se os italianos matassem o refém, a mesma coisa. O jeito era apenas trabalhar como se tivessem sido rebaixados, para alimentar o ego daqueles chineses. Tentaria enganar deste jeito para que ninguém saísse ferido. Entretanto, se as condições não fossem favoráveis, em exatamente uma semana, o refém e aqueles dois com que conversava iriam morrer e a guerra teria inicio.

Por volta das 20 horas se reuniram, havia um pequeno bufê para o grupo. Salsichas, pães, mostarda e salgados caseiros, fornecidos pela cantina de sua mãe. Os chineses chegaram atrasados em coisa de 15 minutos, e foram relutantes em deixar suas armas no carro. O encontro era feito com todos desarmados, para evitar acidentes em um eventual calor da discussão.

Era Toni Cipriani, e os chineses Honghui e Jianyu. Jianyu era irmão de Guowei, que era o seqüestrado. Os chineses eram de estrutura baixa para um americano, cerca de 1,68. Honghui estava ficando calvo, embora apenas estivesse nos quarenta. Usava uma roupa reservada, de acordo com o dia de chuva. Já Jianyu era magro, com o rosto chupado, usando roupas chamativas com dragões chineses e cabelo penteado a gel. Embora fosse quase da idade de seu parceiro, era bem jovial em seu estilo.

- A que ponto chegamos? – Começou Cipriani, acomodando-se na cadeira. – Nunca tivemos problemas, sempre agimos em nossa área. Acredito que chegamos em um ponto critico e perigoso para nossos interesses. Chegamos a um momento para, finalmente, resolvermos as questões sem problemas.

- Vocês têm meu irmão em sua custódia, queremos ele. – Ignorou Jianyu, querendo explicações.

- Compreendo você, mas vocês atentaram contra a vida de um dos nossos associados quando íamos pegar o que nos era de direito. Podíamos ter atentado contra o seu irmão, mas não fizemos isso. Ele está conosco, na cidade, e até oferecemos a ele boa comida e uma bela mulher. Queremos trégua, paz para nossos negócios. Afinal de contas, não somos animale.

- Vocês italianos covardes! – Falou Honghui, com sotaque carregado. – Entram em nosso território e agem como se fossem os donos.

Toni ajeitou-se na cadeira, coçou seu rosto. Pegou um charuto, em silencio, e levou a boca. Um de seus seguranças tirou um isqueiro e rapidamente acendeu. Deu uma longa tragada. Pensava bem e os observava, para ele eram tolos, tinham poder e não sabiam como usá-lo. Sabia que havia gente inteligente por trás disso, mas acreditava no poder do dinheiro – que mudava destinos.

- Vou lhes mostrar a minha proposta. – atalhou, colocando o antebraço sob a mesa e segurando o charuto com a outra mão. Iria manipulá-los, citando o que ambos já tinham como uma vantagem e colocando o melhor da proposta no fim, no caso o dinheiro, para que os chineses ficassem entusiasmados o suficiente. Isso os faria aceitar qualquer proposta menor e anterior sem pensar muito. Psicologicamente, os faria se sentirem poderosos.

- De começo, devolverei o irmão de vocês. Levaremos ele com todo o luxo até sua área. Em seguida, deixaremos algumas lavanderias para vocês, mas vamos trabalhar com uma nova área, até então neutra. Retornaremos a pegar o dinheiro da proteção de nossa área, como era antes. Para cobrir com todas as despesas e problemas, daremos 200.000 em dinheiro vivo para vocês. – E levou o charuto a boca. Sua vontade era de matá-los ali mesmo, mas para os italianos ameaças eram um erro.

Jianyu olhou para Honghui buscando confirmação, mas por dentro estava feliz. Teria seu irmão de volta, são e salvo, sem contar naquele dinheiro. Honghui permanecia olhando o velho.

- 500.000 dólares. – Impôs Honghui.

- Apenas 200.000 dólares, embora isto não pague as vidas perdidas dos nossos. – Falou firmemente Cipriani, numa tentativa de fazer aquilo parecer menos um leilão. Isso poderia sensibilizar os dois.

- É bom dinheiro, mas não queremos a sua esmola. Temos um apoio superior e não é problema para nós continuarmos agindo assim. – Honghui finalizou.

- Mas é um bom dinheiro. Jianyu sussurrou no ouvido de Honghui, em mandarim. – Eles podem matar nosso irmão depois, mesmo com nossos rapazes espreitando. Ele é um velho esperto, já deve ter pensado. Podemos pegar esse dinheiro e continuar agindo com o Cartel Colombiano. Podemos expandir o território para os dos Diablo, pelo menos por hora. Depois avançamos até eles.

- Não, o território dos Diablo não é tão influente assim. Podemos com estes Leone, o chefe deles é paranóico e está em crise. O SPANK veio para ficar. Vamos seguir em frente com isso. – Respondeu Honghui em chinês e olhou nos olhos de Toni.

- Nunca é bom estar em guerra. – Advertiu o outro.

- Não é problema, aqueles latinos vão nos ajudar. Precisamos mostrar a eles quem é superior. Continuarei com a proposta de 500.000, mas sei que ele não é um fracassado. Compreende que se desse esse dinheiro, acabaria comprando seus próprios caixões. – Finalizou, com o camarada. – Veja, italiano. Não aceitamos deste jeito.

O capo suspirou, apagou o charuto em um cinzeiro de vidro próximo.

- Don Salvatore teria ficado feliz em lhes pagar estes 200.000. Até 300.000 estaríamos dispostos.

Usou desta manobra para fazer os chineses se arrependerem. Era sua ultima artimanha, e se não funcionasse, o jeito seria ir para os colchões. Esse termo significava o começo de uma guerra, quando os soldados alugam apartamentos e todos dormem no chão. Assim, suas famílias não correrão riscos e ataques surpresa são impedidos.

- Obrigado por comparecerem, dentro de no máximo trinta minutos, ele será entregue a vocês. – Acomodou-se na cadeira. – Por favor, sirvam-se da comida. – E em seguida Toni pegou um pastel para que os chineses não pensassem que aquilo estava envenenado. Eram ingênuos, no fim das contas. Mas perigosos, sem escrúpulos em certos momentos.

Não beberam de seu vinho, não comeram de sua comida. Aquela dupla não sabia separar bem o lado pessoal dos negócios, assim pensavam todos os italianos dali. Foram embora com seus guarda-costas. Cipriani os olhava se afastando. A guerra tinha seu início.

Suas mortes foram decretadas, mas Toni analisou a situação: Por serem tão desconfiados, ficariam bem seguros em pelo menos um mês. Depois ficaria mais fácil, não poderiam ficar na defensiva para sempre. Prorrogou um pouco a morte daqueles homens.

Uma loja de utensílios chineses sofreu um acidente no sistema de gás. Na mesma noite, os orientais atacaram um carro, fuzilando três Leone. Os jornais começavam a mostrar aquelas ações, ilustrava todas as capas. Corpos largados em pizzarias, outros em caçambas de lixo. Houve até o caso de um mafioso correndo por St. Marks com um tiro na barriga, encontrando seu fim ao ser atropelado por um táxi. O comércio estava em frangalhos, os policiais tentando faturar com a opinião publica através disso.

Um pouco depois de vinte dias do acontecido, o Don finalmente queria conhecê-lo. Claude se sentiu feliz por isso, pela gratidão de alguém tão importante.

Claude estava se recuperando do atentado no Eddie’s. Um tal Dr. Caligari o curou, tirando a bala que estava enterrada nele. Ficara sem poder mover aquele braço por uns dias, a bala que acertou suas costas tinha afetado seu braço. Cipriani o visitou algumas vezes e lhe afirmou que deixaria para ele a vendetta. Já tinha tudo planejado.

Capitulo 12

Conforme o combinado, Claude foi até o restaurante ver qual era o serviço. Ma Cipriani parecia estar discutindo com alguém, talvez fosse seu filho. Havia um bilhete sobre a mesa, como da outra vez. Isso deu arrepios nele, esperava não morrer dessa vez. Havia visto na televisão como as ruas estavam perigosas nestas ultimas semanas.

- Don Salvatore chamou para uma reunião. Eu preciso que você pegue a Limusine e seu garoto, Joey, na garagem. Então depois pegue Luigi em seu clube, volte aqui e me busque e aí iremos todos juntos para a casa do chefe. Esses Tríades, eles não sabem quando parar. Se eles querem guerra, terão guerra. Agora vá.

Pegou o Mafia Sentinel que tinha ganhado de Joey. Aquele outro teve de ser destruído, estava repleto de sangue e provas. Seguiu até a garagem em Trenton. Quando entrou, deparou-se com Joey ajeitando o terno, um pouco atrapalhado. Nunca antes o vira vestido assim em trajes formais. Claude sem falar nada pegou a limusine a ligou, esperando Joey vir. Foi depois ao clube do Luigi e o pegou. Os dois conversam sobre a condição de Misty, sobre o quanto ela vinha ganhando. Finalmente, Claude seguiu até o restaurante e pegou Cipriani. Já era quase meio dia.

Quando Claude partia com a limusine, notou dois caminhões da peixaria chinesa acelerando. Vinham por trás. Joey alertou que vinham duas. Os rapazes corriam riscos e Claude não viu outro caminho se não acelerar e fugir. Os caminhões se chocavam contra o carro, Luigi se jogou no chão. Era assim que os chineses agiam, de surpresa. Se os presentes naquele carro morressem, então a guerra estaria ganha para a Tríade.

Com grande perícia, Claude chegou até o portão da mansão de Leone. Um caminhão estava atrapalhando a passagem e dois chineses começaram a atirar contra o carro. Um minuto depois, um deles voava por cima da Limusine. Embora a limusine tenha ficado destruída, tendo até mesmo furado um pneu, o mudo entrou na garagem e os guarda-costas da casa cuidaram do resto. Ali estavam seguros. Por mais audaciosos que os orientais fossem, jamais entrariam na mansão. Aquilo era uma fortaleza.

Tratava-se de uma mansão em um penhasco, com uma das mais belas vistas de Liberty. Podia-se ver o oceano dali e uma bela vista de toda a cidade. Era vigiada incessantemente por guardas que se distribuíam por um longo caminho de areia que guiava do portão até a garagem e um pátio onde alguns mafia sentinel estavam. Uma pequena rampa levava à varanda que tinha mesas e cadeiras de madeira, coisa italiana e caríssima. A casa tinha seus altos e baixos, com portas de vidro por onde se podia ver o sofá e o caro tapete persa. Haviam algumas árvores, que desciam pelo desfiladeiro, chegando até a praia.

- Você foi bem lá atrás garoto, realmente bom. Venha, vou te apresentar ao Don. – Dizia Cipriani, caminhando ao lado de Claude em direção a casa. Luigi e Joey já se aproximavam. O padrinho os esperava na porta da mansão. Era um homem de quase 1,80, de bigode grave e grisalho. Seu cabelo era calvo e o cabelo que tinha, era em excesso e também embranquecido pela idade. Seu terno era grafite, com uma rosa vermelha presa na roupa e usava sapatos realmente caros. Suas expressões eram fortes e esbanjavam força. Seu rosto era redondo e massudo, olhos claros e tinha algumas olheiras. Recebeu calorosamente os homens, de braços abertos.

- Ei Luigi! – Gritou animado o velho para Goterelli, que se aproximava.

- Minhas garotas estão sentindo sua falta, Salvatore! Você não aparece faz um tempo! – Luigi abraçara o Don.

- Diga a elas que assim que esta confusão toda acabar, nós todos iremos ao clube e celebraremos está certo? – Dando um beijo em sua face. – Aí está meu garoto. – Falou com carinho paterno para Joey, que ainda tinha problemas com seu terno.

- Como vai, papai?

- Você já conseguiu uma mulher para você? Sua mãe, que Deus abençoe sua alma, deve estar se mexendo no tumulo por te ver sem uma mulher. – Colocou uma mão em seu ombro e a outra passou em seu cabelo.

- Eu sei papai, tô cuidando disso. – E caminhou até a porta, um pouco tímido.

- Toni! Como está sua mãe? – O deu os beijos de respeito, que os italianos sempre dão aos seus estimados. – Você sabe, ela é uma grande mulher. Forte, firenze!

- Ela está ótima… está bem.

- Excelente, excelente. Agora escutem, rapazes, vão lá dentro enquanto eu falo com o nosso novo amigo aqui. – E foi caminhando e sorrindo para Claude, passando seu braço por trás de seu pescoço e apoiando no ombro. – Eu não vejo nada alem de ótimas coisas para você, meu rapaz…


Capitulo 13

Depois que Claude foi embora, eles se juntaram na sala de reuniões, riquíssima, toda com detalhes em madeira. Joey sentou se ao lado de Cipriani, Luigi um pouco mais afastado. Salvatore em sua enorme cadeira de couro, com uma janela de persianas fechadas atrás. Uma mesa os dividia do Don. A persiana estava fechada, de forma que pouca iluminação entrava no recinto.

- Espero que Maria não esteja por aqui, tenho certeza que ela contaria a todos o que estamos conversando aqui. Mas o que fazer, mulheres são assim… Toni, meu amigo, como está toda a situação?

- Nada boa, Don. Estamos em guerra com os chineses e eles nem são sequer o criadores deste problema. Alguém está crescendo as nossas custas!

- Imaginei isso. – Recostando na cadeira. – Por isso os chamei. Precisamos fazer com que isso pare de uma vez por todas. Eu e Toni já havíamos decidido que aqueles chineses iam morrer. Os três. Isso será feito amanhã. Quem fará o trabalho é… Claude, certo?

- Sim, Claude. Ele tem sido ótimo!

- Concordo, é um bom garoto. – Complementou Joey.

Sal olhou Luigi, que afirmou com a cabeça.

- Excelente, excelente. Depois que estes animais estiverem fora de jogada então, vamos explodir sua fabrica, aquela de Callahan Point. Depois vemos os detalhes sobre isso, mas deixe o trabalho para o novo garoto. Ele já está comprometido nisso mesmo. – Olhou novamente para Goterelli. – Quero que abra o seu clube por estas noites, e abaixe os preços. Chame mais gente.

- Mas Don, isso seria perigoso, o plano seria fechar! – Argumentou Luigi.

- Compreendo, filho. Mas se fizer isso, vai conectá-lo aos fatos. Se você chamar muita gente, entretanto, eles não farão nada. – Virou-se para Joey. – Você por sua vez, feche a oficina e fique aqui comigo. Você poderia ser atacado.

Joey concordou com a cabeça, mas preocupou-se com Misty. Entretanto, não poderia trazê-la para a casa do pai. Ele não aceitaria. Sal sabia das relações do filho com ela, mas trazer até a casa seria um exagero. Entretanto, Luigi compreendera e ajudaria o amigo.

- Don, investigamos as conexões da Tríade e há indícios de que estão trabalhando com o Cartel Colombiano. Parecem ter firmado um contrato que estabelece cerca de 30% dos lucros com o SPANK para os orientais, e o resto para os latinos que retornam em apoio bélico. Com seu apoio, ficará complicado avançarmos.

- Entendo, Toni. Vamos descobrir onde eles estão fazendo o SPANK, e fazer isso parar. Será mais uma briga que vamos comprar, mas os conflitos com os Diablo atualmente estão acabados, pelo menos por hora. Se deixarmos estes imundos continuarem ganhando dinheiro, seremos jogados pra fora da cidade.

- Eu imagino que o Cartel continuará agindo na surdina, assim quem ficará com a culpa serão aqueles chineses. Depois vão ser esmagados, mas até lá já terão vendido muito bagulho. – Falou Joey.

Salvatore o olhou com certo orgulho. Falou como se fizesse parte do negócio.

- Essa noite, Cipriani, esteja aqui. Chame os outros rapazes também para ajudar o garoto, vamos preparar tudo. Vou mandar Maria passear esta noite, vou aproveitar ver se este Claude é de confiança mesmo.

Don Salvatore era um homem paranóico e conhecido por todos os policiais. Era astuto, ninguém nunca conseguira provar nada contra ele. A única vez que quase foi pego, foi por sonegação de impostos. Nascido em Palermo, Sicília, imigrou para Liberty City com sua primeira mulher e Joey.

No meio da década de 80 tomou o poder na cidade. Começou a se tornar realmente poderoso no começo da década de 90, quando decidiu expandir os negócios para o oeste. Deu a família Sindacco 5 milhões de dólares para investir no Caligula’s, um grande hotel-cassino em Las Venturas. Como não podia comandar com seu nome, usou o advogado Ken Rosenberg como laranja. Entretanto, foi traído por Carl Johnson, um bandido que havia trabalhado anos antes com seu filho em um esquema de roubo de carros. C.J., como era chamado, junto da Tríade da Costa Oeste roubou-lhe o estabelecimento causando nele enorme prejuízo. Foi neste tempo que conheceu Maria Latore, que se casou com ele posteriormente apenas pelo seu dinheiro. Salvatore aceitava isso, precisava de uma mulher. Era uma relação semelhante à de seu filho com Misty, a história parecia se repetir.

Desde então, começou seu problema com confiança. Começou a aumentar com o passar dos anos. No começo, nem sequer usava telefones. Entretanto, nos dias atuais, esta é sua ultima opção. Seu laço com Toni Cipriani aumentou apenas em 1998, quando este, exilado na Itália, voltou para a cidade. Foi aí que começou a construir o seu poder, mostrando a força dos Leone. Nem mesmo a Máfia Siciliana, comandada pelo sagaz Massimo Torini, resistiu ao poder.

Os Forelli perderam o poder, os Sindacco foram expulsos, os Diablo se fecharam em Hepburn Heights, a política moldou-se à forma italiana. Ao custo de muitas vidas, tanto de criminosos, quanto de inocentes. Seria excelente se o Don não estivesse, a cada dia, mais louco. Certa vez, quase matou Cipriani o acusando de traição. Se não conseguisse provar inocência, provavelmente estaria em algum lugar do oceano.

Don Salvatore Leone tornou-se o homem mais perigoso de Liberty City.


Capitulo 14

Mais tarde, cerca das 21 horas depois de jantar, Claude foi visitar o Don. A lua estava maravilhosa naquela noite, refletida no mar. Qualquer um se perderia com aquela paisagem, mas o rapaz não. Fora lá com outros objetivos. Sentia-se às vezes um boneco que passava de mão em mão realizando seus desejos, mas se precisava fazer isso para acabar com Catalina, assim faria.

Encontra Salvatore na poltrona da sala, próxima a entrada. O recebeu com certo entusiasmo, mas parecia preocupado.

- Eu e uns companheiros precisamos falar sobre negócios, então você dará uma olhada em minha garota essa noite. Ei Maria! Mexa essa bunda! – Gritou para dentro dos cômodos. – Ela faz isso o tempo todo.

Uma mulher atraente, de pele morena e proporções avantajadas, apareceu na sala. Caminhava com movimentos quase felinos, usando um blazer com um decote ousado e uma saia de leopardo. Seus cabelos eram castanho escuro, presos formando um rabo de cavalo que balançava de um lado para o outro. Claude se lembra de ter visto muitas mulheres assim em Las Venturas, e elas custavam caro.

- Aí está ela, a primeira e única Rainha de Sheba! Que estava fazendo lá em cima? Tanto faz, vai me custar dinheiro. – Falou Salvatore, brabo.

- Você acha que eu não ia ficar só na conversa, não é? – Falou Maria, com certo charme, que foi direcionado a Claude. Fazia isso com todos.

- Vá para o carro e fique com sua boca fechada. – Falou para Claude, olhando em seus olhos. – Pegue a limusine, mas a traga inteira, me ouviu? E cuidado com ela, pode ser problema.

- Ta, ta, ta! Eu tenho certeza que o seu novo cachorro está por dentro, ele não é grande e forte? – E olhou o mudo de cima embaixo, algo que desagradou o velho. – Ei Fido, vamos visitar Chico e saber da boa! Ele está na estação de trem em Chinatown ou Waterfront, eu acho…

A mulher saiu rebolativa e Claude a seguiu, perguntava-se porque ela o chamava de Fido. Foram até a garagem e pegaram à limusine.

Era a mesma limusine daquele encontro, mas já consertada. Estava na Double Clef FM, mas Latore era uma mulher que não podia parar quieta. Logo mudou para a Rise FM, uma estação que tocava apenas trance. Não falou nada durante a viagem, embora estivesse muito agitada como um pássaro que foge da gaiola. Era uma área relativamente perigosa para ele, mas chegaram lá. Um latino parecia esperá-la. Ela pediu para parar e saltou animada, e o mudo sentiu pena do Don.

Chico era o típico traficante iniciante. Bandana, roupas escuras. Maria foi até ele.

- Ei Maria! Minha garota favorita! Procurando por alguma diversão? Um pouco de… hmm? Algum SPANK?

- Oi Chico. Nah, apenas o de sempre.

- Lá vai, senhorita! – E deu algo nas mãos de Maria. Seu sotaque era latino, irritante para Claude. – Você devia ir a uma festa em um armazém em Atlantic Quays!

- Valeu Chico, te vejo por aí.

- Gracias e divirta-se, é coisa boa!

Maria virou-se para a limusine e entrou, dando as coordenadas até a festa.

Claude acelerou e chegou até o porto. Haviam carros caríssimos lá dentro, seguranças, jovens bêbados e excitados. Para Claude, era uma escória. Adolescentes que não agüentariam cinco minutos em uma briga. Era um trabalho chato. Ficara saindo e entrando no carro, inquieto, ouvindo as batidas da música que rolava dentro do lugar. Sentia-se mal, depois de ter feito tudo, estava sendo chofer de uma vadia. Uma vadia muito excitante, mas ainda assim uma vadia.

Foi quando a sirene da policia tocou e um tira no megafone anunciou que ia dar uma batida que a situação ficou complicada. Os seguranças saíram correndo e Claude voou pra dentro da limusine e começou a buzinar. Os carros da policia começaram a cercar o local. Em dois minutos todos que estavam na festa saíram correndo. Pegavam seus carros e aceleravam, outros se rendiam sendo rapidamente revistados.

Era uma daquelas operações surpresa feitas em busca por narcóticos. Maria saiu correndo, apavorada. Assim que ela entrou no automóvel, o chofer acelerou passando por cima do gramado. A mulher do Don gritava, animada. Para ela, aquilo era divertido. Chegaram em coisa de 10 minutos na mansão, por volta das quatro da manhã.

Enquanto ia com ela até a porta da mansão, Maria segurou em seu braço.

- Sabe… Eu me diverti como há muito tempo não me divertia, e você me tratou realmente bem. Com respeito e tudo. É melhor eu ir.Te vejo por aí… eu espero.

Latore foi para a mansão, e seu quadril mexeu com Claude. Tratou de tirar isso logo da cabeça. De fato, Maria era problema. Claude tentava pensar no que Cipriani, Joey e Goterelli poderiam estar fazendo. Enquanto o mudo ia pro seu carro, nos fundos da mansão, os Leone buscavam todas as informações dos chefões da Tríade. Seriam liquidados no dia seguinte, pelo começo da noite.

Quando Claude foi até o restaurante, viu outro bilhete na mesa. A mãe de Toni já até conhecia o rapaz, então apenas disse sobre a carta.

- Estamos em guerra. Aqueles tríade possuem uma fabrica de peixe. A maioria dos seus negócios estão baseados no Mercado de peixe em Chinatown. Aquela lavanderia nos deve o dinheiro da proteção. Eles pensam que a Tríade estão protegendo eles. Pegue os garotos e acabe com os chefões da Triade! Diabos, se você tiver a chance, fure alguns de seus capangas também!

Claude iria se vingar agora. Atrás do papel, viu a localização de todos os alvos e um horário marcado para o dia seguinte, de manhã.

Foi memorável. Encontrou com Stabile e mais um rapaz, influente. Foram trabalhar.

Seriam todos eliminados em seqüência, para que não houvesse tempo de fugir ou se vingar. Eles se sentiam intocáveis novamente, livres de qualquer atentado. Honghui estava em Chinatown, no coração da Tríade, conversando com alguns rapazes, tendo alguns capangas à sua volta. Quando Claude passou com o carro, Stabile e o outro descarregaram suas metralhadoras. Honghui perdeu sua cabeça. Havia massa cefálica presa na parede.

Jianyu estava na área comercial de Chinatown. Carros não entravam naquela rua, então o jeito foram os dois o interceptarem. Foi baleado, assim como outros três soldados. Os corpos ficaram estirados no chão. Restava apenas Guowei, que havia sido seqüestrado anteriormente.

Ele cuidava da fabrica de peixes Belly-Up Fish & Seafood Processing. Havia um problema: Apenas carros da empresa entravam, neste caso, caminhões da peixaria. E a segurança estava maior nestes dias de conflito. Enquanto o trio agia assassinando os outros, alguns Leone trataram de seqüestrar um dos caminhões. Claude o encontrou estacionado no Greasy Joe’s. Os dois italianos esconderam-se na carroceria do caminhão e Claude pegou a direção, indo até a fabrica. Seu coração batia forte. Quando os portões se abriram, Claude notou o quanto a segurança era precária. O motorista nem mesmo era verificado. Estacionou o caminhão e os três invadiram o estabelecimento baleando a cabeça o chinês, que caiu sobre um carrinho de peixes jorrando sangue. O trio fugiu pelo portão principal, depois de matar os incautos seguranças do lugar que trabalhavam também para a Tríade.

O mundo caiu. Hunghui estava sem cabeça agora, Jianyu fora baleado e estava atirado na calçada, ainda usando suas camisas de chamativas estamparias. Guowei estava morto no meio dos peixes. Eles fizeram por merecer, agora a Tríade sofrera um duro golpe. Mas nem sequer comemoraram naquela noite, os chineses já haviam destruído alguns comércios em St.Marks e dado cabo de muitos membros. Faltava algo ainda – limpar com eles da cidade. O pior vinha agora.

Agora a guerra iria para seus finalmente. O mais rápido ganharia.

***

Dedicado para os membros da comunidade Grand Theft Auto 3! (Confiram na comunidade depois uma historia do membro Gabriel, que conta Liberty City na visão dos policiais!)

CONTINUA NA PARTE 5

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9 (FINAL)

Pedro Casanova

Pedro Casanova Pedro Casanova (ou Cogu) é o fundador do Cogumelando e assassino de aluguel nas horas vagas. Amante de muitas coisas, dentre elas cinema, séries, literatura, games, quadrinhos, música, motocicletas e carros antigos. Nem nerd nem descolado, é especialista em levar diversão a sério e o sério na diversão.

 

Comente usando o Facebook

Sem comentários até agora »

Comment RSS · TrackBack URI

Comenta!

Get Adobe Flash player