Episódio 79 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.5

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9 (FINAL)

Capitulo 15

Frankie “O Búfalo” Stabile não ganhou este apelido a toa. Uma vez, três valentões chegaram em Liberty City dispostos a dominar tudo. Metralharam um restaurante e mataram uma criança de 8 anos que comemorava seu aniversário. Até mesmo se meteram com as construtoras das famílias, fazendo certo barulho nos negócios. Alguém da Nicarágua os fortalecia, e se sentiam os novos deuses a serem cultuados.

Eram Nick Webb, Lester Nance e Andy Fusco. Três garotos vindos da Costa Oeste. Fazia pouco tempo que os Sindacco haviam sido expulsos, os Leone tomaram partido nisso. Stabile era um iniciante, então seguiu junto de alguns outros que faziam o trabalho há mais tempo.

Em duas semanas, ninguém ouviu mais falar no trio. Tinha aberto um restaurante em Portland, coisa fina. Ficava em Callahan Point. Mas quando receberam uma carta de despejo, não entenderam. Os mafiosos haviam mexido os pauzinhos e, por meio de muita burocracia, mostraram a posse do terreno. Logo, alegaram que construíram ali um prédio e eles foram expulsos. Na segunda semana, já fracos por ter gasto muito dinheiro tentando salvar seu comércio, não tinham mais como resistir. Andy Fusco foi enterrado semi-vivo, Lester Nance foi jogado dentro de um caminhão de cimento e Nick Webb baleado e jogado para búfalos em um rancho nos limites da cidade. Essa foi a idéia de Stabile, que se tornara então, O Búfalo.

Certa vez também, uma já idosa mãe de família foi pedir um favor para o Don Salvatore. Seu filho havia sido morto com os amigos por engano policial. Stabile foi lá e resolveu o assunto, mas de seu jeito. Chamou outros dois malfeitores e metralhou a casa do policial. A família toda morreu.

Era um cara esquentado, se você mexesse com ele, podia não acordar. Com o tempo, ele começou a se tornar um problema, fazia as coisas sem licença. Foi quando matou um garçom de família pobre no Distrito da Luz Vermelha e dois dias depois foi cobrar o dinheiro de um pequeno empresário do ramo de pizzarias que ele se enrascou. Seu irmão era policial e não gostou de ver o caçula com a cara sangrando e enterrada em suas massas. Junto de alguns tiras, como o famoso John Reed, colocaram o garoto atrás das grades. Para sair de lá, foi exigido muito dinheiro, muito prestigio e a vaia da opinião pública.

Perdera pontos com a família, Salvatore até quis acabar com ele. Mas Cipriani interviu, queria dar uma nova chance a ele. Frankie “O Búfalo” Stabile faria agora qualquer coisa para voltar a ter o prestigio.

Capitulo 16

Matar chefões não é tão simples. Não são pessoas comuns. No crime, tudo tem conseqüência. Na mesma noite em que aqueles chineses morreram, a garagem de Joey foi fuzilada. Se o filho do Don estivesse lá, as coisas não estariam nada bonitas. Tentaram fazer o mesmo com o restaurante de Cipriani, mas o furgão com os orientais foi pelos ares – Eram previsíveis e todos os italianos correram até St. Marks. Como Salvatore previu, não tentaram nada contra Goterelli, que havia ouvido o Don e feito lotar o estabelecimento.

Uma barbearia foi explodida, uma loja de louça chinesa também. Tudo pela manhã. Até as aulas nas escolas foram canceladas. O ponto final do conflito entre os Leone e os Chineses viria mais tarde, no começo da noite. Claude estava preparado pra isso.

Por volta das 14 horas, foi até o restaurante de Cipriani imaginando encontrar outro bilhete, mas dessa vez viu Toni, sentado na cadeira de madeira, inquieto.

- OK, eu já agüentei demais dessa merda. Nós vamos acabar com a Tríade em Liberty de uma vez por todas! – E bateu na mesa, com força. – Bola Oito plantou uma bomba em um caminhão de lixo. Tem um timer para que se você bagunçar com tudo, não vai haver evidencias. Vá e pegue o caminhão de lixo. Cuidado, Bola Oito disse que ela é realmente sensível e se no mínimo dano, tudo explode.

Claude engoliu seco. Ora, tudo isto tinha se tornado uma missão suicida? E se a Tríade lhe queria a cabeça, se eles resolvessem atirar no caminhão, tudo ia pelos ares.

- A fabrica de peixes deles abrirá o portão para o caminhão, então você deve estacionar entre as tubulações de gás e cair fora de lá! Eu quero uma chuva de peixes! Nós estamos falando de algo realmente bíblico aqui, então fique atento!

Rapidamente o rapaz saiu dali e pegou seu carro, seguiu até onde Bola Oito arruma os carros. Não o viu por perto, mas não teve problemas em localizar um caminhão estacionado próximo há uns antigos trilhos de trem. Estacionou o carro perto do muro, e pegou o caminhão. Claude não sabia quanto tempo duraria, podia ser uma hora, trinta minutos talvez. E ainda teria de pegar um caminho mais longo, para que não desse de cara com os chineses. Achou um interruptor de parede próximo ao freio e do um lado um bilhete, escrito em papel rasgado, dizendo que aquilo ali acionaria o explosivo.

Seguiu atento e com todo o cuidado. Quando chegou em Harwood, deu de cara com um engarramento. Isso seria problema. Em cinco minutos nem mais podia dar ré, havia carros atrás dele. Poderia sair batendo em todos, mas explodiria a bomba e morreria em um caminhão de lixo. Buzinas ensurdecedoras, era o horário em que todos voltavam para casa. Por suposição, Claude pensou ter duas horas. Não iria ficar ali, esperando, então sacou sua pistola, colocou pra fora e atirou para o alto três vezes, e o ultimo deu no bigurrilho de um táxi. Foi o suficiente para que o indiano acelerasse seu ganha-pão e logo toda a rua furava o sinal e subia a calçada. O medo fez com que o engarrafamento acabasse.

Claude saiu no meio da confusão com e pouco se importou se o guarda de transito havia visto tudo. A loucura dos motoristas fugindo por suas vidas os deixaria incapacitados por uns instantes. Entretanto, muito tempo já havia sido consumido.

Acelerou passando pelas ruas e atento para não encontrar nenhum caminhão da Tríade. Embora não soubesse, chegou até a Belly-Up Fish & Seafood Processing com apenas 10 minutos em seu timer. O portão abriu, nessa hora o caminhão sempre ia buscar o lixo. O coração do rapaz batia forte. Logo viu dois imensos cilindros de gás, nos fundos da fabrica. Era ali.

A Belly-Up Fish & Seafood Processing era a teta de onde os chineses mamavam. Os soldados da Tríade, inclusive, utilizavam de seus caminhões como fachada para correrem pela cidade. Era a empresa que fornecia comida para todos os restaurantes de Chinatown, mas não por sua qualidade, e sim monopólio. Mesmo com a guerra, eles não pararam o trabalho. Enquanto você comia um filé, financiava as armas dos orientais.

Claude viu vários seguranças, mas não deu muita importância. Usava um gorro e roupas escuras, para evitar o reconhecimento. Havia caminhões para todo lado, um inclusive estava com furos de bala. Era uma área grande próxima ao mar, ficava bem perto do Greasy Joe’s. O cheiro de peixe era horrível, e todos os funcionários eram todos de procedência oriental. Passavam de um lado para o outro com roupas brancas e tocas de higiene.

Um chinês começou a fazer sinal para o caminhão seguir até o lixo, mas Claude deu uma curva fechada e estacionou entre os dois cilindros. Acionou a bomba, chutou a porta e saiu correndo. Um ruído começou a sair do caminhão, era um bipe ritmado, mostrava que a bomba ia explodir. O segurança tirou uma pistola, mas quando viu Claude correndo, saiu em disparada também gritando algo em mandarim.

O caminhão de lixo explodiu, e o fogo arrebentou os tonéis de gás. A substancia estava comprimida, e ao tocar no fogo, tudo foi para o alto. O impacto lançou Claude para o chão e todos que passavam pelo local. Uma labareda de fogo lambeu o céu e o telhado começou a chover. O fogo lançou-se para os caminhões próximos e uma fumaça branca se esticou por todo o bairro. O cheiro de gás estava insuportável ardiam as narinas, junto do ar de peixe queimado. Ao som da construção ruindo e de gritos apavorados, fugiu a pé pelo portão com medo de olhar pra trás e se deparar com alguém em chamas. Estava arranhado, como se tivesse sido atropelado. Havia gosto de sangue em sua boca, na queda acertou os lábios no chão. Seu pulso torceu, e seu gorro só Deus sabe onde estava. Seu machucado a bala doía muito.

A fumaça e as fagulhas choveram pelo bairro, os bombeiros tiveram dificuldade em apagar as chamas. A policia e os jornalistas se reuniram no local com extrema rapidez. O ganho dos chineses havia se tornado apenas escombros. Era um golpe duro, ainda mais agora que seus cabeças estavam todos mortos. A Tríade havia perdido o negócio mais lucrativo da cidade. O clima continuou pesado, no entanto. A Tríade apenas não tinha mais tanta força, mas ainda mataria qualquer um que passasse por seu bairro.

Claude ganhou 30.000 dólares, e agora podia sim se considerar rico. Ficou quase um mês fora da jogada. Precisava desaparecer por um tempo das ruas enquanto a policia e os chineses investigavam tudo. Sua ferida a bala havia aberto por conta do esforço, e precisaria descansar. Dessa vez ninguém foi visitá-lo. Claude sabia que era pelo perigo nas ruas, mas eles tinham seu telefone. Pensou que talvez estivesse marcado e ninguém quisesse se envolver.

De fato, a policia estava feliz com isso. Os Leone estavam enfraquecidos financeiramente e haviam perdido certos apoios devido a guerra e se quisessem pegar alguém a hora era esta, estava fácil ganhar o titulo de tira do ano. Foi perceptível o sumiço dos chineses das ruas, com seus negócios abalados, suas áreas de acesso diminuíram. Cipriani e o Don agora podiam investigar, secretamente, as conexões com o Cartel Colombiano e a Tríade. Podiam descobrir o que eles planejavam, embora já imaginasse que esta guerra fora criada para que eles lucrassem.

Evidentemente, usariam Claude. Tinha motivação em se vingar, seria o soldado perfeito.

Os dias se passaram, ele recebeu mensagens de Maria. A mulher do Don estava nutrindo algum sentimento por ele e se o velho soubesse daquilo, então as coisas ficariam feias demais. Não respondeu nenhuma, mulheres já tinham causado muito problema em sua vida. Focava-se inteiramente na vingança, mal podia esperar por isso.

Capitulo 17

Curly Bob era um bartender no Luigi’s Sex Club 7, o clube do Goterelli. Foi um bookmaker em Las Venturas, começava sua vida quando Salvatore esteve por lá. Tudo deu errado quando ele se envolveu com um traficante, cheirava seu pó e não pagava. O Don o ajudou, pagou ao homem. Em troca disso, Curly Bob trabalharia para ele.

Era baixo, calvo, de cabelos ruivos e olhos fundos. Falava com dificuldade, as drogas haviam comido toda a carne de suas narinas. Era acima do peso, sua pele estava pálida pela fraqueza e pelo clima de Liberty. Era odiado pelas prostitutas do local por ter a horrível mania de se masturbar ouvindo na porta dos quartos. Já até mesmo havia apanhado de algumas delas.

Sempre foi um viciado. Quando descobriu sobre o SPANK, enlouqueceu. Era comum no crime estes funcionários se venderem, e Catalina pessoalmente o contatou. Em troca de drogas e algum dinheiro, queria informações. Sabia que os Leone estavam no rastro, e a Tríade era a capa da invisibilidade que os latinos usavam. Se eles estavam fora da jogada, teriam de agir de baixo do radar.

Bob se inteirava de tudo e batia tudo usando um telefone publico das redondezas. Os Leone chegavam sempre perto, e nada encontravam. Não demoraram a descobrir que havia um espião entre eles. Conheciam a procedência de Curly, sabiam que era um viciado em SPANK. As prostitutas não seriam, afinal trabalhavam para o melhor clube da cidade e estavam satisfeitas com o que ganhavam. Hamfists, de forma alguma, ele era extremamente leal. Luigi o mesmo. Os seguranças estavam fora desse ciclo de suspeitos, trabalhavam para muitos outros clubes. A prova real veio quando o bartender começou a aparecer com mais dinheiro. Esbanjava no clube, mostrava-se. Ele não estava fazendo nada para estar com toda essa grana. Era ele.

Salvatore chamou Claude, que prontamente foi atendê-lo mesmo sendo tarde. Chuviscava, o céu estava nublado e o mar estava revolto, parecia que ia engolir a casa. Encontrou o Don sentado no sofá, próximo de alguns seguranças.

- Nos deixe a sós por um minuto. – E pediu para que Claude se aproximasse, assim que os homens saíram. – O Cartel Colombiano está fazendo SPANK em algum lugar na cidade, mas nós não sabemos onde, eles sabem o que vamos fazer antes de fazermos! – Ajeitou-se. – Nós temos um dedo-duro. Há um cara chamado Curly Bob, trabalha no clube do Luigi. Ele está com muito dinheiro, mas não está fazendo nada! Ele deve estar contando tudo. Geralmente ele pega um táxi para ir pra casa. Então o siga. Ele saíra meia noite, é um ruivo careca, não tem erro. Se ele estiver nos dedurando… mate-o!

Claude saiu da mansão e segue até o clube do Luigi. Estacionou próximo do Pay’n’Spray esperando. Um pouco depois de meia noite, Curly Bob saiu pelos fundos do clube e chamou um táxi. O rapaz ligou o carro e seguiu. No porto, o táxi o deixou perto dos piers. Claude estacionou o carro e foi seguindo-o rente a parede. Quando o caguete chegou próximo de um cargueiro, o assassino levou a mão por baixo da jaqueta, pegando sua pistola. Portland Harbor estava fria, a chuva aumentou um pouco o suficiente pra deixar a paisagem neblinada. Começou a espreitar, e viu Catalina. Seu coração bateu forte. Junto dela estava Miguel, o motorista do assalto.

- Lá vem nosso pequeno amigo, o sr. boca grande em pessoa. – Falou Miguel, um latino alto e forte, de barba serrada e rosto largo macilento, usanva uma blusa fresca preta e calça jeans batida.

- Você foi seguido? – Disse Catalina, encarando o dedo-duro.

- Não… não fui seguido. Tem meu bagulho?

- Aqui está seu SPANK, seu esquilo. Agora fala! – Catalina deu um saco na mão do Bob.

- Certo certo, então, os Leone estão lutando em duas frentes. Eles estão tendo problemas com a Tríade e não há sinal de trégua. – Curly nem imaginava que o casal a sua frente havia armado isso. Falava como um esquilo mesmo, respirando ofegante. – E Joey está tendo complicações com os Forellis. A cada dia eles perdem homens e influencia na cidade. Salvatore está se tornando perigoso e paranóico. Ele suspeita de tudo e todos!

- Também, com uma lealdade como a sua, ele tem com o que se preocupar. – Catalina rindo, virou-se e fez sinal com a cabeça para que Miguel a seguisse.

A dupla subiu uma rampa, seguindo para o cargueiro. Bob coçou o nariz como sempre fazia e foi se afastando. Finalmente Claude estava perto de concluir o seu objetivo, tinha as informações necessárias pra acabar com tudo agora. Observou o bartender se afastar do cargueiro. Correu em sua direção e o pegou por trás, tampando sua boca e levando para o escuro. Era um corredor entre dois containeres.

Claude empurrou o gordo para o chão e chutou sua boca. Curly Bob tentou implorar por sua vida, mas nem conseguiu. Antes que terminasse qualquer frase, o assassino enfiou sua pistola na boca do gorducho e disparou. Alguns dentes foram fragmentados no disparo, e sua goela explodiu o fazendo gargarejar sangue. O rosto empapado virou para o lado. Claude limpou o cano da arma com um lenço e saiu dali.

O dedo-duro apenas foi achado três dias depois, quando o guindaste retirou um dos containeres. Não tinha vida social, ninguém deu falta. Mais tarde, já de manhã, Claude encontrou-se com Salvatore em sua casa.

- O cartel está conseguindo muito dinheiro com aquela merda de SPANK. Mas se nós fizermos um ataque aberto, eles vão puxar nosso tapete. Eles devem estar fazendo SPANK naquele grande cargueiro que Curly te levou. Nós devemos usar nossas cabeças, ou melhor, uma cabeça. Sua cabeça. Estou te pedindo para destruir aquela fábrica de SPANK como um favor pessoal para mim, Salvatore Leone. Se você fizer isso por mim, você será um homem honrado, terá tudo o que quiser. Vá ver Bola Oito, você precisará de sua experiência para afundar aquele cargueiro.

Claude saiu de lá feliz, e foi procurar Bola Oito. O céu rugia e brilhava, nuvens negras cobriam Liberty City. E em breve, choveria sangue.

Capitulo 18

Claude voltou até a garagem de Bola Oito, lembrou de quando matou Boca Forelli, bem no começo de sua vida em Liberty. A porta da garagem estava fechada, caminhou até uma pequena porta próxima a garagem. Bateu nela e Bola Oito atendeu, sem sair da casa.

- Fala meu chapa! Salvatore me ligou agora a pouco, um trabalho como esse precisa de muitos fogos. Eu preciso de 100.000 dólares para cobrir as despesas, mas você sabe que comigo ninguém perde. Volte depois quando você tiver o dinheiro, mano.

Era algo para si mesmo. A recompensa viria depois de dois jeitos – A vingança seria concluída e teria a lealdade de Salvatore. Em uma hora, trouxe o dinheiro em uma maleta, em notas de 100 e 50. Era seu próprio trocado. Já era noite, quando bateu novamente à casa do mecânico.

- Certo, vamos fazer isso! – E pegou uma caixa pequena. – Eu posso colocar esse bebe para detonar, mas ainda não posso usar essa maravilha com minhas mãos. – E deu um rifle com mira para Claude. – Aqui, esse rifle vai te ajudar a estourar algumas cabeças!

Pegaram o furgão do Bola Oito e seguiram para Portland Harbor, onde o cargueiro estava. A chuva despencou no meio do caminho, as ruas estavam vazias. A natureza parecia auxiliar Claude nesta missão. Chegaram até o porto.

- Pegue um ponto de vantagem. Eu irei quando você der o primeiro tiro!

Saiu do veículo e correu para trás de um caminhão estacionado. Claude viu uma escadaria que levava até o telhado de um armazém. Pegou seu rifle e seguiu.

Era um cargueiro azulado, cheio de containeres. Uma grande e pesada rampa de madeira dava acesso ao navio. Claude pode ver, do topo, vários vigilantes andando de um lado para o outro. Alguns estavam, inclusive, portando metralhadoras. A chuva havia diminuído o fluxo deles pelo local.

Era um momento de nervoso, as mãos de Claude tremiam. Respirou fundo três vezes. Mirou o rifle novamente, mirou na cabeça de um dos latinos que conversava. Mas foi aí que viu alguns latões vermelhos, de combustível. Se o acertasse, causaria uma explosão, o que mataria dois. Perfeito. Mas então pensou que o barulho iria colocar para fora todos os seguranças, e Bola Oito viraria uma peneira.

Resolveu atirar no segurança, a cabeça abriu como um tomate. O colega se assustou, e o atirador não tardou em matá-lo também. Foi rápido: Em 5 minutos os seis vigias estavam no chão, mortos. Havia alguns longe, que não veriam Bola Oito, e nem sequer perceberam. O Cartel Colombiano não perecia tão esperto a esta altura, mas a pior parte viria com Bola Oito indo na parte interna. E se algum estivesse lá, apenas espreitando o preto?

Quando Bola Oito entrou lá, seguiu por um corredor apertado repleto de tubulações. Embora não fosse a casa de maquinas como ele esperava, era o único que causaria danos severos na estrutura da embarcação. Colocou a caixa no chão, abriu. Puxou um fio, disparando um timer feito com relógio digital. Havia uma caixa preta por baixo, onde estavam os dispositivos. Ouviu uma voz e quando olhou pro lado viu um gordo latino usando chapéu e camisa florida. Saiu correndo dali, e o guarda atrás dele.

Claude esperou. Aqueles dois minutos se passaram como se fossem meses. Bola Oito saiu correndo em disparada. Um latino saiu correndo de dentro do navio, atrás dele. Não adiantava mirar e atirar, os alvos estavam se locomovendo muito rápido. O guarda gritou, e dois vieram correndo na direção dele. Claude lançou seus braços para o rosto. Um clarão saiu do navio, e depois outro mais intenso. Ainda se defendendo, olhou pela fresta entre os dois braços e viu um guarda caindo no mar e o navio tremendo todo. Bola Oito correu para a rampa e caiu descendo a rampa rolando.

A rampa soltou-se do barco, levantou-se e caiu na água. Os latinos gritaram, mas a frente do navio ergueu-se e os guardas caíram rolando. Bola Oito virou-se para o navio e começou a ver-lo afundando. Claude desceu a escadaria correndo, pulou no furgão. Bola Oito entrou e rapidamente eles seguiram para a garagem do negro. Comemoraram no caminho, haviam concluído a missão.

Aquilo finalizava um episódio da Família Leone. Corpos surgiam na praia até um mês depois do acontecido. Em todos os jornais saia a noticia de que, no cargueiro, o Cartel Colombiano produzia SPANK. Os viciados até mergulharam procurando algum bagulho! Quando Claude perguntou ao Bola Oito se ele havia visto Catalina, ou Miguel, ele não soube responder. Mas garantiu que se estivessem naquele navio, há esta hora, teriam peixes saindo de todos os seus orifícios. Dias felizes se apontavam.

Claude recebeu 150.000 dólares em dinheiro vivo, jantou com os rapazes, comemorou com Stabile e Goterelli no clube. Foi um fim de semana animado, ele se sentia fazendo parte do negócio. Soube no domingo a noite que Salvatore queria vê-lo na segunda pela manhã. Mal conseguiu dormir.

Seguiu, por volta das 10 horas, para a casa de Sal. Chegou um pouco atrasado, o transito estava confuso. Haviam terminado os reparos na Ponte Callahan, e todos os carros mudaram seu trajeto. O encontrou no sofá, degustando um charuto.

- Veja, esse é o meu faxineiro favorito! – E levantou-se para saldar o homem.

- Estou orgulhoso de você, meu rapaz. – Sentou-se. – Você chutou aqueles merdas pra longe daqui. Eu tenho apenas um pequeno favor para você antes que todos nós possamos celebrar. Há um carro em um beco próximo ao clube do Luigi. Está cheio de cérebros. Nós íamos ajudar alguns rapazes a pensar melhor, mas isso se mostrou ser um pequeno engano. Pegue-o e leve para o ferro velho antes que a policia encontre.

Claude saiu animadamente e foi rumo ao clube do Luigi, depois de pegar a chave com o velho.

Na estrada, já descendo St. Marks faltando apenas alguns metros para chegar, o pager de Claude toca. Estava sobre o banco do carona. O pegou e olhou, havia a seguinte mensagem:

- Aqui é Maria. O carro é uma armadilha. Me encontre no pilar sul da Ponte Callahan.

Claude não deu muita idéia. Já havia sido traído vezes o suficiente para duvidar de qualquer coisa. Mesmo assim, seguiu na direção do beco. Ao chegar, viu um Cheetah lilás estacionado próximo a uma escada e foi caminhando até ele. Era um dia claro, mas o beco ainda estava molhado pelas chuvas do dia anterior. Vento fresco, céu azul.

Abriu a porta do carro e olhou em volta. Entrou, sentou no carro. O ligou. No radio tocava a estação Double Clef FM. Sorriu, e começou a pensar em porque a Maria mandaria aquela mensagem. Odiou ela por alguns segundos, ela parecia ser aquele tipo de mulher que corrompe os homens, os fazendo pecar.

Pisou no acelerador e o radio chiou, dando uma interferência. Claude escutou um ruído, semelhante ao que o caminhão de lixo soltou antes de acabar com a fabrica. Chamas começaram a pular do ar condicionado e do painel, incendiando sua jaqueta. Claude chutou a porta, e quando saiu, uma labareda saiu de trás do carro, a frente explodiu fazendo o capô voar longe. O motorista foi lançado para o fim do beco pelo impacto e o carro foi pelos ares. O som foi tão alto, que todos os transeuntes correram até o local pra ver o que acontecia. Em instantes, só havia um cilindro de fumaça negra subindo. O carro explodiu novamente.

Claude levantou-se batendo com a jaqueta na parede para apagar o fogo e foi se afastando. Saiu correndo empurrando as pessoas que chegavam, pegou seu veículo e acelerou a toda até o lugar que Maria falou. No caminho pensou se o automóvel era mesmo uma armadilha, talvez alguém tivesse plantado a bomba. Bola Oito o havia traído, os Leone também. Chegou até um píer, onde havia um barco parado. Maria e uma asiática estavam esperando por ele.

- Escute – E foi caminhando nervosa até Claude. – Salvatore pensa que nós estávamos negociando nas costas dele, então ele ofereceu você como forma de fazer um trato com o Cartel. Eu não podia o deixar fazer isso, é tudo minha culpa… Porque eu disse a ele que nós éramos um detalhe. Não me pergunte porque. Eu já vi muita morte, muito sangue!

A asiática, esbelta e de cabelos curtos, vestindo uma blusa preta de mangas cumpridas, aproximava-se. Era sedutora, e transbordava força e perigo. Um perigo diferente do de Maria. Enquanto Maria parecia capaz de trazer problemas, a outra parecia ser ela mesma a causadora dos problemas.

- Essa é uma amiga minha de muito tempo… é Asuka, ela é alguém em que podemos confiar.

Claude e Asuka se encararam.

- Vamos, chega de conversa. Melhor nós sairmos daqui antes que mais italianos histéricos apareçam para mostrar sua amizade.

A voz da mulher era abafada, com um pouco de sotaque. As duas foram caminhando para o barco e Claude as seguiu e olhou para trás. O estimado homem era agora odiado. Teria de largar Portland. Perguntou se tudo aquilo teria valido a pena de verdade.

Subiu no barco, pegou a direção e seguiu as indicações de Asuka. Portland ficava para trás, assim como muito de si mesmo.

Capitulo 19

No domingo pela manhã, Salvatore recebeu um telefonema. Era Miguel, que ofereceu o trato. Que é que podiam fazer? Os Leone estavam fragilizados e não podiam arriscar toda a estrutura da Família por um homem que nem sequer fazia parte deles. Maria, por sua vez, havia dito muitas coisas que desagradaram o velho. Notara que sua esposa estava interessada pelo forasteiro e pensou que se ela se unisse a Claude, os dois acabariam ganhando às suas custas.

Logo, tudo foi arrumado. Não contou nada a Luigi ou Joey, deixando a informação apenas com Cipriani, que de imediato acatou a idéia. Era uma decisão do Don, afinal, e ele já tinha provado da paranóia do italiano. Chamou Stabile então, por conta de sua condição. O mafioso correu até Staunton e comprou um Cheetah e levou até Portland. Sob ordens do velho, levou o carro até o Bola Oito.

- Ei, quem você vai empacotar com este carro, irmão? – Questionou Bola Oito, enquanto instalava os explosivos.

- Cuide de seus negócios, preto. Isso não tem nada haver contigo… E mantenha sua boca fechada!

Bola Oito explicou tudo sobre como preparar a bomba, com desagrado. Stabile havia confrontado ele. Segunda bem cedo, quando o sol mal havia acabado de aparecer, estacionou o carro no beco e deu o fora.

Salvatore contou toda uma história diferente para Claude, assim não criaria dúvidas. E nem teria como alguém duvidar de algo, o rapaz havia quase se suicidado. Relaxou em sua cadeira, fumou seu charuto. Agora sim havia concluído todos os seus problemas. Dessa vez, poderia ir ao Luigi e se divertir com as mulheres.

São assim que as coisas funcionam, afinal.


***

CONTINUA NA PARTE 6

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9 (FINAL)

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