Episódio 82 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.6

Capitulo 20
O barco cruzou o pedaço de mar até alguns piers em Staunton. Parou o barco
e os três saíram, subindo um longo lance de escadas e chegando até um luxuoso prédio com tons avermelhados e piscina em Newport.
- Asuka e eu vamos conversar um pouco e, uh… Por que não vai dar uma volta por aí? – Falou Maria, um pouco desconsertada.
- Você precisa de um lugar para se esconder agora. Há um lugar onde guardo coisas em Belleville que vai ser útil a você. Volte ao meu condomínio assim que estiver pronto, e aí teremos uma conversinha.
A japonesa deu 20.000 dólares para Claude se estabelecer por lá e deixou que ele usasse um Blista, espaçoso carro que estava estacionado no longo pátio. Havia alguns conversíveis caríssimos e um jardim cuidado com habilidade. Ficava próximo há um porto e dali se podia ver Portland, até mesmo ouvir as gaivotas. Pegou o carro e seguiu.
Staunton é o centro comercial de Liberty, dominada atualmente por diversas facções, inclusive a Yakuza. Há anos atrás, os Forelli e Sindacco tinham neste lugar a sua casa. Milhares de turistas seguem, anualmente, para esta região da cidade em busca de entretenimento. Possui teatros, cinemas e imensos grupamentos empresariais. Os shoppings são uns dos melhores da América, tendo inclusive grandes complexos da loja Zip. Claude via mais
oportunidades ali, mas prometeu a si mesmo que não confiaria em mais ninguém. Agora deveria acabar com Salvatore e principalmente, Catalina.
Cruzou a cidade com ajuda das placas e chegou rapidamente em Belleville. Era um alto prédio com larga garagem. Era enfurnado dentro de um beco um pouco sujo, mas de toda forma, era um lugar difícil de se invadir. Entrou pelo elevador de pesadas portas e seguiu até o local oferecido por Asuka. Era um pequeno apartamento cheio de caixas e quinquilharias. Claude achou uma cama de ferro desmontável e a arrumou. Estava apenas com uma pistola – todo o resto havia ficado no Eddie’s. Hora ou outra precisaria voltar e buscar tudo o que deixou lá, inclusive dinheiro. Isso se ninguém houvesse já entrado e pego todas as coisas.
Tomou uma ducha e foi ao frigobar e fez ovos mexidos, tomando com vinho. Não era a melhor das misturas, mas precisava se alimentar. Descansou um pouco na dura cama, utilizando um colchão rasgado que encontrou escorado à parede. Toda hora olhava pelo tímido basculante para ver se ninguém o espionava. A esta altura, Salvatore já sabia que ele não havia morrido.
Por volta das 20 horas, com o céu já escuro e a lua reluzindo no mar, Claude foi até o condo. Maria estava na beirada da piscina, sentada e acenou para Claude. Asuka apareceu vindo de dentro da construção. Vinha decididamente olhando o rapaz, apressada.
- Nós temos que deixar tudo claro antes de começar qualquer forma de relacionamento, negócios ou qualquer outra coisa. – Começou a andar ao lado de Claude, passeando por volta da piscina. – Vamos pôr nossas cartas na mesa. Eu sou da Yakuza e eu sei que você trabalhou para a família de Salvatore Leone. Posso te dar trabalho em nossa organização, mas primeiro você deve provar para mim que seus laços com a máfia estão verdadeiramente cortados. – E olhou nos olhos de Claude, buscando alguma hesitação. Era astuta. – Salvatore Leone estará deixando o Luigi’s em três horas. Tenha certeza de que ele não vai deixar aquele clube vivo. Enquanto isso, Maria e eu vamos lembrar os velhos tempos.
- Oh… Asuka, você tem um massageador. – Comentou de longe, Maria.
- Isso não é um massageador.
Com isso, Claude saiu dali deixando as duas a sós. Caminhou até o píer em passos rápidos e pegou o mesmo barco que havia fugido de Portland. Seria perigoso pegar a ponte Callahan e passar tanto pelo território da Tríade, quanto dos Leone. Assim sendo, foi até o mesmo local que encontrou Maria e ancorou. Rapidamente correu até o Eddie’s entrando pela janela dos fundos, pensando na possibilidade do lugar estar sendo observado. O lugar continuava intacto, como se ninguém houvesse pisado lá. A televisão até continuava no stand by, como na última vez.
Foi até debaixo da cama e puxou uma longa caixa de madeira. A abriu, pegou o rifle de longa distância e algumas balas, dando uma rápida limpeza e ajeitando-o. Foi no banheiro e pegou uma maleta atrás da descarga, onde estava maior parte do seu dinheiro e correu até de baixo do colchão, pegando o restante. Não haviam tocado em suas coisas, mas Claude tinha a intuição que alguém entrou ali, ou no mínimo, entraria. Deixou tudo no barco, escondido, levando apenas o rifle dentro da caixa de madeira.
Faltava meia hora, correu para o Distrito da Luz Vermelha. Foi a pé até o local onde o Cheetah com bomba havia sido armado para ele e subiu a escadaria de ferro. Caminhou no topo do pequeno prédio, que dava para frente do Clube do Luigi. Tirou a arma do estojo e começou a prepará-la, mirando ela, observando os ângulos. A rua estava movimentada, táxis subiam e desciam e vários jovens bebiam próximos aos seus carros.
Claude tremia, suava frio. Seria uma ação perigosa demais. Ele iria matar agora Don Salvatore, o homem mais poderoso de Portland naquele momento. Um velho que havia matado muitos homens e exterminado organizações inteiras. Mas era preciso ser feito, agora precisava se vingar e ganhar novos aliados para sua outra vingança. Vira um carro da máfia estacionado na esquina e outro próximo ao clube.
Em cinco minutos vários seguranças começaram a sair, portando armas em publico mesmo. Um deles, inclusive, era Stabile. Todos andavam olhando para os lados, de terno e óculos escuros. Cercaram a saída dos fundos, tendo dois de cada lado do corredor e outros dois afastando as pessoas da rua. Era possível ver que Leone temia por sua vida.
No fim da rua, a limusine que Claude havia dirigido tanto se aproximava devagar. O rifle foi apontado e o olho esquerdo foi até a mira. Quando o velho apontou, exibindo todo seu poder em seus passos duros, Claude pensou em desistir. Tirou o olho da mira, pensou um pouco, e voltou. Iria matá-lo agora.
Apertou o gatilho.
Um disparo ecoou pela rua e o tiro, que era para acertá-lo na cabeça, pegou na parede.
Salvatore olhou para o lado, vendo um buraco enorme no muro. Os guarda-costas olharam para o topo do prédio.
Os olhos de Salvatore arregalaram, sua respiração ficou ofegante. Claude não tinha tempo, mirou para o peito dele e atirou. O Don foi baleado agora. O impacto foi tão forte, que fez tremer todo o seu tórax, mas não o fez cair. Um jato de sangue saiu de suas costas sujando o chão e o velho grunhiu, dando alguns passos tortos para a frente.
Um dos mafiosos gritou ao ver Claude, e quatro seguiram para o beco. Salvatore parou de cambalear e caiu na calçada, sendo cercado por um guarda-costas e Stabile, que tentaram socorrê-lo. O esfíncter retal do velho não resistiu, soltando os detritos. O impacto foi grande e estremeceu seu corpo. Os pedestres saíram em disparada ao ouvir o disparo e os motoristas deram ré. Uma poça de sangue começou a pintar a calçada, escorrendo pelo meio fio enquanto o Don falava coisas em italiano à beira da morte. O tiro havia furado um de seus pulmões e agora o sangue o invadia, impedindo sua respiração.
Claude desceu até a metade da escadaria correndo e foi surpreendido por quatro homens que começaram a disparar contra a escada, o fazendo voltar. Um máfia sentinel passou em disparada quase atingindo um carro policial próximo, que não parecia agir. Os atiradores começaram a subir a escadaria. O rapaz pulou no beiral e se jogou, caiu no chão rolando e um pouco machucado.
Apontou o rifle para um táxi estacionado e o motorista saiu correndo. Entrou no carro que acabara de roubar para que fugisse dali. O táxi foi alvejado pelos tiros de pistola e uzi dos homens de terno, os vidros foram quebrados. Mas Claude tinha uma vantagem de alguns segundos, que o permitiu viver. Acelerou, passando por cima da calçada e arrancando tudo o que estava pregado no chão. Dois carros da máfia começaram a segui-lo. A toda velocidade, seguiu pelas ruas que iam até a ponte para despistar, para faze-los pensar que ia pegar a ponte Callahan, mas depois contornou pegando a rua do Greasy Joe e foi até o píer.
Subiu no barco e foi para o condomínio.
Na porta do clube do Luigi, um monte de transeuntes começaram a se aglomerar em volta de Salvatore. A limusine parou e o chofer saiu correndo, os quatro homens que tentaram atirar em Claude se separaram correndo pela rua.
Luigi e Hamfists se aproximaram correndo, Cipriani veio segurando uma pistola.
- Ah meu Deus do céu! – falou Luigi, colocando as mãos na cabeça.
Hamfists pegou o celular e começou a discar para a ambulância, embora fosse tarde demais.
- Mio Dio… – Cipriani abaixou-se devagar ao lado do Don, fechou os olhos e começou a chorar.
De longe, bem perto a porta dos fundos do Clube, Joey observava aterrorizado. Para ele seu pai era quase imortal, jamais imaginaria ver o pai assim, morto em uma calçada sujo de fezes e de seu próprio sangue. O velho estava arruinado. Joey não teve reação, continuava observando a cena de longe com os olhos arregalados e cheios de lagrimas. Pensava nos momentos que teve com a família.
As sirenes da policia começaram a tocar, os apitos dos guardas de transito também. Stabile e os outros tentavam afastar as pessoas, mas estavam todos muito curiosos. Um vento frio correu pela rua, balançando o branco cabelo do velho. A expressão de seu rosto, no entanto, era calma. Nem a morte o havia roubado a presença poderosa. Lá estava Don Salvatore Leone, embebido em seu próprio sangue, vitima de seu próprio pecado.
O enterro do Don encheu-se de pessoas, e até mesmo com chefões da Califórnia e Detroit. Salvatore foi enterrado como se apenas estivesse dormindo. Sua expressão era ainda ameaçadora, poderosa.
Agora a família tinha um destino improvável. Quem iria assumir? Cipriani ou Joey? Tudo isso ficou muito incerto e em poucos dias já era possível o número inferior de italianos andando pelas ruas. Muitos homens morreram junto com o Don, afinal, sua proteção tinha ido embora. Grande parte das conexões com o judiciário acabaram também.
O império desmoronou e em pouco tempo ricos empresários ameaçavam o que Luigi havia construído, Hamfists já não era tão confiável, afinal parte do poder de Goterelli havia morrido. Os jornalistas abarrotaram o restaurante de Ma Cipriani para saber do acontecido e isso foi péssimo para a imagem do lugar. Joey Leone foi levado para depor. Portland era agora terra de ninguém.
Claude ficou quase um mês escondido e aproveitou o tempo para descobrir os lugares da cidade em que se vendiam armas, sendo bancado pelos japoneses. Era um associado à Yakuza agora. A policia tentou rastreá-lo, mas sem sucesso. Os italianos, por sua vez, relacionaram o assassinato com o desaparecimento de Maria Latore. Uma investigação teve início.
Capitulo 21
Numa manhã de domingo, chuvosa, Claude foi visitar Asuka. Ao chegar lá, encontrou um rapaz oriental de cabelos raspados e estatura média, usava uma roupa preta. Mostrava-se como um homem sério, de negócios. Tinha certa classe e calma, suas orelhas eram pequenas para sua cabeça, que era levemente oval. Asuka estava sentada em uma cadeira, à beira da piscina com seus cabelos curtos ao vento. Era a hora de se tornar grande em Staunton.
- A morte de Salvatore foi uma agradável noticia. Você é um assassino eficiente. Eu gosto disso em um homem. – Olhou o oriental – Este é meu irmão Kenji.
Kenji reverenciou Claude, abaixando um pouco a cabeça.
- Asuka tem um pequeno trabalho para você, mas quando terminar vá ao meu cassino e nós poderemos conversar. – Falou brevemente e se retirou. Seu sotaque era muito carregado, como o de um turista.
- Típico de Kenji, sempre tentando brincar com meus brinquedos. Meu contato na policia indicou que a Máfia está lhe rastreando pela cidade, para te matarem. Nós não podemos continuar as operações enquanto eles estiverem fazendo isso. Livre-se destes espiões imbecis e termine com esta vendetta de uma vez por todas.
Deu em sua mão um bilhete da área em que eles atuavam e fotos de todos eles. Claude prontamente atendeu. Naquela tarde, o rapaz assassinou dois Leone que estavam no Parque Belleville, próximo ao seu esconderijo. Um corpo ficou estirado na água, e outro em um coreto. Foram metralhados. O mesmo destino teve, uma hora depois, dois mafiosos em um furgão Rumbo preto nas proximidades. Os últimos cinco restantes estavam em um apartamento de frente para o museu de Kenji. À noite, depois de dar uma bolada para o porteiro, Claude seguiu até o apartamento. Tirou a metralhadora de uma mochila e fuzilou todos os italianos que dormiam. Na saída, lançou uma granada arrasando o lugar. Dentre estes que dormiam, estava Stabile. Morreu dormindo e jamais saberá que foi Claude que o matou.
Alguns dias depois, Claude foi conhecer Kenji Kasen. Seu cassino ficava em
Torrington e era um lugar luxuoso. Tinha um heliporto e um helicóptero pessoal. Milhares de pessoas iam para perder dinheiro nas maquinas de tema oriental. A maioria dos funcionários era de orientais, os que não eram trabalhavam como faxineiros. Passando pela bem decorada casa de jogos, Claude chegou até uma área temática, lembrando um templo japonês.
Ao entrar na sala, viu Kenji conversando com um yakuza que ao vê-lo pulou da cadeira e encarou o homem. Kasen pediu que o homem se acalmasse, e ele saiu. Havia algum preconceito ali e isso era nítido. Claude saudou o patrão da maneira nipônica, mas permaneceu de pé.
- Minha irmã falou muito de você, mas eu preciso me convencer que um gaijin não me decepcionará. Penso que você pode me ajudar a lidar com uma situação incomoda. Claro que falhar causaria a sua própria desgraça. Um kanbu da Yakuza está em custodia esperando transferência para seu julgamento. Ele é um valioso membro da família. Tire-o de lá e leve até seu dojô em Bedford Point.
Claude pensou em tudo: Era cedo, 9 e pouca da manhã. Roubou um carro da policia em Aspatria enquanto o oficial conversava em uma lanchonete e plantou uma bomba em uma das garagens da Yakuza. Levou o carro até a
delegacia e antes que percebessem ser uma fraude, explodiu a parede da cela em que o kanbu estava estacionando e ativando a bomba do lado da parede. Havia marcas de sangue pra todo lado e duas pegadas de mãos ensangüentadas, provavelmente derivadas de um estupro. Em 10 minutos depois, Claude levou a salvo o kanbu em outro automóvel da policia. Até ligou a sirene.
Kenji ficou feliz e lhe concedeu outro trabalho, que foi roubar três carros para presentear alguém. Claude levou os três carros impecavelmente. Os roubou o stinger de um diretor do Liberty Tree, Infernus de um jogador e um luxuosíssimo cheetah de um cirurgião espinhal. Alguns orientais odiavam Claude, outros os reverenciavam. Era um bom assassino e um grande motorista.
Claude estava trabalhando bem para a Yakuza, mas não mais igual como com os Leone, tinha o prazer de ser como um cão adestrado. Um tal de King Courtney o convidou para trabalhar, o homem estava famoso mesmo.
Eram trabalhos sujos. O jamaicano mandava os trabalhos por um telefone
público em Liberty Campus, como costume. Era o líder dos Uptown Yardies, gangue de rua formada por refugiados e imigrantes jamaicanos. O negro era louco por corridas de carro, e todos eram iniciados participando de uma corrida. Envolvidos em assalto, trafico de drogas, prostituição e guerras territoriais, eram o tipo de criminosos que nunca teriam a chamada “classe”. Acomodavam-se em sua pobreza, a atuavam oprimindo todos que sofriam dela e tentavam roubar um pedacinho de todos os ricos. A policia sempre ia atrás deles primeiro, por serem pequenos e mexerem com drogas. Desfilavam em carros antigos lowride com estofado de leopardo ouvindo reggae e fumando uma maconha. Claude precisava de todo tipo de aliado e dinheiro, então aceitou mesmo o considerando um otário.
Claude provou seu valor nesta corrida pela cidade. Depois, teve que contra
vontade matar alguns Diablos que, segundo Courtney, haviam desrespeitado sua mulher Queen Lizzy. Claude pensava em quem teria a idéia de transformar em rei um preto tão babaca como aquele. Outro trabalho foi Claude roubar três carros. Pegou um escondido de Asuka, outro de um Diablo que conversava em Hepburn Heights e se meteu na Pequena Itália de Liberty, colocando-se em risco, para roubar um dos carros da máfia. Portland estava realmente perigosa.
- Escuta! Vá até Bedford Point. Pegue uma encomenda pra mime m um velho carro. Eu preciso agora!
O problema veio quando o jamaicano pediu a Claude para que resgatasse uma encomenda em um velho carro num estacionamento em Bedford Point, e pediu que o fizesse rápido. Claude o fez, seguiu até o estacionamento naquela noite de quinta-feira. Claude sentiu um mau pressentimento quando falou pelo telefone, ele agia de forma estranha, afoito e no crime isso significa efeito de drogas ou armadilhas.
No estacionamento, bem no meio, estava o Esperanto que o preto indicou. Claude caminhou até ele, o conferiu em baixo, aos lados. O abriu e procurou debaixo do banco. Abriu o motor. Não encontrou nada. Imaginou que houvesse uma bomba naquela lata velha. Não achou nada, então pegou uma mala de viagem no banco de trás e abriu. Ela tinha apenas um bilhete.
- Soube que você se tornou um cara ocupado, eu também sou uma menina ocupada. Vou te mostrar de uma vez por todas! Besos y fudidas. PS: Morra cachorro, morra! – e no fim a assinatura de Catalina.
Antes que Claude se perguntasse o que tudo aquilo significava, escutou freadas fortes. Olhou em volta e viu furgões parados, fechando todas as saídas do estacionamento. Havia quatro furgões Pony, a porta de um deles se abriu e saiu um homem de cabeça raspada e olhar maníaco, muito pálido e de enormes olheiras. Usava um colete e tinha explosivos no peito.
- Venha aqui! Tenho uma pequena entrega pra você! – E riu, quase diabolicamente.
Eram viciados em SPANK, que se tornaram homens bombas na esperança de ganhar alguma cheirada de graça. Correram todos na direção de Claude, que chutou a porta do veículo e tirou sua pistola, atirando no tórax dos viciados.
Explodiam da mesma forma que bolos de carne caem no chão. Claude não via jeito de fugir, e a única forma que viu era atirar. Corria pelo estacionamento e disparava. Quando um dos viciados saía do furgão, o acertou no peito. Quando ele explodiu, detonou os outros viciados que estavam dentro daquele furgão e mandou pros ares um dos veículos. Apesar de serem perturbadores, não podiam contra a mira aguçada de um assassino profissional.
O cheiro de sangue e carne queimada estava muito incomodo. Assim como a fumaça que derivava das explosões. Isso deixava Claude tonto, mas nem tanto quanto a única pergunta que assolava sua mente agora: Como uma substancia poderia causar tanto caos?
Aparentemente, todos os loucos foram mortos. Haviam braços carbonizados, pedaços de carne no chão. Um furgão se incendiava enquanto outros dois estavam vazios com todas as portas abertas. Um corpo mutilado havia se misturado ao muro. Haviam buracos no chão devido às explosões e alguns carros destruídos. Os alarmes dos automóveis formavam um coro endiabrado.
Havia um pony com a porta da mala fechada. Claude começou a se aproximar do furgão e deu um tiro nele. Sem sinal. Aquilo tudo parecia ter terminado. O rapaz queria matar o jamaicano, mas ele era peixe pequeno. Foi corrompido pelo Cartel Colombiano. Deu as costas e seguiu em direção a rua antes que as autoridades chegassem.
Foi então que ouviu um riso agudo e um barulho de porta se abrindo. Quando virou, apontou a arma para o ultimo viciado. No desespero, atirou. O viciado explodiu apenas a poucos metros dele, e o impacto lançou Claude longe. A ultima coisa que ele viu foi um clarão e o barulho de carne se desprendendo dos ossos.
Quando acordou, se viu dentro de uma ambulância. Olhou em volta sem entender, tinha curativos por todo o corpo. Viu um japonês conversando com outro dentro, e quando viram Claude, chamaram por alguém.
- Tudo vai ficar bem agora, relaxar. – Falou o motorista com um inglês horrível.
Claude havia sido explodido. O impacto o lançou de costas em um carro. Quando a policia chegou, encontrou o fugitivo que caçavam há muito tempo. A ambulância estava o levando para o hospital, mas antes que chegassem até seu destino, os japoneses interceptaram e seqüestraram o veículo. Evidentemente, Asuka mandou alguém de sua confiança seguir ele a todo o momento. Sabiam de tudo, até do carro roubado. Mas ela o perdoou e decidiu fingir que não sabia. Claude era um item, não um membro da Yakuza. Claude não se importou.
Capitulo 22
As coisas corriam bem. Claude havia acabado de afundar um paparazzi voyeur que espionava Asuka e Maria de um barco. As duas estavam viajando agora, aproveitando umas férias. Não podia parar, já havia ficado uma semana afastado desde a explosão. Agora os Yardies odeiam-no, tentando sempre ataca-lo quando passa por seu bairro.
Foi até o cassino, a noite, para prestar seus serviços ao japonês. Foi até o escritório temático do chefe, que o recebeu levantando rapidamente e caminhando até ele.
- Quando o problema enrola, o idiota dá as costas, enquanto o sábio os enfrenta. O Cartel Colombiano tem ignorado diversos pedidos para deixar em paz nossos interesses em Liberty. Agora eles estão negociando um acordo com os jamaicanos para nos humilhar. Pegue um dos meus homens, roube um carro dos Yardie e então vá cobrar o respeito dos Colombianos. A honra diz que ninguém deve sair vivo!
Foi um trabalho fácil. Não foi difícil balear na cabeça o maconheiro e joga-lo no mar. Claude odiava o Yardie Lobo, para ele, era uma monstruosidade o que faziam com aquele antigo modelo. Em 15 minutos chegou até o ponto de encontro, o mesmo japonês que o havia encarado dias antes entrou no carro. Não falou nada, apenas entrou. Era o informante da Yakuza. Rapidamente, seguiram para o Hospital de Staunton e de longe já puderam ver dois cartel cruiser estacionados.
O local estava escuro, uma fina neblina descia no lugar, o suficiente para desfocar as luzes. Era por volta das 21 horas, e estava frio. Claude estacionou o carro e buzinou. Os quatro latinos saíram do carro, um deles carregava uma mala. Afetar o Cartel Colombiano era, para Claude, um imenso prazer. Claude estava preparado. Quando eles se aproximaram, chutou a porta, retirou sua pistola e alvejou os homens. O japonês por sua vez, saiu e disparou com sua uzi. Foram disparos rápidos, logo os quatro estavam mortos no chão.
O japonês caminhou até o que carregava a mala e o chutou. Pegou a mala e foi andando até o estacionamento e fez sinal para que Claude fosse até um dos carros estacionados. Pegou o carro e o yakuza entrou. Pensara no porque desta atitude, e logo imaginou que fosse uma tentativa de incriminar os jamaicanos. Claude saiu dali em um kuruma avermelhado, levando o oriental até o cassino. A missão estava cumprida, e ele tinha a certeza que aquele homem não gostava dele.
Dessa vez, Claude se sentia finalmente em guerra com o Cartel Colombiano. Ataca-los era o mesmo que minar as forças de Catalina. Hora ou outra, ele arrebentaria seu tórax com tiros. Hora ou outra, ele morreria se não fosse esperto.
Prometeu a si mesmo que não seria traído. Todo o inferno que ele já havia passado não se comparava com esta cidade. Ela parecia ter sido feita, engenhosamente, pelas forças do mal. Nunca fora religioso, mas Liberty era uma tentação para se fazer orações.
Quando Asuka voltou, foi visitá-la. Estava como sempre, sentada em sua cadeira de praia. O recebeu calorosamente.
- Aí está o meu belo capanga! Maria está presa no momento, mas direi a ela que você ligou.
- Quem está aí? Asuka? Eu sei que fui uma menina bem teimosa mas eu preciso muito mijar! OK? – Gritou Maria lá de dentro.
Claude sentou-se na cadeira ao lado.
- Chegou a hora de você conhecer nosso homem dentro da policia. Aqui está o pagamento pelo ultimo trabalho que ele nos fez. – E deu um envelope na mão de Claude. – Ele é incrivelmente cuidadoso. Vá ao telefone publico em Torrington o mais rápido que puder e aguarde suas instruções.
Claude fez este trabalho rindo. Cruzou Staunton inteira atendendo telefones para, no fim, descobrir que o tal policial estava em um banheiro de Belleville o tempo todo. Tudo isso para que não fosse encontrado.
Entrou no sujo banheiro que ficava em uma descida do parque. Era o típico banheiro sujo, com portas enferrujadas e azulejos brancos encardidos. Quando entrou, se deparou com um rechonchudo homem de meia idade. Seu terno era cinza, seu cabelo grisalho e olhos azuis. Tinha um rosto com manchas e borrachudo. Parecia descontrolado.
- Você deve ser o novo garoto da Asuka! Você trouxe o dinheiro? Está tudo
aí? Eu sei o que você está pensando, outro policial louco. Bem, o mundo é louco. Só porque eu perdi alguns parceiros, estes imbecis dos assuntos internos começaram a me bisbilhotar. Eles estão me farejando. Bem, essa cidade é apenas um grande esgoto aberto! – Gritou levantando os braços. – Mas eu devo pedir ajuda a alguém que não é do sindicato. Se você estiver interessado, você sabe onde me encontrar.
Claude nem sequer podia imaginar como seriam os serviços para esse policial. Era um homem lunático, estressado, que talvez não fizesse sexo há anos.
Tudo começava a caminhar para os finalmente. Catalina dessa vez não poderia corromper a Yakuza, que se estendia alem mar. Não eram mais italianos que se traíam tampouco chineses ou jamaicanos de baixa-renda.
***
CONTINUA NA PARTE 7
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 7
PARTE 8
PARTE 9 (FINAL)
Related posts:
- Episódio 52 – Você é um lutador?
- Episódio 68 – C’est la mort
- Episódio 70 – Sobre Salvador Abílio
- Episódio 71 – Enchanté, mon amour
- Episódio 73 – Ladies Night
- Episódio 74 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.1
- Episódio 76 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.2
- Episódio 77 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.3
- Episódio 78 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.4
- Episódio 79 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.5


















