Episódio 83 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.7

Capitulo 23
A Yakuza é uma das maiores organizações criminosas do mundo e isso ninguém pode duvidar. É dividida em diversas famílias, que unidas formam uma só organização. Operam em todo o mundo e as áreas de operação variam de grupo para grupo.
A família Kasen chegou aos Estados Unidos em 1991, tendo em 1998 se mudado para Liberty. Foi com o trafico de armas que eles tiveram seu forte inicio, e posteriormente até mesmo contrabando de pessoas. Espalharam-se por Staunton, especialmente Torrington e Aspatria. Hoje, entretanto, estas áreas são competidas por outras gangues que cresceram com a ajuda do SPANK. Mas, justamente aí, começou os problemas com a Família Leone. Esta é uma cidade maldita, mesmo.
Toshiko, esposa de Kazuki, líder da Yakuza naquele tempo, traiu sua família por motivos próprios. Junto de Cipriani, começou a atrapalhar os negócios. Foi questão de tempo para que Toni matasse Kazuki e sua mulher cometesse suicídio. A Yakuza ficou sem líder, e estes foram tempos horríveis. Perderam Liberty Campus para os Uptown Yardies por puro deslize.
Em 2000, Asuka torna-se líder junta de Kenji. A situação estava complicada, visto que perderam o cassino de Kazuki e neste período a região do Belleville, Pike Creek, Wichita Gardens e Aspatria não tinham mais sua influencia. Trabalhavam apenas com dinheiro da proteção em negócios locais, como restaurantes orientais. Naquela época, o Cartel Colombiano resolveu meter-se com eles. Mike, um homem que crescia na cidade, seqüestrou sua sobrinha Yuka a mando de Cisco, antigo líder dos latinos. Ela conseguiu resolver o assunto, fazendo o próprio seqüestrador recuperar a menina. A partir daí começam a se estabilizar, tendo ainda assim, conflitos com King Courtney e Salvatore Leone.
Sempre fora uma mulher forte e não deixava que nada passasse em branco. Dizia que se deixasse algo por resolver, todo o resto jamais seria concluído. Kenji Kasen, entretanto, chegou ao pais mais tarde, apenas em 1996 mudando-se em 2001 para Liberty e abrindo o Kenji’s Casino. Seguia a risca os padrões japoneses em todos os aspectos, e isso veio a somar muito na estrutura da família. No fundo, não confia tanto em Asuka para controlar a organização. Afinal, para ele, mulheres não podem cuidar muito bem destes assuntos. Pensa que são fáceis de se manipular por serem emotivas.
Foi Kenji que reviveu o quase perdido costume de beber saquê na iniciação e
purificar as fileiras expulsando os coreanos e chineses que compunham o grupo. Sua forte admiração por Kazuki o faz com que siga seus mesmos passos tomando, evidentemente, todo o cuidado com as mulheres.
Quando Maria falou para Asuka sobre Claude, as duas preferiram manter em segredo, mas Kenji descobriu e logo se interessou pelos serviços do rapaz. Isso criou certo conflito interno, que eles preferiram manter em segredo de todo o resto. Mostrar as fraquezas multiplica os inimigos. Entretanto, em Staunton, a Yakuza compete com o Cartel Colombiano como organização mais forte. O SPANK tem auxiliado muito no crescimento dos latinos e isso os preocupa profundamente.
Capitulo 24
Um Yardie corria por Belleville ensangüentado. Levava a mão à barriga. Havia sido baleado, e nas costas também. Não agüentou, as pernas fraquejaram, caiu em uma faixa de pedestre. Morto, em sua poça de sangue.
O SPANK corrompia famílias e, principalmente, gangues. Os Uptown Yardies agora vendiam a droga pelas ruas sem qualquer tipo de controle. Havia firmado um trato com o Cartel Colombiano, e isso enfurecia Kenji profundamente. Sua honra havia sido jogada ao chão. O japonês havia ficado insatisfeito visto que o trato anterior falhou em enganar os Colombianos. Sabiam que não haviam sido os jamaicanos os assassinos daqueles latinos.
Claude encerrava seus serviços para Kenji Kasen temporariamente. Havia trabalho umas boas semanas buscando o dinheiro da proteção com ele. Agora, havia matado grande parte dos traficantes espalhados pela cidade. Isso deixaria Catalina louca, pensava. Voltava para seu stinger, guardando sua pistola de baixo da jaqueta enquanto os transeuntes corriam para ver o corpo do jamaicano no chão. Com isso, foi descobrir o que Ray Machowski tinha para ele.
Machowski era um policial corrupto, mas não foi sempre assim. Apenas depois de se unir com Leon McAffrey, perdeu a cabeça. Atualmente, era o informante da Yakuza, mas outrora teve laços com os Leone. Estava sendo investigado pela CIA por estas conexões e agora era um homem marcado no mundo da lei. Escolheu o banheiro do Parque Belleville como lugar para marcar os encontros e negociar. Por ser valioso, a Yakuza resolveu escalar Claude para ajudá-lo a se safar.
Chegou até o banheiro do parque e Ray o assustou, vindo furiosamente em sua direção.
- Aquele merda do McAffrey, ele pegou mais suborno do que qualquer um! Ele pensa que se tornará honesto se for testemunha. Ele vai me delatar! Ele está sob proteção armada na propriedade da WitSec em Newport, é um apartamento de frente para a garagem. Incendeie o lugar e acabe com ele, certifique-se que ele nunca mais falará com ninguém!
A noite estava chuvosa, o Parque escuro. Era seguro, mas a ultima coisa que ele queria era se meter coma CIA. Se Machowski se tornasse um incomodo, Claude o mataria e faria parecer um acidente. Já tinha decidido isso e não se importava.
Passou em casa e buscou uma granada, pegou o carro e foi até o local indicado, ficava próxima a garagem usada por Kenji para guardar os carros roubados. Ao estacionar o carro, no apertado pátio próximo a algumas garagens, viu uma janela aberta. Escutava vozes de crianças e gritos, parecia ser um lugar de família, discreto. Seria fácil, nesses lugares os tiras tomam cuidado para agir.
Pegou a granada, soltou o pino e lançou. A bomba acertou a janela e explodiu. Após o estalo, um silencio tomou conta. O apartamento foi bem danificado. McAffrey via o canal pornô quando foi surpreendido pela explosão que destruiu a janela e a mobília próxima a janela. Saiu correndo, chutando a porta encontrando com um policial o acompanhou até um kuruma estacionado na garagem do prédio. Dois policiais pegaram metralhadoras de grosso calibre e correram atrás.
Claude se xingou, agora tudo ficaria complicado. Quando a porta da garagem abriu, o veículo saiu em disparada e os dois cadetes atrás começaram a atirar. Claude passou por cima de seu carro e escondeu-se atrás próximo a roda, as balas ricocheteavam e os vidros eram estilhaçados. O conserto custaria caro, talvez fosse mais fácil roubar outro carro.
Empurrou a porta com força, entrou, deu ré acertando em um carro estacionado e seguiu o policial em disparada. Em instantes, duas viaturas da policia estavam em seu pé. O brilho das sirenes iluminava as poças de água e a MSX FM explodia no radio, fazendo a adrenalina ir às alturas. Claude começou a bater na traseira do carro repetidas vezes. Os carros seguiram por uma via suspensa que dava acesso até a ponte suspensória que leva até Shoreside. Entretanto, este caminho estava fechado. Não importava, Claude com suas habilidades avançadas cercou o kuruma, que se viu obrigado a passar pelos bloqueios e seguir pela ponte.
Era a chance, Claude acelerou e se chocou do lado esquerdo do carro, o fazendo sair da pista elevada e voar em uma parte granada. O kuruma capotou facilmente, tendo ajuda do gramado molhado. Vendo que dois carros da policia estavam logo atrás dele, deu uma volta cantando pneus e voltou o caminho passando entre os dois carros.
McAffrey saiu do kuruma correndo apenas com algumas escoriações, deixando o outro policial desmaiado no carro acidentado. Claude foi para a parte gramada, acelerou e acertou as pernas do policial. O delator voou de costas no stinger e passou por cima do vidro, caindo na traseira e depois voando para o chão. Foi difícil despistar as ruas, mas conseguiu fugir.
O homem ficou jogado ao chão, como um boneco, próximo ao kuruma destruído. Morreu no momento em que sua espinha se partiu em duas, o golpe no capô do carro foi forte demais. A missão estava cumprida. A chuva aumentou ao longo da madrugada e Claude escondeu-se em seu esconderijo. Havia sangue do caguete no gramado agora, e as fraturas expostas eram apenas um detalhe.
Passado alguns dias, Claude seguia até uma base militar em Rockfort, usava
um colete a prova de balas. Ray havia passado um trabalho para ele enquanto estava sentado no vaso. Isso fez Claude sentir vontade de torrá-lo vivo. Enfim, foi encontrar um tal Phil Cassidy, veterano de guerra que não tinha um braço. Segundo Machowski, ele estava tendo problemas com o Cartel Colombiano e, se o ajudasse então o velho lhe venderia armas de grosso calibre que não se encontrava nas ruas.
Chegou até o local, era uma tarde seca. Encontrou um soldado olhando em volta cabreiro, já era velho e não tinha um braço. Seu cabelo era militar, branco. Seu rosto massilento, grosso. Sua constituíção era robusta e parecia, de fato, ter lutado muitas guerras. Segurava com uma mão uma metralhadora. O lugar era repleto de veículos do exército, inclusive um tanque de guerra.
- Ray telefonou há pouco… Mas eu achei que vinham mais de você! Não posso acreditar que esses amarelos infelizes me deixaram sem apoio necessário. Bem, três braços são melhores do que um então pegue o que precisar. Estes colombianos estarão aqui em qualquer minuto!
Foi fácil. Com as metralhadoras de grosso ao seu dispor e a psicopatia de Cassidy, explodiu-se todos os três comboios de colombianos que chegaram. Atiravam de trás de barricadas militares. As balas atravessavam as caminhonetas como se elas fossem feitas de papel. Em instantes, estavam todos os latinos sangrados nos carros.
- Heh-ei! Se você fosse meu parceiro na Nicarágua talvez eu ainda tivesse
meu braço! Se você precisar de qualquer poder de fogo, apenas apareça aqui e pegue o que quiser. Mas é claro, deixe o dinheiro pra trás. Agora caia fora daqui, eu cuido dos policiais.
Claude agora tinha ao dispor armas de guerra, se tivesse dinheiro, claro. Enquanto tomava banho mais tarde, imaginava diversos meios de empacotar Catalina com os novos brinquedos.
Após terminar seus trabalhos com Asuka, foi visitar Ray. Já havia acabado de matar um policial infiltrado na Yakuza, não teria problemas em matar Machowski se o encontrasse na privada novamente. Tiro e queda, lá estava o homem, sentado na privada.
- Eu sei um homem realmente importante nesta cidade… Tem gostos exóticos e dinheiro para bancá-los. Ele está envolvido em algo legal e a promotoria está o incomodando com fotos dele em uma tal Festa do Cadáver ou algo assim. A evidencia esta passando pelo bairro em um Bobcat. – E passou uma foto por baixo da porta. -Você deverá seguir o carro e destruir todas as evidencias. Nós precisamos sumir com isso, garoto.
Mais um maníaco. O trabalho foi mais difícil do que Claude poderia esperar. A caminhonete fugiu quando o rapaz tentou fechar seu caminho freando o carro na frente. Apenas 15 minutos depois, a caminhoneta em fuga capotou no túnel do subsolo que ligava as ilhas. O motorista foi queimado junto com as evidencias.
No dia seguinte, Claude afundou mais um policial a serviço de Ray. O homem estava pescando próximo ao farol de Portland e seu corpo nem sequer fora encontrado. Era seu parceiro, e estava para contar tudo. O que Machowski não sabia é que o oficial fazia parte de uma família de policiais. Aquele gorducho estava mais enrolado ainda.
Naquele fim de semana, à noite, foi ver um serviço com Ray. Havia sido um dia bom, tinha almoçado uma ótima pizza e estava se acostumando com Staunton. Na verdade, até pensava que dessa vez poderia se estabelecer em uma cidade, o serviço estava abundante pra ele. Tornou-se confiante assim quando, mais cedo, Donald Love o mandou uma mensagem. O mandou ir até a Love Media. Mas trabalhar para alguém, ao mesmo tempo em que tinha Ray por perto, seria perigoso demais.
Quando chegou ao banheiro, foi recebido com raiva.
- Seu tolo imprestável! Você bagunçou tudo! Meu cu está na linha e você não pode nem sequer matar uma maldita mosca! Eu te paguei um bom dinheiro para matar aquela testemunha e agora ela não está morta! – Calorosamente apontava para o rosto de Claude, o que o deixou bem estressado. – E hoje ele vai fazer um depoimento federal! Ele está sendo levado neste instante para o Hospital Geral Carson, em Rockford. Se ele berra, eu berro! – Fazendo um gesto com a mão para que Claude saísse.
Claude amaldiçoou o homem em pensamento, mas saiu. Seguiu até o Estádio e viu a ambulância. Tudo parecia limpo. Pegou a rua do lado e foi acompanhando o veículo, para que pudesse interceptá-lo e alveja-lo. Tudo ficou complicado quando Claude ouviu uma sirene policial tocando. Percebeu dois carros a sua cola e a ambulância acelerando.
Ray era tão esperto, que fez todos os assassinatos parecerem realmente um crime. Claude preferia ir para casa sujo de sangue policial do que ter que ver mais vezes aquele corrupto nojento. Bateu tanto na traseira da ambulância, que seu carro no fim das contas havia virado apenas uma massa de lata disforme.
No entanto, a loucura de Claude fez algo que nem ele esperava. Juntando as batidas e a tentativa desenfreada do motorista de fugir, fez com que a maca se soltasse e o ferido voasse para fora do automóvel. O homem, coberto em gesso, teve a cabeça estourada pelos pneus do carro de Claude. O gesso esmigalhou-se assim como a caixa craniana da vitima, deixando os pneus brancos. Teve de afundar o carro, era uma evidencia.
Depois daquilo, prometeu dar um tempo de Ray Machowski. Quando se trata de criminosos, você pode simplesmente mata-los e picar os corpos. Entretanto, policiais são como enxames de abelhas. Se você mata um, em instantes haverá uma fileira de carros na sua porta e tiras justiceiros apenas te esperando para te transformar em história. No mundo dos assassinatos de aluguel, lidar com policiais é como lidar com drogas.
Capitulo 25
Numa sexta-feira nublada, pela manhã, Claude foi ver Donald Love. Já havia ouvido falar nele, mas resolveu pesquisar. Apenas mais um empresário que não se pode imaginar qualquer ligação com o crime organizado. Seguiu até a Love Media e foi no endereço da mensagem que estava em seu pager.
Era um imponente prédio em Bedford Point, próximo ao mar, onde o empresário ia resolver seus assuntos. Como diriam: “O conglomerado de mídias americano que cresceu mais rápido nos últimos cinco anos”. “900 estações de rádio, 300 canais de televisão, 4 provedores de internet, 3 satélites (e) 10 senadores”. Donald Love era aquele que controlava as linhas para que as marionetes dançassem. E as marionetes eram todas as organizações criminosas, a policia e a política.
Quando bateu a porta, escutou uma poderosa voz o mandando entrar. Claude obedeceu. Estava em um apartamento-escritório enorme e luxuoso, com um sofá, cabeças de animais empaladas na parede, caríssimos quadros, uma mesa de madeira maciça e uma enorme televisão no canto. Escutou um barulho e olhou em sua direção. Um homem forte, usando um moletom branco escrito “Liberty Campus” saia da esteira na qual se exercitava e ia até o visitante. Tinha cabelo curto, olhos claros e um andar rígido. Sua presença era mais forte que a de Salvatore ou Kenji, era diferente, dominadora.
- Antes de tudo, deixe-me agradece-lo por lidar com aquela questão pessoal. As pessoas gostariam de ler algo assim por estes dias. – Olhava nos olhos de Claude da mesma forma que uma cobra observa a presa. – A experiência me disse que um homem como você pode ser muito leal pelo preço certo, mas grupos costumam ser ambiciosos. Um valioso recurso, um cavalheiro oriental, está refém por alguns sul-americanos em Aspatria. Eles estão tentando extorquir meu dinheiro, mas eu não acredito em renegociações. Trato é trato, e eles não verão nem uma moeda minha. Vá e resgate meu amigo, custe o que custar.
Claude saiu dali praticamente querendo ser Donald Love. O empresário o observou sair e voltou para os seus exercícios. O rapaz adorava matar aqueles latinos, para ele era como arrancar pedaços da Catalina.
Pensou em tudo: Já sabia onde era o local. Lembrou-se do que fez com a Tríade, e imaginou que isso funcionária com aqueles ratos. Saiu de lá e roubou um carro do Cartel e correu para seu apartamento. Preparou a metralhadora dada por Phil, polindo-a com um pano de flanela. À noite, pegou o automóvel e seguiu calmamente até o local, ouvindo Head FM. Logo viu o portão, com poucas pessoas passando pela calçada.
Piscou os faróis e buzinou. O portão se abriu. Claude entrou calmamente, passando por alguns latinos que cuidavam da área. Entretanto, o rapaz era um homem marcado, e assim que o colombiano percebeu quem era Claude. Parou o carro e chutou a porta o acertando no rosto e o deixando zonzo. Pegou à metralhadora no carona, engatilhou, e atirou no tórax do homem que se desequilibrou com o impacto, batendo na parede e caindo em seguida.
Claude acelerou o carro e se abaixou, rajadas de tiro acertaram o veículo. Escutou alguns barulhos de ossos se quebrando, atropelou dois homens. A picape apenas parou quando se chocou com a parede. Era um amplo pátio, com diversas garagens, carros estacionados e carcaças de carros. Quando saiu do carro, se escondeu atrás de uma pilha de latarias. Sua posição era privilegiada, e eles haviam sido pegos de surpresa.
Levou um tiro de raspão no braço e outro no rosto, por um triz não estava morto, sua sorte foram os ferros dos veículos. Um dos tiros quase arrancou a cabeça de um dos homens fora, enquanto os outros depois foram crivados por todo o corpo. Acabaram as balas, Claude jogou a arma no chão e tirou sua pistola. Não havia sinal de nenhum oriental.
Uma chuva fina caía no momento, o silencio tomava conta. Seu rosto e braço estavam ensangüentados e a noite era fria, até mesmo para quem usava casacos. Aproximou-se de uma garagem automática, que se abria com aproximação. Quando ela começou a se abrir, viu dois pés. Disparou freneticamente. Acertou o latino da barriga pra baixo. Quando a porta se abriu por completo, só havia um corpo no chão. Pensou que se o velho estivesse ali, bem, ele estaria acabado.
Olhou em volta novamente. Havia outra garagem aberta, com uma caminhonete de porta aberta. Provavelmente estavam nela quando Claude chegou. O cartel cruiser que ele chegou estava impossível de se usar, havia levado muitos tiros. Começou a se aproximar da próxima porta, trocando o pente da arma.
A garagem se abriu, ele continuou apontando a arma. Viu então um velho japonês, que conhecia de algum lugar, usando camisa social branca com um colete cinza. Seu cabelo era raro na cabeça, e branco. Estava sendo segurado por um latino, que apontava uma pistola para sua cabeça. O homem nem teve tempo de terminar a palavra que começou a proferir – Claude atirou bem em sua cabeça e o colombiano caiu de costas no chão. O velho oriental se jogou pr o lado.
Os dois foram correndo para a caminhonete parada, e fugiram acertando o
portão, quase o arrancando. Claude lembrou quem era o senhor agora. Era aquele oriental seqüestrado pelo Cartel na Ponte Callahan, muitas semanas antes, quando ele havia sido liberto do comboio policial. De madrugada, chegaram a Love Media, onde ele deixou o velho.
A situação da Yakuza não era a das melhores. O cerco se apertava e o Cartel Colombiano causava problemas, tudo havia piorado depois de se unirem aos Uptown Yardies. Atentados aconteciam a todo o momento contra soldados da família e lojas. Até mesmo tentaram atacar o Kenji’s Casino, mas a segurança estava forte o suficiente pra impedir o ataque. Enquanto tudo isso acontecia, Asuka fazia compras com Latore. O fato dela também ser bissexual o deixava com ódio. Via apenas ruínas. Para que a situação se equilibrasse, resolveu armar um encontro com o Cartel Colombiano e propor uma trégua.
Em uma tarde, em uma pequena sala reservada de tema oriental, no cassino, Kenji discutia com a irmã em japonês.
- Você não pode agir assim! Está arruinando tudo! Estamos perdendo negócios e você compra coisas? – Kenji gritava com a irmã, dando as costas a ela.
- Kenji, nós sempre tivemos problemas como estes. Temos de aceitar isso e seguir em frente.
- Asuka… Kazuki morreu para um destes inimigos. Você acha isso bom? – Apontou para o rosto da irmã. – Estão brincando conosco! Não há mais honra! Mas o erro foi ter esperado este tal SPANK surgir. Estão todos se tornando fortes com isso.
A porta abriu e entrou o informante. Aquele mesmo que Claude havia buscado. Os dois se reverenciaram.
- Miguel, do Cartel Colombiano, aceitou encontrar-se com você para fazer um acordo.
- Kenji, um acordo? Com eles? – Asuka falou assustada.
- Sim. Não se meta nisso. Vá fazer compras! Não me rebaixarei a eles, mas também não continuarei nesta vergonha.
Os dois saíram da sala, Asuka os observou sair. Estava preocupada.
- Você é um fantasma perdido em um mundo novo, Kenji. – Pensou.
Em um fim de tarde, Claude e Donald Love observavam Staunton. Estavam no apartamento da Love Media. Love usava um caríssimo terno, sempre passando tranqüilidade. Naquela noite de sexta, a cidade estava movimentada como de costume. Aviões cruzavam o céu azul, o vento era brando.
- Nada melhor para abaixar os preços do que uma boa e velha guerra entre gangues. – E levou as mãos para trás de suas costas. – Percebo que a Yakuza e os Colombianos estão longe de serem amigos. Vamos capitalizar esta oportunidade de negócio. Eu quero que você mate o Waka-Gashira daYakuza, Kenji Kasen.
Claude gelou nessa hora, encarou Donald assustado. Era obvio que ele sabia seus laços com os japoneses.
- Kenji marcou um encontro amanha à noite no topo do edifício-estacionamento em Newport. Pegue um carro do Cartel e elimine-o! A Yakuza deve culpar o Cartel por esta declaração de guerra.
Aquela foi uma noite difícil. Fora traído tantas vezes, e agora ele trairia. Sentou-se em seu apartamento e levou as mãos ao queixo. Pensava olhando pelo basculante. Se falhasse, estaria morto. Mas esta era uma proposta tentadora, criaria uma guerra entre duas potencias e aí Claude poderia atacar diretamente os latinos. Este sempre fora o seu objetivo, e com o passar do tempo, sentia-se um soldado da Yakuza. Kenji o considerava um item, sempre com seus discursos sobre respeito e honra.
Preferiu arriscar, Donald parecia ser o mais poderoso de todos, afinal. Aquele que tornaria sua vingança capaz. Com uma guerra, Asuka agiria de acordo com seus planos. Comprou um chapéu, uma camisa florida, para motivos de disfarce. Foi até sua garagem e pegou o carro do cartel que havia guardado desde quando salvou o oriental. Sábado à noite, ligou na Lips FM. Queria calma, embora a rádio Rise FM estivesse mais tentadora com sua música eletrônica.
Foi até o estacionamento, tudo parecia tranqüilo. Pagou, a cancela se abriu. Haviam muitos carros estacionados e o acesso aos andares superiores se dava por rampas. Subiu calmamente, desligou o rádio. Ao se aproximar do topo, podia ouvir vozes em japonês. Saiu e viu Kenji, próximo de alguns homens, inclusive àquele que o encarou tempos antes quando chegou ao cassino.
- Ali está, chefe. Ele está chegando. – Citou um dos guarda-costas.
- Estranho, chegaram antes do previsto. – Pensou Kenji.
No topo do estacionamento havia uma limusine e outros carros da Yakuza. Em cerca de 15 minutos chegariam os Colombianos. A noite era clara, a lua era minguante. Claude começou a se aproximar lentamente, quase hesitando. Mas decidiu-se finalmente, já havia começado. Acelerou a toda em direção a Kasen.
O japonês não teve tanta reação. A caminhoneta chocou-se de frente com ele, antes que o nipônico tentasse fugir. Kenji olhou, por 1 segundo, no fundo dos olhos de Claude e provavelmente o reconheceu. Depois, seu corpo foi esmagado pelas rodas. Uma lhe passou nos joelhos, a outra pelo peito. Claude virou a curva descendo furiosamente as rampas, antes que o reconhecessem, ou pior, o matassem. Arrebentou a cancela do estacionamento e 5 minutos depois jogava o carro no mar.
Kenji Kasen estava morto no topo daquele estacionamento, jogado ao chão. Depois de morto, cuspiu sangue, por reflexo. Sua última visão, Claude. Seu rosto ainda estava surpreso, seus olhos puxados arregalados.
Agora sim a crise começava.
***
CONTINUA NA PARTE 8
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 6
PARTE 8
PARTE 9 (FINAL)
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