Episódio 91 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.4

Capitulo 7
Uma senhora explorava um garoto na Pequena Itália. Era um garoto problemático, havia perdido seu pai para o álcool e a mãe para um atropelamento. Era apaixonado por carros, era o jeito que ele lembrava do pai, embora isso lhe fosse inconsciente.
Esta senhora era uma velha italiana, fazia o garoto ajeitar tudo para ela, menos a comida. O garoto faxinava, limpava e cuidava de seu velho carro. Foi aí que Ralph passou a ser um ótimo mecânico, em conjunto com todo o conhecimento sobre automóveis que adquiriu com seu pai.
Amava o pai, mesmo ele o considerando um erro por ser gago e não fazer sucesso no esporte. A mãe, no entanto, o amava. Era seu único filho. Ralph foi cuidado pela ex-patroa de sua mãe por seis anos.
O Don Salieri apenas o viu, quando precisou de um bom mecânico e ele lhe foi indicado, era fabuloso em seu serviço.Sem outra alternativa, o adotou como um filho. A velha italiana foi contra, mas nada que um maço de dinheiro não resolvesse.
O jovem nunca se adaptou muito ao estilo de vida dos mafiosos, por isso nunca se misturou sendo sempre o garoto que cuidava da oficina. Para isso, o Don nada podia fazer. Aquele homem só sabia falar de carros, afinal. Nunca provara uma mulher, nem mesmo seu beijo. Era um condenado e sua pena no mundo era atenuada pelo velho siciliano.
Aquele rapaz nunca pediu nada, nem reclamava. Para ele tudo estava bom. Sua vida era boa. Ninguém conseguia compreende-lo. Mas Salieri o pegou chorando e olhando a foto da mãe numa noite em que precisou de seus favores. Naquele dia, o chefe prometeu vingar sua mãe.
Três dias depois, o atropelador foi enforcado na prisão. Havia sido preso pela justiça, mas já tinha se acostumado com aquela vida e isso não era o suficiente para vingar a morte que ele fez. Desde então, Ralph tornou-se o mecânico da Família e o melhor da Pequena Itália.
Capitulo 8
Em uma tarde, de um dia sem quase nenhum serviço, Tommy estava sozinho no bar tomando alguns drinques. O sol entrava tímido pela vitrine fazendo brilhar as polidas mesas do vazio bar. Foi quando Luigi aproximou-se por trás do balcão e pediu-lhe um favor.
- Ei, Tommy. Você conhece minha filha, certo?
- Sim, Luigi. Bela garota! – Olhou a moça no fim do balcão e levou o copo à boca. – Você deve ter orgulho.
- Obrigado, Tommy. Ela às vezes me ajuda aqui atrás do bar. A coisa é que não quero que ela volte sozinha hoje à noite. Ontem alguns delinqüentes idiotas deram problema pra ela. Sabe, aquelas palavras obscenas e essas coisas. – Bateu na madeira do balcão, nervoso. – Você sabe que estou preocupado com a garota, então achei que talvez você pudesse conhecer a casa dela. Não é muito longe. Você é um cavalheiro e é muito respeitado na vizinhança. Aqueles delinqüentes não irão tentar nada com você por perto.
A moça o olhou discretamente procurando ver qual foi sua reação, enquanto trabalhava nos pratos. Tinha cabelos até a altura dos ombros, castanhos escuro, e traços italianos. Era a típica estatura de uma mulher, pouco mais de 1,60, com olhos castanhos e nariz afinado, uma boca levemente carnuda. Seu rosto não era fino, nem ossudo, apenas regular. Usava uma camisa branca e avental.
- Sem problemas, Luigi. Será um passeio no parque.
- Ohh, Tom, você nem imagina como estou grato. – Abriu um gentil sorriso, desencostando-se do bar. – Maldição, estava preocupado, ninguém sabe quem são esses caras. – Olhou em direção a sua filha, e aproximou-se de Thomas, em camaradagem. – Venha almoçar amanhã, vou fazer algo especial pra você. – Levou a mão à boca, dando um leve beijinho, em sinal de que iria cozinhar algo gostoso. – Sarah, venha aqui.
A moça aproximou-se.
- Sarah, este é Tom.
Ela levou a mão até ele e Tommy a segurou e apertou levemente.
- Ele vai levar você para casa e cuidar para que aqueles delinqüentes não te incomodem mais.
- Olá.
- Olá, muito obrigada. – Respondeu a moça, gentilmente. – Não vai tomar muito do seu tempo. Não moro longe daqui. Me deixe ir pegar meu casaco e então poderemos ir.
- Ta bom, te espero lá fora.
Despediu-se do velho e foi para o lado de fora aguardá-la. Antes de a moça chegar lá fora, o barman deu todas as instruções para ela. Tom era um homem estimado e queria que Sarah o tratasse com todo o respeito. Ela concordou, já o conhecia, afinal. Sempre o vira para lá e para cá, apenas esperando o momento para que pudesse conversar com ele.
O momento chegou, então. Ela estava feliz, não ficaria satisfeita se fosse Sam ou Paulie, ela queria que Angelo a levasse em casa, de fato. Finalmente ela saiu, vestindo um casaco preto. Tom a achou bonita, nem sequer ainda havia reparado nela. O mafioso estava desarmado, não achou necessário andar por aí assim.
- Muito legal você estar fazendo isso. Esses palhaços são realmente estranhos. Eu estava muito nervosa.
- Sem problemas, Paulie e eu iremos lidar com esses encrenqueiros mais tarde…
Os dois começaram a caminhar pela rua, que já não estava tão cheia. O céu tinha raios vermelhos e róseos, as nuvens eram laranja, o sol já se punha.
- Então você também trabalha para o Sr. Salieri, não? Ele é um bom homem, sempre divertido. – Puxava assunto, atravessando a entrada de uma viela.
- Sim, trabalho para ele às vezes. Mas ultimamente não estivemos rindo e nos divertindo. – Falava, sobre o crescimento da rixa entre os dois chefões.
- Então, o que você realmente faz? – A moça perguntou.
- Hm, geralmente só levo o Don aonde ele quer. Mesmo que às vezes ele me surpreenda, como quando ele me pediu para dirigir na corrida.
- Sim, eu vi isso! Você dirigiu muito bem!
- Ah, eu só tive muita sorte. – Sorriu o rapaz.
- Você é tão modesto. Era preciso mais do que sorte para vencer aqueles caras.
- Bem, eu costumava dirigir um táxi… E a única corrida de verdade que eu havia feito foi na noite anterior.
- Aí está! Viu só? Você tem talento. – E entrou em um sujo beco, que levava ao outro lado da rua.
- Hmm… Você pode estar certa. De todo jeito, não foi muito legal. Não gosto de chamar a atenção.
Continuaram a caminhar, só se podia ouvir o som dos carros na rua e de latidos de cachorros, choros de bebês. O beco cortava um cortiço, repleto de roupas no varal, latões de lixo e caixas. De uma das portas, saíram alguns rapazes. Usavam boina, camisas com suspensórios e calças largas. Vestiam-se como o que realmente eram: Vagabundos.
- Ei, veja só! Quem é a gracinha? – Disse um deles, olhando Tommy.
- Ai estão eles!
Tommy deu uns passos a frente, encarando-os.
- Qual o problema? Você estava sozinha na noite passada, querida e hoje você tem um namorado.
Os três rapazes bloquearam o caminho.
- Garotos, acho que seria melhor se vocês fossem embora e não causassem nenhum problema. – Dialogou e cruzou os braços, encarando-os sem temer.
- Eu acho que o único problema aqui é você. – Falou um bochechudo.
- Se eu fosse os seus sapatos, sairiam daqui agora. Você nunca sabe o que pode acontecer. – Cruzou os braços novamente.
- Veremos, garotão!
Um dos rapazes correu para cima de Tommy, que rapidamente o segurou pelo pescoço e jogou contra a parede. Em seguida veio o outro, com um soco inglês. Tom esquivou com o rosto dos socos e acertou o joelho no joelho do outro e deu um tapa em sua cabeça, jogando-o no chão.
O ultimo tirou um canivete e o cortou um pouco acima do pulso, no mesmo instante desferiu com o outro braço uma cotovelada no rosto do homem e o empurrou pra trás. Os outros dois rapazes, sem qualquer tipo de preparamento para brigas, aproximaram-se Tom deu um soco no rosto de um, mas levou um chute na barriga de outro.
O mafioso afastou-se e acertou o rosto do que lhe atingiu com um murro. Sarah gritava de pânico, afastando-se da briga e adentrando no cortiço. Tom pegou o canivete no chão e os ameaçou, os três rapazes se afastaram e saíram correndo do local.
- Alguém nos ajude, por favor!
Sarah estava em apuros, havia se distanciado muito. Tommy a viu sendo cercada por dois homens, um deles tinha um taco de beisebol. Largaram-na jogando no chão e correram para o mafioso. Com destreza, que as ruas o haviam ensinado, cortou o braço do homem.
No entanto, o outro com o taco, atingiu-o na cabeça, jogando-o no chão e o fazendo perder a lamina. Isso o
deixou zonzo, mas logo recobrou a consciência e segurou a arma antes que levasse outro golpe. Empurrou para trás o vagabundo, levantou-se, segurou seu taco novamente e puxou com força.
O marginal correu para longe e Tom, que decidiu não deixa-lo escapar, lançou a madeira, que acertou em suas costas derrubando-o na hora sobre alguns baldes e deixando-o inconsciente. Tom voltou até a donzela em passos apressados.
- Ah, obrigada! Se você não estivesse lá, eu nem sei o que teria acontecido…
- Tudo bem, Sarah. Disponha.
- Estava com muito medo. Tom, você está bem? – Ao ver o ferimento em braço. – Vamos, estamos quase em casa, irei dar uma olhada em você lá.
Concordou com a cabeça e voltou a caminhar com ela, saindo da ruela e chegando até a rua onde há o trilho suspenso. O céu estava mais escuro.
- Moro sozinha ao lado da casa do papai. Minha mãe nos deixou logo que nasci. E então você trabalha com Paulie também, né? Ele é muito engraçado! – Tentou amenizar a situação, com uma conversa.
- Sim, sim. Ele é muito engraçado. – Disse olhando seu ferimento, e depois a dama. – Sempre digo que ele poderia ser um ator.
- Às vezes ele age de um jeito muito estranho, assustador mesmo. Não sei como uma pessoa muda de humor tão repentinamente. Ele deve ter passado por muitas coisas em sua vida.
- Sim, ele já passou por algumas coisas. – Sorriu, concordando. – Ele cresceu nas ruas e tudo sempre o prejudicou. Deve ser por isso que ele age como um durão com estranhos. – Pararam, esperando o sinal fechar para atravessar a rua. – Ele é muito grato ao Don Salieri. Quem sabe o que teria acontecido se ele não o tivesse acolhido. – Concluiu.
- Sim, o Sr. Salieri até mesmo ajudou o meu pai. Ele é quase como um avô pra mim. – Complementava, enquanto atravessava a rua com seu protetor.
- Sim, Don Salieri é um bom homem.
Caminharam em silencio até chegarem a uma pequena porta, com poucos degraus à frente. O sol ficava de frente para essa rua e por trás dos pequenos prédios e casebres era possível vê-lo sumindo.
- Aqui estamos, entra! – Abriu a porta.
Era um pequeno prédio, os dois passaram por um corredor cercado de portas. Seu apartamento ficava no fim do corredor. Ela tirou a chave e começou a abrir a porta.
- Então, esse é o meu reino. – Disse ao entrar. – Entre e tire um pouco dessa tensão. Vou olhar seus machucados.
Ela afastou-se, indo até um criado mudo. Era um pequeno apartamento. Uma larga cama ficava de frente para a porta, próxima a um armário de louças. Havia um quadro de moldura dourada na parede. A luz caía sobre a casa levemente, por um lustre de preço alto, provavelmente um presente. O tapete era verde claro, com o guarda-roupa próximo a cama e um pequeno abajur do lado dela, do outro lado um gramofone sobre uma mesinha.
- Isso que é um reino! – Falou em voz alta, caminhando até a cama e se sentando.
- Levante suas mangas, senhor. Ajuda chegando! – E aproximava-se dele, carregando uma bandeja de primeiros socorros.
Ele obedeceu, suspendendo a manga do paletó. Sarah sentou-se ao lado dele.
- Bem, vamos ver… hmmm… Não parece muito sério. – E sorriu olhando Tommy, e começou a mexer no machucado.
- Sim, sim, é verdade. Parecem piores do que realmente estão. – E sorriu a olhando curar.
- Hmm… Espere um segundo, vou limpar. – Jogou o álcool, rindo baixinho com a careta do mafioso. Enfaixou em seguida. – Pronto, nem doeu!
- Obrigado.
- Sou eu quem deveria estar agradecendo… – Disse, com a voz amena.
Tommy sorriu para ela, os dois olhavam-se nos olhos. Aos poucos os rostos foram se aproximando, vidrados. O coração começou a bater forte, as mãos gelarem e o rosto começou a ficar quente.
- Se importa de tomar uma bebida, Tom? – Disse ela, quebrando o clima.
- Eu poderia tomar um uísque, se você tiver. – Sorriu, a vendo levantar-se e se afastar.
- Claro! – Desapareceu por trás da parede, indo guardar o kit.
- Essa tarde ta se tornando interessante! – Falou consigo mesmo, pulando sentado na cama. Afofou o travesseiro, olhou em volta e ouviu o som da bebida sendo colocada nos copos.
Ela aproximou-se, já sei seu casaco. Trouxe dois drinques.
- Aqui está, herói. – Deu o copo em sua mão. – Então, você rebola?
- Como? – Surpreendeu-se.
- Gosta de dançar? Música! Eu tenho um gramofone.
- Sim, eu gosto de música. – Falou, depois de dar um gole em sua bebida.
Ela colocou uma música, em volume baixo e aproximou-se de Tom novamente, abaixando-se no chão e escorando-se na cama.
- Os homens do Salieri são durões com todos?
- Tentamos ser gentis com as pessoas às vezes. – Riu.
- Alguns de vocês, talvez…
- Mas apenas alguns.
- E você é um dos durões de Salieri? – Sentou-se na cama, bem perto dele.
- Às vezes. – Seu coração batia forte, ela o olhava de forma vivaz.
- Bem, eu acho que você é um homem mal muito bom…
- Às vezes eu até mesmo sou um homem bom muito mal.
Antes que pudesse pensar, os lábios da dama já estavam colados com o dele. Amaram-se naquele começo de noite. Tiveram um momento especial. Era como se a alma dos dois tivesse colidido com
muita força por algum momento. Sarah gostou dele desde o momento que o viu e finalmente tinha seu sonho realizado. Para Thomas, ela era um anjo. Era diferente de todas as garotas que ele teve outras vezes. Estava claro para ele que se ele fosse ficar com alguém para sempre, seria com ela. Estavam apaixonados e nada podiam fazer.
Capitulo 9
Na noite seguinte, os rapazes se reuniram na sala de reuniões da Família. Salieri estava muito nervoso com a situação. Tommy contou tudo o que aconteceu com os delinqüentes. Os arruaceiros estavam tentando se estabelecer no território do Don e isso era um problema, eles assustavam as pessoas.
- O quê? No meu território? – Disse em tom grave, apontando pra si mesmo com a mão em que segurava o charuto. – Diabos, e alem de tudo, atacam mulheres indefesas! Algo aconteceu com Sarah, Tommy?
- Não chefe, ela está bem… Cuidei disso.
- Ótimo – afirmou com a cabeça. – Por que Luigi não me contou nada? – Olhou o consiglieri. – Podíamos ter cuidado disso imediatamente. – Correu os olhos por todos na sala. – Não irei aceitar esses merdinhas atacando pessoas em minha região. Quem eles pensam que são? Eles me pagam por proteção, então nós temos que pegar esses delinqüentes e coloca-los onde merecem.
- Eu e Tom vamos cuidar disso! – Disse Paulie, ríspido. – Esses bastardos acham que aqui é Lunapark ou algo assim? Irei quebrá-los em pedaços com minhas próprias mãos! – E terminou fazendo um sinal de cortando garganta com a mão, recostou na cadeira e cruzou uma perna.
Frank acendeu o charuto do Don.
- Paulie, Paulie, vá com calma. Ninguém mata ninguém, entendeu? Quero que vocês
ensinem a eles uma lição. Quebrem cada osso de seus corpos e deixe-os boiando em uma piscina de seu próprio sangue. Tenham certeza de que esses bastardos precisarão usar cadeiras de rosas. Criancinhas vão rir de suas caras amassadas. Vamos deixar todos verem o que acontece quando alguém suja meu território.
- Parece interessante, chefe. – Assentiu Tommy.
- Não é uma idéia ruim mesmo… – Finalizou Paulie.
- Precisamos descobrir onde eles estão localizados. O Gordo Biff deve saber de algo. Ele está sempre na praça de Chinatown. Encontre ele e pergunte sobre isso.
- Sem problemas, chefe. – Paulie levantava-se.
Tom e Paulie foram ver Vincenzo e o que ele teria pra oferecer. Seu escritório estava mais desarrumado do que nunca. Armas para todos os lados.
- Salute, garotos! Então, o que mandam pra hoje?
- Daremos uma boa surra em uns palhaços, Vinny.
- A melhor aposta seria nesses tacos soberbos. – Abaixou-se e pegou dois tacos, olhando novamente pra Paulie. – Esse aqui é autografado por um dos melhores jogadores da liga.
- Uau, não acredito! Esse é dele mesmo? – Perguntou Tommy, animado.
- Bem… Pra dizer a verdade, não é não… Mas se você está acertando a cara de alguém, com certeza não vão perguntar isso pra você.
- Precisamos de algumas armas também, nunca se sabe…
- Tirou as palavras da minha boca! Tenho essas Colt 1911. Ótimas e automáticas.
- Obrigado, Vinny. – Pegou a pistola e pegou um dos tacos e se dirigiu a porta.
Tom não gostou nem um pouco disso. Paulie era violento e com uma arma de fogo nas mãos, se tornaria pior. Por fim, pegou as duas armas e despediu-se, seguindo o camarada. Em pouco mais de 30 minutos chegaram à recém criada Chinatown, o reduto dos orientais. Foi criada sob a pressão dos asiáticos e, ao mesmo tempo, por uma política discreta de apartheid visto que os políticos os viam como mera mão-de-obra estrangeira e barata que estavam ali apenas para trabalhar.
Biff cuidava de apostas proibidas naquele bairro. Salieri o tirou de Hoboken e colocou em Chinatown por ser uma pedaço novo da cidade, e quem chega primeiro, leva mais e se estabelece. Por conta desse seu trabalho, sabia de tudo o que acontecia. O gordo contou o esconderijo daquela gangue, que não era longe dali, nos arredores da comunidade e próximo à Ponte Terranova.
Momentos depois, Paulie chutava com força o portão vermelho e invadia o cortiço. A dupla espancou vários jovens e homens feitos com os tacos de beisebol, com brutalidade exagerada. A situação se tornou pior quando alguns rapazes armados apareceram e Paulie se enfezou atirando contra alguns malfeitores, matando-nos.
O líder da gangue estava no local, próximo à rua do outro lado do terreno e ao ver os mafiosos se aproximando fugiu com seu amigo em um carro a toda. Eram apenas garotos, mas segundo um dos moradores, o cabeça deles era filho de alguém importante na prefeitura e por isso era super-protegido. Uma perseguição teve inicio. A chuva desmoronava sobre Lost Heaven. Paulie atirava nele pela janela do carro e o medo fez o garoto bater em postes, derrubar latas de lixo, destroçar cabinas telefônicas e atropelar pedestres.
Ele não tinha controle sobre o veiculo até finalmente bater contra um muro em uma rua de pedestres e parar, com a lataria amassada e os vidros trincados.
A dupla saiu do carro e Tommy foi na frente, caminhando devagar até o carro verde. A chuva havia diminuído um pouco. O mafioso olhou a porta do carro entreaberta e o motorista mexendo-se, ensangüentado, o carona estava com a cabeça elevada, totalmente recostada no banco. Tirou a pistola dada por Vinny e apontou para dentro do carro. Definitivamente, ele não queria atirar. Lembrou-se dos maus momentos daquele hotel e alem de tudo, eram apenas crianças.
O ferido se mexia, tentando falar, mas não conseguindo. O sangue escorria pelo seu rosto, pingando. Os lábios do jovem estavam estourados e seus dentes bambos, mal podia respirar devido ao sangue nas narinas. Antes que Thomas pudesse abaixar a pistola, disparos seguidos explodiram do seu lado. Paulie deu dois tiros na cabeça do garoto, um quebrando o vidro do carona inclusive. Ele enfiou a testa no volante, fazendo a buzina tocar. O mafioso deu um ultimo tiro, que o
acertou na nuca.
- Você não pode sentir pena desses animais. Ele atiraria em suas costas na primeira chance que tivesse. – O deu as costas, bravo, circulando o carro.
Tom abaixou a cabeça, a chuva o encharcava. Pensou sobre sua mãe e Sarah, como elas se sentiriam o vendo fazer isso. O garoto estava indefeso. Paulie não precisava ter feito isso, pensava. O mafioso disparou contra o outro rapaz morto. No entanto, sua arma já não tinha mais munição. Ele guardou a arma. O fim do outro jovem foi mais rápido, seu pescoço foi quebrado no solavanco da freada.
- Esse tá acabado. Um a menos pra se preocupar.
Aproximou-se de Thomas.
- Por que você está parado aqui com esse olhar no rosto? Lembre que esses caras queriam sua garota ontem.
Angelo o olhou sério e calado. O olhou no fundo dos olhos.
- Você tem que se acostumar com isso. – Paulie advertiu.
- Eu me acostumei… – E voltou para o carro.
Nas horas que se seguiram, já de madrugada, mães e esposas choraram. Um dos bandidos foi para a cadeira de rodas, outros quatro morreram baleados e
um teve traumatismo craniano. Não demorou para que achassem os corpos no carro, todos viram, salvo as crianças que já dormiam pelo avançar da hora. Pela manhã, os jornais se encheram de noticias. Morello aproveitou sua influencia para tentar denegrir a imagem de Salieri, o chamando de matador de crianças. Este truque não funcionou como ele desejava, mas a família não gostou do que Paulie fez. E, por tabela, Tommy acabou sendo culpado também. A chuva lavou o sangue daquela gangue que, sem dúvidas, jamais atuaria novamente.
***
CONTINUA NA PARTE 5
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 5
PARTE 6
PARTE 7
PARTE 8
PARTE 9
PARTE 10
PARTE 11 (FINAL)
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