Episódio 94 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.6

Capitulo 14
1933
Em uma noite chuvosa, bem carregada, Frank chamou Tom para encontrá-lo nos fundos do bar. Tommy havia evoluído desde o trabalho no hotel, aprendendo a roubar diversos tipos de carros e operar novas armas. Vestiu um sobretudo, um chapéu escuro e seguiu de guarda-chuva até o ponto de encontro. O consiglieri estava próximo à garagem segurando seu guarda-chuva e usando suas roupas costumeiras.
- Tom, temos dois caminhões cheios da melhor bebida vinda do Canadá. Sam foi para o ponto de entrega encontrá-los. Eles estão em uma velha fazenda fora da cidade. Estou enviando dois caminhões, Paulie estará
indo em um deles. Quero que você vá com eles e fique de olho em tudo. Apenas tenha certeza de que tudo correrá bem. Pegue um carro do Ralphy e junte-se com Paulie lá em nosso armazém. Paulie irá lhe dar umas armas quando você chegar lá.
- Certo, Frank.
Thomas correu a chuvosa cidade em um novíssimo Bolt V8. Era um carro confortável que chegava a 70 km por hora tranquilamente. Foi para as bandas do Hoboken, até encontrar o imenso armazém. Cobria quase toda a rua, tendo como divisor uma linha de trem e do outro lado os limites da cidade. Era ali que muitos dos problemas acabavam, desde um caminhão desajustado até um incomodo de terno e gravata.
Entrou pelo portão dos fundos e deparou com dois caminhões e alguns rapazes ajeitando caixas nas extremidades do local. Paulie estava próximo de um dos caminhões usando um sobretudo cinza, cobrindo seu terno por dentro. Um elegante fedora branco cobria sua cabeça e respingava-se por conta da chuva. Ao sair do carro, o parceiro logo o identificou.
- Ei, Tommy. Estamos indo para uma fazenda fora da cidade pegar algumas cargas de boa bebida. Queremos você conosco caso algum problema ocorra, mas deve correr tudo bem. Você não terá que fazer nada, apenas estar lá. – Explicou-se já sabendo a relutância do amigo em matar. – Os garotos vão carregar os caminhões e aí vamos voltar. – Apontou para um caminhão. – Sam já está lá esperando por nós, – Assinalou para os limites da cidade. – provavelmente bebendo a maioria da carga antes da nossa chegada.
Os dois riram, Tommy realmente gostava do amigo, embora ele fosse cada vez mais confuso. Paulie levou a mão aos bolsos procurando algo.
- Vou dirigir. Os tiras foram pagos então não há com o que se preocupar. – Destrancava a porta do lado do motorista enquanto falava.
- Parece que eu poderia ter ficado em casa dormindo… – Tommy falou enquanto dava a volta pela frente do caminhão em direção à porta do carona.
- Ei, se eu tenho que acordar, você também fica acordado! – E riu, olhando o amigo por cima da porta do condutor. – Vamos.
Os dois se acomodaram no caminhão, os bancos ringiam e cheiravam a couro novo. Eram caminhões novos da frota. Seguiram rapidamente em direção à
fazenda. As estradas estavam escorregadias e a chuva aumentava ao pouco. No caminho, Tom acendeu um cigarro para lhe acalmar os nervos. Toda aquela água correndo pelos vidros o incomodava, estava preocupado ultimamente. Paulie, ao ver o nervoso do amigo e a fumaça dominando a cabina, puxou assunto.
- Isso que é vida. Tudo fácil. Interior, sem stress. Sabe, deveríamos fazer isso com mais freqüência. – Tentou fazer o amigo ver o lado bom da viagem.
- Melhor na luz do dia… – Respondeu desanimado.
- Acho que você preferiria estar com a filha do Luigi. Sarah, certo? Bem, esse é o seu turno da noite… – Riu.
- Corta essa… O que você sabe sobre isso? – E olhou o amigo.
- O mesmo que todo mundo sabe! – Respondeu sem tirar os olhos da direção. – Diabos, até mesmo Luigi sabe que você está atrás dela. Mas acho que ele não está aborrecido já que você salvou a virgindade dela mesmo… – Riu, sacanamente. – Mas eu aposto que você roubou depois, hein? – E olhou de lado o amigo, com um sorriso malicioso.
- Cala a boca, Paulie!
- Ah vamos, tom! Eu estou brincando, ela é uma boa garota. Vocês foram feitos um para o outro.
- Eu não estou tão certo. De alguma forma, não posso me imaginar chegando em casa e dizendo: “Adivinha o que aconteceu, Sarah? Tive um dia do cacete no trabalho, tive que matar dez pessoas!” – Fingiu uma voz para imitar.
- Você não pode falar disso em casa. – Paulie levou a sério e aconselhou. – Se você não agir como eles descrevem você nos jornais e você for bom pra ela, ela vai ignorar toda esta bobagem. – Virava a curva, seguindo em direção à porteira da fazenda.
- Então é normal pra você esconder da sua esposa a vida inteira quem você realmente é? – O desafiou.
- Não se preocupe tanto… – E desligou o caminhou.
- Maldição… – Paulie olhava para todos os lados na fazenda.
O caminhão havia estacionado de frente para uma ponte de madeira gasta. O outro parou ao seu lado. Era a entrada da fazenda, os faróis iluminavam o caminho. Raios cortavam o céu e trovões faziam tudo estremecer.
- Que é que está acontecendo?
- Sam deveria estar esperando aqui, mas não está. Isso não está me cheirando bem… Veja, temos que esperar aqui com os caminhões. Você vai silenciosamente lá ver o que está acontecendo.
- Obrigado pela confiança! – Ironizou.
- Aqui estão alguns brinquedos para você levar. – Paulie mexeu atrás do banco, tirando uma espingarda para Tom. Levou a mão ao porta-malas e tirou uma pistola.
Tommy saiu calado e foi adentrando a fazenda. A madeira da ponte e dos armazéns ringiam com o vento. As arvores pareciam prontas para desabar a qualquer momento. Os sapatos afogavam-se na lama. Isso não estava bom. Tom engatilhou a espingarda e seguiu atento.
De tão nervoso, quase disparou contra um varal de roupas. Estava no negócio por tempo suficiente para tomar cuidado. Após caminhar bastante, pôde ver ao longe um caminhão parado. Estava já para o fim da fazenda, perto de dois barracões. Continuou espreitando, já estava encharcado.
Devagar chegou até a porta do veículo e avistou o motorista, a chuva havia deixado o vidro embaçado, mas inda assim se podia vê-lo. Deu leves batidas no vidro e não percebeu resposta. Quando forçou a porta a fim de abri-la, o motorista atirou-se ao chão. Caiu na lama, já sem vida.
- Jesus! – Exclamou Tommy, com o susto. Ficou encarando o cadáver.
- Seu amigo ficou doente e caiu.
Tommy olhou para o lado e viu, vindo de algum dos barracões, uma dupla armada e mirando nele. Tom respondeu apontando sua espingarda.
- Quem é você? É da polícia? – Observava os dois.
- Sr. Morello e o Xerife gostariam de enviar seus cumprimentos e informar que a partir de agora eles estarão assumindo por aqui.
Thomas mal o deixou terminar a frase e disparou. Derrubou um dos
atiradores e correu para trás do caminhão, que começou a ser crivado de balas. Ao longe, pode observar mais homens saindo pelas portas. Viu um armazém próximo e, na correria, tentou entrar ali. Estava trancado. O jeito foi correr ao máximo que poderia pelas bordas da fazenda.
Quando se aproximava da ponte onde estavam os caminhões, um dos homens de Morello lançou um coquetel molotov em um dos veículos. O barulho fez o fugitivo tropeçar e cair. Assim que encaixou seu chapéu na cabeça, escutou disparos e viu o homem caindo. Paulie e os outros rapazes estavam a salvo. Agora menos nervoso, juntou-se aos camaradas.
- Eles estão todos mortos! – Gritou Tom, para sobrepor sua voz ao som da chuva.
- Quê? – Paulie perguntou incrédulo.
- O pessoal do caminhão, na parte de trás, acabaram com eles!
- O quê?! E Sam, você viu?
- Não, não vi. – Nessa hora Tom olhou para os outros capangas que se aproximavam o longe, disparando para o alto. Lembrou do armazém. – Tinha um lugar trancado por ali, ele deve estar lá.
Os garotos de Salieri se abaixaram e começaram a responder com tiros.
- Não vamos sair sem ele, temos que voltar e pega-lo!
- Ok, vamos voltar, mas temos que achar alguma coisa pra abrir a porta, tipo um pé de cabra.
- Ta bom ta bom!
Tommy e Paulie atirarm contra os homens de Morello e por sorte ou talvez falta de habilidade deles, estavam todos caídos no chão. Alguns mortos, outros quase. No entanto, Paulie terminou de matar os que estavam vivos com tiros de misericórdia.
- Vocês ficam aqui agora, vigiem os caminhões. Acabem com qualquer um que chegue perto! … Exceto nós, é claro. – Paulie deu a ordem aos outros três rapazes que estavam próximos aos caminhões.
Seguiram os dois, pelo caminho principal da fazenda. Armas em mãos, raiva nos olhos.
Rapidamente chegaram até o armazém citado por Tom. De fato, estava trancado, mas se podia ouvir movimentação no lado de dentro. Caminharam rapidamente até um casarão próximo, repleto dos utensílios de plantar e cuidar.
- Vamos, deve haver algo por aqui para abrirmos a força essa porta. – Os dois começaram a revirar tudo.
Não tardou até Paulie encontrar um pé de cabra enferrujado, jogado atrás de algumas maletas de ferramentas. Correram até a porta do armazém.
- Vou forçar para abrir, aí vamos correndo pra dentro. Vamos cobrir um ao outro, certo?
Paulie fincou a barra de ferro no portão. Era grande e de madeira boa. O vento fazia ringir os telhados e a chuva já os havia ensopado. Enquanto Paulie forçava a porta, Tom engatilhava sua calibre 12.
- Vamos!
Os dois sacaram sua arma e cada um chutou um banda da porta. Apontaram a espingarda e dispararam. Havia três homens no armazém. Um voou sobre caixas que estavam acomodadas no canto, outro sobre uma carroça e o outro ao chão mesmo. O sangue espirrou até na vacilante lamparina que iluminava o lugar.
Thomas começou a procurar pelo amigo. Escutou um disparo. Quando olhou para trás, viu Paulie com a espingarda apontada na direção da escada e um homem de terno rolando por ela com um rombo na barriga.
- Ele ia lhe tocaiar.
Paulie havia salvado sua vida.
Subiram na velocidade mais rápida que podiam e encontraram Sam ferido, espojado no chão de tabuas.
- Sam! – Gritou Paulie, ainda segurando sua espingarda. – Jesus, o que fizeram com você? Você ta inteiro?
Thomas assustou-se com a condição do amigo. Estava no chão, envolto de uma poça de sangue. Parecia ter sido espancado por horas. Seu rosto estava disforme, coberto de inchaços e hematomas.
- Apenas no lugar errado, na hora errada, eu acho… – Sam, mesmo gemendo de dor, explicou-se. Tentava levantar.
- Você pode andar?
- Provavelmente não tão bem…
- Ta certo, agüenta firme. Vou pegar o caminhão e vamos te levar ao médico! – Falava e ia saindo. – Você vai conseguir, Sam! Tom, espera com ele aí, eu já volto! – E sumiu descendo as escadas, em correria.
- Ficará tudo bem, Sam. Já passamos por coisa pior. – Acalmou o amigo.
- Passamos…?
Um barulho de carro se aproximando foi ouvido.
- O Paulie está chegando. – E caminhou até a janela para ver.
- Tom… Acho que não são os caminhões.
- Merda! Onde estão os nossos?
Eram duas patrulhas policiais estacionando a porta do armazém.
Thomas desceu as escadas em disparada e alocou-se atrás das caixas. Os dois tiras entraram no lugar. Do lado de fora, estava um homem de sobretudo cinza. Possivelmente, um rapaz do Morello.
- Ei, que corpos são esses? – Comentou um dos oficiais ao parceiro.
Tom disparou, abrindo o tórax de um dos tiras. Chutou as caixas que se escondia e disparou contra o homem que sacou a pistola. Rapidamente olhou no uniforme do policial, chamava-se Vercetti. O outro policial saiu correndo em direção a patrulha. Tom correu atrás dele e atirou, acertando-o nas costas. O policial estava próximo ao seu carro e quando o tiro lhe pegou, pintou de vermelho a vidraça do veículo. Lentamente caiu de joelhos no chão e chafurdou-se na lama.
Paulie chegou com o caminhão um pouco depois.
- Cristo, isso foi um massacre! – Falou, chegando ao parceiro. – Essa é uma noite dos infernos.
- Parece que eles querem nos deixar completamente fora do negócio. – Dizia Tom, olhando em volta.
- É? Bem, isso não vai ser tão fácil. Sam está bem lá em cima?
- Sim, ele está bem. Pelo menos não está piorando.
- Tá bom, vou pega-lo. Você fica vigiando aqui. Sam, sou eu Paulie! – Gritou ao amigo, que estava nos andares de cima.
Tom escorou o cano de sua arma no ombro e ficou olhando em volta, pronto para atirar.
Paulie chegou até os andares superiores e começou a levantar o amigo, escorando-o nos ombros.
- Vamos, vamos pra casa.
- Vamos pro médico… Se não estou me sentindo tão bem… é porque devo estar com alguma coisa…
- Hmm, acho que sim. Seu nariz está escorrendo um pouco.
Paulie desceu a escadaria levando o camarada nos braços. 
- Vou colocar você atrás. Tom vai ficar com você, caso precise de algo. – Viu Tom na porta. – Tom, vá com ele e fique de olho! – Acomodou o amigo na parte de trás do caminhão, e pegou uma metralhadora.
- Tom, aqui está uma Thompson, caso você precise. – Disse lá de dentro.
O longe, bem na porteira da fazenda, puderam perceber dois faróis se aproximando.
- Paulie, parece que temos companhia!
- Aqui está uma thompson e tem munição lá atrás. Fique atrás das caixas e vigie! Atira assim que eles ficarem atrás de nós. Não os deixe passar por nós! – Gritou.
Thomas subiu, pegou a metralhadora e abaixou-se. O que se viu assim que o caminhão vazou pela fazenda, foi um horror. Os dois carros de Morello que seguiam ficaram jogados pela escorregadia pista. Tom os fuzilou quando se aproximavam por trás, não tiveram chance.
Quando Paulie chegou na cidade, avançou à toda em direção da casa do médico que sempre ajudava os Salieri. O homem morava em Oakwood, caro bairro de casas em estilo clássico, gramados e árvores podadas.
- Chegamos. Tom, deixe o Sam pronto, vou acordar o doutor! – Gritou para o amigo, olhando para trás através da pequena janela que fica atrás da carroceria. Saiu do carro e se dirigiu a casa em passos apressados.
Thomas acordou Sam e começou a levantá-lo.
- Sam, estamos no médico. – E o foi levando pro lado de fora.
Paulie tocou a campanhinha e deu alguns socos na porta. A luz da casa acendeu. O médico, um italiano de traços firmes e simples, entreabriu a porta.
- É você, Paulie? – Tirou o trinco da porta e a abriu totalmente. – Que está fazendo aqui tão tarde?
- Boa noite, doutor. Sinto, mas tivemos um acidente e precisamos da sua ajuda.
- Certo, cadê ele? – Olhou para o lado de fora buscando. – Traga-o aqui dentro.
Deixaram Sam. Ele estava em boas mãos agora. Era o médico dos Salieri e não perguntava nada.
- Tem certeza que ele não é só um açougueiro sem preparo? – Perguntou Tom, quando Paulie dava partida no caminhão, saindo dali.
- Definitivamente, não! Ele é o melhor médico pago da cidade. Se você se machucar, pode ficar feliz por termos ele do nosso lado.
- Espero que ele dê o melhor de si pelo Sam…
A chuva aumentou. Finalmente chegaram até o armazém. Os dois saíram do caminhão.
- Ufa, até que enfim está tudo terminado. Poderíamos ter acabado bem pior do que Sam. Quando eu pegar aquele canalha que nos traiu, vou explodir sua cabeça!
- Parece que alguém já teve o suficiente de nós.
- Com certeza. Não sei de você, mas eu estou indo beber algo. Quando o Don descobrir o que aconteceu, vai ser um inferno! Isso significa uma verdadeira guerra. E não será nada bom.
- Com certeza não.
- Boa noite, Tom. Tenha uma boa noite, ou pelo menos tente.
E ali acabou a confusa noite. Paulie foi beber e Thomas para casa.
CONTINUA NA PARTE 7
PS: Meu PC tinha dado pau, daí a demora. Tomara que não dê mais!…
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 7
PARTE 8
PARTE 9
PARTE 10
PARTE 11 (FINAL)
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- Episódio 93 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.5


















