Episódio 96 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.7
Capitulo 15
Paulie bebeu e jogou cartas a noite inteira. Até mesmo cortejou algumas mulheres. O mafioso sempre teve um habito: Quando chegava pela manhã, preparava o café da manhã de seu filho. Às vezes, fazia uma surpresa à mulher. Neste dia ele esqueceu, estava muito alcoolizado.
Pendurou vacilantemente o terno no cabide perto a porta. A roupa tinha manchas de sangue. A casa era bem arrumada, tinha tudo o que o dinheiro de Paulie podia comprar, e isso ninguém poderia duvidar. Bem na sala havia uma lareira, na reta de dois sofás forrados a couro. Havia um pequeno bar na direção da cozinha e alguns quadros, mas apenas um original. Um gramofone localizava-se próximo dele.
Ficava nas proximidades do bar do Salieri, era seguro ali, afinal. A rotina era simples. Sua mulher recebia as vizinhas em casa e juntas conversavam os causos da vida e elogiavam os maridos numa velada competição. Quando ia pro banheiro tomar banho, sua mulher o interceptou no caminho, estava de olheiras e ainda vestia camisola.
- Que é que há contigo, Paulie? Não é mais como antigamente!
- Me deixa, mulher. – E seguiu seu caminho.
Sua esposa saiu da frente e foi até o terno. Procurava marcas de batom, mas encontrou sangue.
- Que é que você fez, Paulie?! Tem sangue em seu terno!
- Cala a boca e vai dormir!
- Não, me diga o que houve, você me deve isso! Veja, nem está dando atenção ao seu filho!
- Saia daqui mulher! – Agora irritou-se, mostrando a palma de sua mão para ela.
- Não faça isso!
Paulie hesitou e se trancou no quarto. A bebida o arruinava aos poucos.
Capitulo 16
Sam estava acabado. O Don odiava a postura de Paulie, estava se afogando no álcool. Salieri logo soube de tudo e convocou Tommy, e apenas ele. O mafioso contou todo o acontecido. A surpresa, para toda a família, veio apenas dois dias depois.
Estavam os dois na sala de reuniões como pai e filho discutindo as notas da escola. O chefe no lugar de sempre, ao fim da mesa. Tom próximo, observando-o falar.
- Ontem foi o pior desastre que já tivemos! Perdemos oito homens e a carga inteira… Sam nem sequer pode ficar de pé! Isto é uma guerra e estamos numa rixa infernal. Ele já tem o promotor e com isso, está jogando toda a sujeira em cima de nós. Morello está ficando muito próximo do conselheiro, cujo filho, por sinal, você matou.
Tommy abaixou a cabeça e encarou a mesa. O velho o olhava com rigidez.
- Então, ele fez os tiras ficarem na nossa cola. – Continuava olhando Tom.
- Eles não tem nada que possa ser usado contra nós.
- É aí que você se engana. Ontem, Frank entregou todos os nossos livros caixa. O promotor está tendo um dia ocupadíssimo.
Essa noticia caiu como uma bomba para o mafioso. De todos, era o último que poderia imaginar. Frank era o consiglieri, braço direito de Salieri, como ele próprio havia dito logo que deixou de ser um mero taxista, para cuidar de assuntos do submundo.
- Maldição… – Falou Tom, consigo mesmo.
O Don o encarou por momentos, até começar.
- Frank não sairia por sangue, mas não parece se importar muito se eu passar o resto da minha vida na cadeia. Esses livro caixa vão dar ao promotor um caminhão de evidencias contra nós, mas sem Frank não valerão nada. Temos que liquidar o Frank.
Era o que Tommy mais temia.
- Você diz… atirar nele? – E apontou pra si mesmo, com um tom incrédulo. – Você está tentando me dizer que tenho que matar o… – E deu uma pausa. – Frank?
- Conheço o Frank há mais de vinte anos. Tudo que consegui, consegui junto dele. – Emburrou a face. – Mas Frank quebrou as regras. Não sei porque, mas ele deve ter suas razões e nós temos as nossas para apaga-lo e tomar os livros caixa. Caso contrário, teremos tempo livre. Tempo livre de sobra.
Jogou com a mente de Tommy, mostrando a causa, o efeito e o efeito para toda a família. O velho sabia jogar com a mente de um criminoso.
- O que você quiser, chefe… Se não há outra maneira…
- Não há. Acredito que esta seja a nossa ultima chance de fazer algo antes que eles levem Frank pra longe de nós.
- Que quer que eu faça?
- Primeiro ache esses homens – e lançou duas fotos para perto de
Tommy. – e descubra aonde eles esconderam Frank. São bons ladrões, tem conexões com os tiras e no tribunal. Um deles com certeza sabe. Você já conhece o Grande Biff, de Chinatown. O Pequeno Tony está sempre na ilha, perto do museu. Então, depois disso, vá até Frank. Não importa o que você faça, não o mate até que ele fale onde os livros estão. Capisci?
- Entendi…
- Frank deve ter proteção, você terá que acabar com eles primeiro. Assim que souber onde os livros estão, acabe com ele.
- Certo chefe, o que você quiser. – E guardava as fotos no bolso.
- Boa sorte, Tommy. – Encarava-o. – Pegue uma arma com Vincenzo e um carro com Ralphy. E lembre-se, se você não conseguir fazer isso, nós estaremos acabados.
Tommy levantou e saiu. O Don escorou-se na mesa, juntando as mãos e apoiando os cotovelos a borda.
- Pelo amor de Deus, o que você fez, Frank? – Pensou alto. – Você era um irmão pra mim.
Thomas pegou seu chapéu fedora preto de fita azul e seguiu até Vincenzo. Entrou e o viu ajeitando as coisas no escritório.
- Olá Vince, acho que você sabe porque estou aqui.
- É… O que se pode fazer? Frank sabia o que poderia acontecer. – Falava com muito pesar em sua voz.
- O que você tem pra mim?
Vince foi até uma prateleira atrás dele e pegou uma pistola Colt.
- Uma colt deve bastar, mas aqui está um cano serrado também… – Falava enquanto passava os olhos no armário.
E pegou uma espingarda de cano curto também. Voltou e colocou as duas armas sobre a mesa.
- Na Sicília eles chamam de Lupara. Quando eles acham alguém morto por uma dessas, todos sabem o que aconteceu. – E deu algumas poucas risadas, abafadas pela sua voz de gordo. – Infelizmente, essa é a situação perfeita para usa-la. Seu acerto é curto, mas faz muito estrago. Você não pode errar. – advertiu.
- Nunca achei que ia encontrar com a tradição siciliana assim…
Tom pegou as duas armas, as olhou e foi para o pátio pegar algum carro com Ralph.
Enquanto percorria pela cidade, para falar com os dois homens, Tommy lembrava de seus momentos com o consiglieri. Ele era mais sério que o Don, era como um pai. Havia o aconselhado, ajudado, e agora teria sua vida ceifada por uma Lupara e, pior de tudo, disparada por ele. Tudo começou tão de repente, mal se podia acreditar. Era um dia ensolarado demais, esse tipo de situação não condizia com o ânimo que a natureza provia.
Grande Biff de nada sabia, estava como sempre em Chinatown, mas aconselhou que o mafioso fosse ver Tony. Tommy acelerou em busca do Pequeno Tony, que também não sabia de muita coisa. O máximo que ele pode falar foi sobre um homem que estava falando algumas coisas sobre Frank e a policia. Era conhecido como Joe Idiota e ficava de baixo da ponte sempre conversando e vagabundeando. Era completamente careca, um tipo raro.
Tommy acelerou até a ponte. Viu três otários no estacionamento, até mesmo usavam roupas parecidas. Joe Idiota era um babaca que bancava o esperto, um protótipo mal feito e acima da idade permitida de trombadinha. Nem sequer tinha uma mulher, ela o havia abandonado e se mudado para Liberty City. Mas, para seus camaradas, ele sempre dizia de forma misteriosa sobre ela apenas para passar a idéia de que a matou. Um imbecil.
Era um negro, um homem de boina e barba por fazer e, atrás deles, Joe Idiota. Tom ajeitou o chapéu e os encarou. O trio o olhou de cima embaixo e fez certa pose de desagrado.
- Ei, você seria Joe? – Olhou o careca, ignorando os outros dois.
Era pequeno, usava camisa social branca e suspensórios marrons, prendendo uma batida calça escura. Calçava sapatos caros, ao menos isso.
- Cara errado, sou Pete. – E levou as mãos na cintura, levantando um pouco a cabeça para olhar o mafioso.
Os dois ficaram se encarando em silencio. Os dois amigos se afastaram um pouco e ficaram observando. O som de carros transitando era alto, o lugar era repleto de latões. Havia dois carros parados e um deles parecia estar ali há muito tempo devido a sua poeira.
- Bom, então eu sou George. – Sorriu confrontando-o.
- Sinto ouvir isso.
- Diga, você não tem algum irmão gêmeo chamado Joe?
- Meus irmãos não são da sua conta.
- Bem… – Pigarreou. – Tenho que falar logo com alguém chamado Joe bem rápido.
- Não sei quem é esse cara.
- Não vou falar através de você, é muito importante.
- O que é importante é que você vai gritar.
- Relaxa. Eu não vou embora enquanto não achar o Joe.
- Que dureza, George. Mamãe sempre dizia: Joe, não fale com estranhos ou aceite doces deles!
- O que eu disse a você, Joe!
- Vai se ferrar! – Desestabilizou-se devido a sua contradição.
- Quero saber aonde estão com o consiglieri Frank e você é o cara que vai me falar.
- Que maluco disse isso a você? Não sei merda alguma! Credo…
- Pigarreou e começou a falar. – Não me irrite, Joe… Lembre-se rápido. – E colocou a mão no ombro do careca.
- Cristo, eu disse que não sei nada disso! Me larga! Vai pro inferno!
Antes que o careca pudesse terminar sua frase, Tommy o deu um soco no rosto e o empurrou no pilar da ponte. O segurou pela cabeça e começou a dar-lhe joelhadas na barriga. Ele tentou escapar das mãos do mafioso, mas acabou sendo jogado em uns latões enferrujados.
Os dois amigos tentaram ajudar, mas Tom lhes apresentou seu revolver. Eles se afastaram imediatamente. Quando ia voltar para Joe Idiota, ele já havia se levantado e já estava correndo. Não foi difícil puxa-lo por trás pela gola e joga-lo no chão mais uma vez. Depois de um chute nas costelas, Joe Idiota se assumiu.
- Ta bom, ta bom, basta! Você venceu! – Dizia se protegendo de Tommy e levantando aos poucos. – Você venceu! Pelo amor de Deus, pare de bater em mim, vou falar o que você quer!
- Sou todo ouvidos.
- Frank e aqueles canalhas concordaram que se ele desse os livros caixa, eles iriam mandá-lo para a Europa. Seja rápido porque ele deve estar indo hoje! Estão com ele em uma esquina do outro lado da quadra de tênis em Oak Alley. Isso é tudo o que posso contar. Agora me deixa em paz… seu… seu rato!
Tommy levantou a mão para Joe novamente e ele se protegeu todo.
- Você ajudou muito, Joe. Da próxima vez chegue onde quero um pouco mais rápido… – Abaixou a mão e ficou com a expressão branda e se afastou dali.
Pegou o carro e seguiu na direção indicada. Pensava em como um imbecil daqueles saberia disso. O que Tom nem imaginava, é que Pequeno Tony foi quem contou isso para Joe Idiota no bar. Mas, para Tony, seria muito ruim se meter nisso. Preferiu deixar com o carequinha.
Oakwood é o bairro dos ricaços, Tommy nunca conseguiu se acostumar com aquilo. Seguiu até o lugar indicado e parou o carro a certa distancia próximo de uma casa rosa. Observou um carro policial preto em frente a uma casa. Era do tipo escuro e discreto, rápido e blindado. Havia um emblema dourado escrito “Highway Patrol” em cada lado. Notou movimento na residência, Tom definiu isso devido há um tira de terno cinza na porta do carro, fumando.
Não precisou esperar muito até ver um homem alto, americano, de terno preto e chapéu preto. Logo atrás dele, saiu Frank. O coração de Tommy bateu forte, o momento que ele nem sequer conseguia imaginar se aproximava.
Logo atrás, outro homem usando, sobretudo preto, gravata vermelha e sem chapéu. Andava com a mão dentro da roupa, provavelmente segurando uma arma. Este fez sinal para o que estava próximo do carro e ele foi entrando no carro, para ligar e sair. Os outros tiras foram entrando, deixando Frank entrar por primeiro. Estavam bem atentos e olhando ao redor.
Tommy o seguiu a toda velocidade.
O carro ia até o aeroporto. Antes de entrar no local, já perceberam que Tom os seguia. Frank lamentou-se por isso. Estacionaram o carro e dois tiras saíram com Frank, portando um uma espingarda e outro uma pistola. Correram pra dentro do aeroporto. O mafioso parou o carro e saltou. O carro policial cantou pneu e Tommy teve de pular pro lado e rolar no chão, quase foi atropelado. A porta de seu carro foi acertada.
Havia um grande estacionamento e uma entrada tripla que levava até o salão e dava acesso ao outro lado onde ficava o caminho para as pistas e os locais de espera. Os tiras avisaram os policiais do aeroporto e pessoas começaram a
fugir pelas portas. Tom entrou e disparou contra um policial que o espreitava por trás de um banco de couro. O outro foi baleado no ombro, estava atrás do balcão. Isso consumiu certo tempo para o mafioso, agora Frank estava longe dali.
Estava uma bagunça no salão. Pessoas abaixadas nos cantos, malas espalhadas. Tom as mandou para fora e deu um tiro para o alto a fim de apressar os mais lentos. No balcão pode ver as papeladas de Frank, inclusive algumas chaves. Por via das dúvidas, pegou tudo e seguiu para o lado de fora, para procurá-lo. Precisava ser rápido, em instantes aquilo estaria cheio de policia.
Do lado de fora era possível ver diversos aviões, de vários tipos, incluindo um dirigível. O vento era forte ali, mas nem tanto quanto o som do trafego aéreo. Havia um homem parado próximo à porta, um tanto horrorizado. Quando o mafioso lhe apresentou a arma, ele logo abriu o bico e disse pra onde os policiais foram.
Logo depois, os outros dois homens que seguiam com Frank estavam mortos. O outro tira que o esperava no aeroporto tentou fugir, mas Tom usou da Lupara e esburacou as costas. Achou Frank, abaixado, próximo a um poste. Levantou-se devagar quando Tommy aproximou-se
- Tom…
- Frank, o Don me mandou. Você sabe por quê. – Aproximava-se apontando a espingarda para o consiglieri.
- Sim, eu sei… – Com certa calma complacente, levou as mãos para trás e encarou seu algoz. – Eu sei…
- Eu não entendo o que aconteceu com você, achei que era meu amigo. Nunca imaginaria que algo assim aconteceria. Por que diabos você tinha que fazer isso?
- Tom, eu não podia seguir por este caminho. – Disse balançando a cabeça negativamente. – Muitas pessoas morreram ultimamente e não tenho estomago pra isso. Era diferente com o Don no passado. Pode ser que eu esteja ficando velho… Tom, isso é uma guerra, e não quero mais lutar. – Expressava tristeza no olhar. – Tenho uma criança e pensei em finalmente ter paz.
- Você não podia ter feito isso de outra maneira? Você não tinha que nos entregar! – Tom protestou movido pela emoção.
Frank o olhava nos olhos, como um pai arrependido.
- Eles vieram até mim e eu tinha que me render. Eles tem minha filha e esposa, Tom. E se eu não entregasse esses livros para eles, matariam minha família. Antes costumávamos resolver as coisas como homens. Você, Paulie e Sam iriam pega-los de volta, mas não posso me arriscar dessa vez. Não quero perdê-los. Tom, não posso viver sem eles. Eles me disseram que se eu fizesse o que eles queriam, ficaria livre e nos mandariam para a Europa aonde iríamos começar de novo. – E olhou para o corpo de um policial ao seu lado.
- Tiras! Os policiais estão te chantageando e querendo matar a sua… família? – Para Tom isso era realmente importante, abaixou a lupara.
- Desde que você e Paulie mataram aquele garoto Billy, os tiras e Morello estão de mãos dadas. Aquele conselheiro, pai do garoto, chegou onde está graças ao Morello, que queria me fazer falar e então a policia liquidaria o Don. Ambos os lados teriam o que queriam.
- Temo que a situação mudou de certa forma. Onde estão os livros, Frank?
- Não estou com eles, Tom.
- Você já os entregou?! – Levantou a arma e mirou novamente.
- Não, não, Tom. – Deu um passo para trás. – Contarei a você se trouxer minha esposa e filha de volta. Deveríamos esperar aqui no aeroporto, então eles devem estar mantendo elas em algum lugar aqui por perto. – Olhou em volta buscando o lugar. – Me mate depois se quiser. – Voltou a olhar nos olhos de Tom. – Apenas tenham certeza de que eles saem com vida desta cidade.
- Certo, mas você vai ter que me dar os livros primeiro, Frank.
Tommy abaixou-se apontando a arma para o velho e mexeu na roupa do oficial morto, pegando uma algema.
- Desculpe, elas são pro caso de você estar mentindo.
Frank virou-se para o poste e estendeu as mãos através dele, Tommy o algemou ali. Foi procurar a família dele. Admirava a capacidade dele de negociar mesmo numa situação dessas.
Não demorou para que Thomas achasse a família de Frank e nem poderia demorar, um deslize e a policia poderia fazer algo com as duas caso descobrisse o acontecido. Seus cabelos eram até a altura do ombro, encaracolado e castanho.
Usava um vestido vermelho escuro e um pequeno chapéu branco, era consideravelmente mais jovem que Frank. A menina era pequena, usava um chapeuzinho que lhe realçava o rabo de cavalo. Estava dentro de uma sala da escola de aviação. Foi buscar o consiglieri e leva-lo até a família. Voltaram à cabana.
Assim que entraram, no fim do corredor, sua esposa sorriu e abriu os braços. Estavam próximos à porta que levava até os aviões.
- Frank! Que alivio, eu estava com tanto medo! – E segurou as mãos do marido. – Graças a Deus você está bem.
Frank passou os olhos na filha, sorriu e olhou a mulher.
- Obrigado, Tom… – Olhou no fundo dos olhos o mafioso. – Eles prometeram me dar as passagem de avião quando eu desse os livros a eles. As passagens devem estar em algum lugar por aqui. Você pode tentar achar elas?
Tom pegou as papeladas dentro do paletó. Estavam diversos documentos, incluindo o passaporte. Quando abriu, lá estavam os tickets.
- Aqui está, Frank. – Deu as passagens para ele.
Frank pegou as passagens e as encarou por um tempo, em silencio.
- Me deixe dizer adeus para March e Alice e então vamos resolver esse negócio.
- Como? Frank! Você não vai conosco? Como… Como… – Perguntou a esposa.
- Não posso, March. Tommy e eu temos um problema muito sério e temos que resolver. Certo, Tom?
A esposa, a criança e eles encaravam Tom. No fundo, a esposa sabia o que iria acontecer. Tommy passou os olhos na família.
- Frank, apenas me diga onde estão os livros e vá com elas.
- O quê? Como você vai explicar isso ao Don?
- Esqueça, isso é problema meu. Onde estão os livros?
- Nunca esquecerei isso… – Frank abaixou a cabeça e fitou o chão. Perdão não era comum nesse ramo. – Aqui está a chave para um cofre – levou a mão dentro do terno. – no Primeiro Banco Nacional, no centro. Os livros estão lá. Pegue, Tom. – Deu a chave na mão do mafioso.
- Obrigado.
- … E Tom… Obrigado por tudo que fez por nós, estou em debito com você. E fale para o Don que sinto pela maneira que as coisas tiveram que terminar.
Tom balançou a cabeça para Frank em negação.
- Para o Don, você está morto, Frank. Se ele descobrir que você não está, então isso não estará acabado. Agora vá.
- Tommy, nunca vou esquecer como nos ajudou, Deus lhe abençoe. – E deu um rápido abraço em Tom, seguindo o caminho.
- Adeus, senhor! – Disse a criança.
- … E não se esqueça do que lhe falei no carro aquela vez.
Frank se juntou a família e os três foram para o avião.
No final, seu melhor amigo mata você. Thomas não poderia esquecer dessa frase. Pensava que agora seria ele que mataria o amigo. Pensava que nunca deveria fazer aos outros aquilo que não gostaria que acontecesse com si mesmo. Ele não queria que Paulie o matasse, e agora, pode ter dado uma razão para ele fazer isso. Agora é Tom quem tem a responsabilidade.
Depois foi até o centro e pegou os papeis no banco. Foi bem tranqüilo.
O único problema foi não conseguir tirar a cabeça aquela frase. Thomas esperava que Paulie gostasse dele tanto quanto o consiglieri.
Nos próximos dias, o desenrolar do sepultamento de Frank aconteceu. Os jornais trataram o caso do aeroporto como apenas uma noticia de rodapé em respeito a Don Salieri. Seria uma vergonha para a família do “morto”, assim como para a família criminosa.
Todos acreditaram em Tommy, para todos os efeitos o consiglieri estava morto e ele havia se livrado do corpo. O funeral encheu de pessoas, não apenas membros da família Salieri e moradores da Pequena Itália, mas também a família Morello. Ficou claro que nessas situações os negócios inacabados eram esquecidos.
No enterro, apenas o lado positivo dos mortos era citado e mostrado, é o principio de todo gangster. Salieri fez longos e emocionados discursos sobre seu consiglieri, Morello também e outros gangsters vindos de fora da cidade. Salieri e Morello choraram um no ombro do outro, como se não houvesse nenhuma rixa, nem sequer parecia que um queria a cabeça do outro como no dia anterior.
Sobre a família de Frank, Salieri queria ajudar a viúva para o resto de sua vida, mas de forma alguma Tom poderia deixar ele descobrir que estavam todos descansando confortavelmente em algum lugar da Europa. Isto foi complicado, era algo para se pensar ainda. A parte boa é que Frank Colletti estava vivo, e esse sim era o maior problema.
Frank estava a salvo agora. Tom, quem sabe.
Capitulo 17
Os dias se passaram e o luto acabou. Era hora de se preocupar com a situação incomoda que a família Salieri sofria e pior, agora não havia conselheiro. Tarde da noite quando o expediente do bar já havia acabado Tommy foi chamado para conversar com o Don.
Isso deu arrepios em Thomas visto que o velho poderia ter descoberto algo sobre Frank e agora, no bar vazio, Paulie poderia vir e estrangula-lo com um garrote.
Quando entrou, viu Salieri sentado na mesa de sempre, com seu charuto habitual. A mesma onde ele havia sido apresentado. Luigi estava no balcão, passando um pano na bancada. Tom sentou-se de costas para a vitrine.
- Tommy, parece que nossos problemas não estão acabados. O promotor que quase fez Frank depor contra nós está indo mais fundo e ouvi que agora ele tem até mesmo testemunhas. Parece que o conselheiro cujo filho você matou está querendo vingança.
Angelo sempre via uma ponta de acusação por parte do Don nessas
afirmações sobre o filho do conselheiro. Buscava ignorar isso.
- O promotor é um bom amigo dele e, se não resolvermos isso, eles irão causar muito problema para nós. – Prosseguiu, olhando Thomas nos olhos.
- Isso não é nada bom.
- O que é ainda pior é que esse homem não confia em ninguém. – Levou a boca o charuto e tirou rapidamente. – Ele está com todas as evidências contra nós em um cofre em sua mansão. Sam e Paulie estão cuidando das testemunhas enquanto estamos conversando e você tem que ir pegar estas evidencias, Tom.
Tommy acalmou-se com essa informação. Agora sabia que não era uma armadilha, estava paranóico naquela noite.
- Como iremos chegar até elas?
- Bem, hoje teremos uma excelente oportunidade. O Sr. Promotor decidiu ir ao teatro e ninguém estará em casa… Isto é, ninguém alem dos seguranças de sua casa, claro. No entanto, seu escritório estará vazio. Sua mansão é no quarteirão dos milionários. O Sr. Promotor não é exatamente um garoto pobre.
Luigi chegou a mesa nesta hora, trazendo bom café. Serviu o Don e se afastou em seguida. Salieri continuou.
- Sua única preocupação é como entrar, mas haverão guardas do lado de fora da casa. Uma vez lá dentro, você estará bem. A mansão estará vazia. O escritório do promotor é no primeiro andar e lá haverá um cofre na parede. Por isso você levará Salvatore com você. Ele é o homem que consegue abrir qualquer cofre na América. – Deu uma longa golada no café. – Assim que você tiver todas as evidencias, saia antes que o promotor volte para casa.
- Tudo bem, chefe. Aonde posso encontrar esse Salvatore?
- Ele estará esperando você em Hoboken na esquina próxima ao estádio. Você pode pega-lo no caminho para lá. Não preciso falar o quanto esse trabalho é importante para nós, Tommy. – E olhou ele nos olhos. – Buona fortuna.
- Farei o meu melhor, chefe. – E começou a levantar-se.
- E Tommy, se você encontrar com o promotor, não o mate. Não importa o que aconteça. Apenas nos trará mais problemas.
- Pode contar comigo.
Tom pegou o Thor, era um carro luxuoso e não chamaria a atenção naquele bairro. Passou no Vincenzo e pegou um taco e uma pistola e foi até onde Salvatore estava. O arrombador era o melhor da cidade e havia aprendido tudo com seu avô, que era do ramo. Era de estatura mediana, tinha um bigode e usava uma boina. Suas roupas eram mais puxadas para cores escuras.
O trabalho foi um sucesso. Deixaram o carro no acostamento atrás de uns pinheiros e entraram por uma porta de serviço que dava para um labirinto de arbustos, Salvatore a arrombou. A mansão era imensa e bem vigiada, com guardas carregando espingardas. Três guardas foram desmaiados pelo taco de beisebol de Tom, um deles tinha as chaves da casa.
Lá dentro o maior trabalho foi fugir de uma empregada negra que percorria a casa. Salvatore fez um ótimo trabalho. Thomas tomou cuidado para não se perder no lugar. Eram muitas portas e corredores e ainda tinha de fazer tudo no escuro. Pegaram a papelada e quando iam fugir, o promotor chegou. Não foi problema, saíram por uma porta lateral e correram até o portão que entraram.
Para Tommy, a noite havia acabado. Deixou Sal em casa e seguiu para a sua.
Paulie e Sam, por sua vez, cercavam as testemunhas e as fazia desistir. Não foi um trabalho difícil. A única parte tumultuada foi um rabino valente que lhes apontou um revolver magnum, mas foi simples lidar com isso. Paulie voou nele e o judeu nem teve chance de atirar, foi socado até desmaiar e seu carro incendiado por Sam.
Missão cumprida. Este poderia ser o começo da estabilização da situação. O próximo passo seria se tornar maior que Morello e, finalmente, tira-lo do negócio.
Seria difícil fzer isso sem um consiglieri.
Impossível, talvez.
CONTINUA NA PARTE 8
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 6
PARTE 8
PARTE 9
PARTE 10
PARTE 11 (FINAL)
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- Episódio 93 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.5
- Episódio 94 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.6



















