Episódio 97 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt.8

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PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 9

PARTE 10

PARTE 11 (FINAL)

Capitulo 18

Os últimos trabalhos haviam sido um sucesso total. A família estava caminhando para o topo novamente. Na sala de reunião estavam Don Salieri, Thomas, Sam e Paulie, como sempre. Era um dia frio, mas o ambiente acolhedor. O chefe saboreava o seu charuto. Paulie estava relaxado, com a perna cruzada. Sam havia virado o encosto da cadeira para o lado da mesa, e debruçou nela. Estava de frente para Tommy.

- Muito bem, garotos! O ultimo trabalho correu bem. – Passava os olhos nos rapazes à sua volta. – Não há evidencias. Ou até mesmo testemunhas contra nós, graças aos seus métodos persuasivos. – E olhou Paulie, sorrindo. – Eles não vão nem piar.

- Obrigado, chefe. Tentamos deixar você feliz. – Falou Paulie, retribuindo o sorriso.

- Vocês certamente fizeram! – E riu. – Mas hoje estamos aqui por outra razão. Paulie tem uma proposta bem interessante.

Paulie descruzou as pernas e se ajeitou na cadeira.

- Bem, encontrei um cara do Kentucky, William Gates. Todos sabem que o Kentucky faz o melhor uísque caseiro. Bem, de qualquer forma… Esse cara quase vomitou quando experimentou o uísque que Morello vende aqui. Quando ele me deu um gole disso que eles fizeram lá… Esqueça tudo. Não vou beber nada mais! – Encostou na cadeira. – Então perguntei a ele sobre isso, certo. Ele disse que não havia problemas, e que ele podia me entregar quanto eu quisesse. Fiquei imaginando quanta grana poderíamos ganhar com isso! – Gesticulava animado, olhando a todos nos rostos para lhes conferir suas expressões.

Todos o olhavam com vontade. Estavam felizes, então continuou a contar.

- Bom, pedi uma carga de caminhão dessa bebida. Disse a mim mesmo, se pegar aqui, podemos fazer um negócio ainda maior depois.

- Certamente será uma ótima substituição para a perda do nosso canadense. Eu gostei, isso é bom. – Acenou com a cabeça.

- Eu também! – confirmou Tommy.

- Então vamos pegar um pouco dessa bela bebida.

- Já estou de olho nisso! – Respondeu Sam.

- Onde eles estão guardando? – Tom perguntou, olhando Paulie.

- Eles vão nos encontrar no grande estacionamento.

- Temos que ser mais cuidadosos do que da outra vez. Vocês vão o local de carro, com mais dois garotos. Eles serão suas escoltas no caminho de volta. Vocês três pegam o caminhão e levem-no para nosso armazém no Hoboken. Os rapazes estarão esperando vocês no pátio. E me tragam uma garrafa, assim posso finalmente beber algo decente.

Os três levantaram e se dirigiram para a saída.

- Conte conosco, chefe! – Disse Paulie.

Encontraram com os dois rapazes do lado de fora, em um carro creme e vinho. Eram dois velhos conhecidos. O da esquerda, inclusive, era um dos homens que encarou Tommy logo quando ele, no começo de sua vida criminosa, levou Sam e Paulie de táxi para o bar de Salieri. Eram antigos na família. O motorista era chamado de Achille e o carona, Basilio.

Paulie pegou uma metralhadora no banco de trás do carro e deu nas mãos de Tom.

- Pegue, Tom. Isso pode ser útil.

Os três sentaram no banco de trás e foram até o grande estacionamento. Um daqueles edifícios-garagem que começavam a surgir com o advento do carro para a maioria dos habitantes de Last Heaven. O transito no local estava movimentado.

O grupo chegou rápido à entrada do estacionamento. No caminho, ainda dentro do carro, os garotos vestiram sobretudo e chapéus. Os de Sam e Paulie eram beges, o de Tom preto. O objetivo era ocultar suas faces. Saíram do carro, observando o lugar. Nada de suspeito. Tratava-se de um prédio grande, com uma guarita na entrada, cujo funcionário fazia parte e facilitava o esquema. Uma música alta saía do radinho do vigilante. Ganhava o dele para isso. Era um grande estacionamento, dividido em três andares.

- Espere aqui por nós, rapazes. – Paulie falou ao motorista e o carona. Abaixou-se pela janela, falando com Basilio – Estaremos de volta rapidamente. Quando sairmos, nos sigam. Aí vamos experimentar um pouco disso no armazém.

- Certo, chefe. – Basílio concordou com a cabeça e sorriu.

Os três seguiram até o terceiro piso, onde havia marcado com o fornecedor Gates. Tom levava a metralhadora em mãos, Sam a calibre 12. Usaram a escada de emergência, se houvesse alguma armadilha, ela estaria instalada ali. Achille saiu do carro e acendeu um fumo e ficou esperando.

William Gates esperava os homens de Salieri ao lado do caminhão com o carregamento. O fornecedor tinha levado quatro capangas armados de metralhadora e espingarda. William e mais dois conversam ao lado do carro em que vieram, a outra dupla conversava também com um dos seguranças escorado ao caminhão de bebida. O fato de se ter seguranças mostrava alguma renda boa com as vendagens, o que mostrava o sucesso do negócio.

Quando Gates viu os rapazes, pediu licença na conversa e foi em direção a eles. Era um homem de estatura baixa, usava um chapéu surrado, uma jaqueta azulada por cima de uma camisa verde listrada. Tinha uma barriga um pouco saliente e aspecto um pouco sujo.

- Ei você, Bill. – Paulie estendeu a mão. – É bom ver vocês novamente.

- Ei, Paulie.

- Esses são meus companheiros e amigos, gostam da idéia de trabalhar em grupo e também gostam de uísque de primeira. – Olhou os amigos, que se mantinham sérios – Coisa que o seu certamente é.

- É sim. – Respondeu empolgado devido a validação de Paulie.

- O principal é que Don Salieri também gosta e como ele está por trás de todo o negócio… – Levou a mão dentro do terno e sacou um bolo de dinheiro. – Aqui está seu primeiro pagamento pelo carregamento. – Estendeu o dinheiro.

- Dê meus agradecimentos ao Sr. Salieri. Sempre fico feliz de fazer negócio com pessoas como ele.

- Você deve estar mesmo, Bill. Você pode ter algo grande. Se essa pequena entrega der certo para nós, vamos comprar muito mais da próxima.

Uma freada ao longe ecoou por toda a construção. Ninguém pareceu se importar, exceto Tom. Quando se virou, deparou-se com dois carros pretos cercando o caminho e viu homens de preto pulando de dentro dos veículos.

- Se protejam! – Gritou Tom.

- O que está acontecendo? – Bill gritou.

Instantes depois, Bill voava no chão, baleado no peito por uma espingarda. Os mafiosos disparavam contra o fornecedor e seus capangas. Revidaram, alguns homens de preto caíram, mas os seguranças não resistiram por muito tempo. Logo, havia sangue pra todo lado.

Sobrou para o trio. Foi uma bagunça. Na rua, Achille morreu segurando seu cigarro, Basílio levou um tiro no maxilar e sangrou até morrer. O pobre vigilante foi baleado no peito e morreu no chão de sua sala, ao som de seu radio.

Sofrendo apenas alguns ferimentos, Tom e Sam fugiram com o caminhão assim que mataram a maioria dos homens. Paulie correu até o carro e escoltou as bebidas. Um dos carros pretos dos inimigos seguiu o trio até o armazém no Hoboken. Foi um erro grave da parte deles. Levaram uma saraivada de tiros no pátio e seus corpos foram desovados no oceano pelos recém-chegados à família, que almejavam maior respeito na organização.

Paulie e Sam tomaram o uísque depois de toda esta ação, Tom não conseguiu. Conhecia Basílio há muito tempo, ficou abalado. Os outros dois, por sua vez, já estavam acostumados com a morte. Eram como coveiros.

O Don foi comunicado por Sam mais cedo, e Salieri o mandou averiguar a história. Horas depois, Thomas e Paulie foram prestar uma visita. Encontraram o chefe sentado na mesa do bar. A claridade entrava tímida pela vitrine, o ambiente estava fechado para clientes.

Os dois tomaram o lugar em volta do chefe, que tomava um copo do uísque e fumava seu charuto. Já havia dois copos cheios para os camaradas.

- Então parece que Morello entrou no meio dos negócios novamente, chefe. – Paulie falou e cruzou as pernas em seguida.

- Parece que não deixamos para trás a nossa maré de azar. – Tom completou.

- Rapazes, vocês não vão acreditar nisso, mas é completamente ao contrário. O único que realmente teve azar dessa vez, foi Morello.

- O que? – Paulie perguntou incrédulo.

- Descobri quem o Sr. Gates era na verdade.

- E? – Tommy olhava vidrado.

- Gates nunca foi realmente do Kentucky. Ele era um ladrãozinho que roubava mercadorias do Morello e queria vendê-las para nós! Morello não acha que ele parou com sua negociação, mas que nós pegamos uma carga do seu mais caro uísque. Aposto que aquele bastardo está feliz agora!

Os dois ficaram chocados. Era incrível. Por sorte, o jogo havia virado completamente à favor dos Salieri.

- Inacreditável! – Exclamou Tommy.

- Bem, isso acabou dando certo. – Paulie confirmou. – Vamos comemorar! – Pegou o copo e o levantou, estava realmente viciado em álcool.

- A outro sucesso, rapazes! Salute! – Salieri levantou o copo também, ignorou o vicio de seu soldati.

Tommy também levantou e os três beberam. Riram bastante depois. Foi divertido, um ótimo momento. Era uma vitória a ser degustada, tinha sabor de uísque. Foi um duro golpe financeiro e, através dessa brecha, se tornaria mais fácil superar a família rival.

A hora havia chegado.

Logo depois, em 5 de dezembro, naquele rigoroso inverno, os jornais publicaram o fim da Lei Seca. Agora, bebida era permitida. Isso mudaria o cenário, totalmente. A cidade comemorava regada de bebida, como se fosse água.


Capitulo 19

1938

O detetive e o mafioso estavam há mais de hora naquele café. Diversas xícaras foram recolhidas.

- O fim da proibição em trinta e três… Você provavelmente não ficou muito feliz, certo? O fim dos bons e velhos dias… – O irlandês sorria sarcasticamente.

- Sim, não muito feliz… Mas não foi de todo o mal. Eventualmente, eu casei com Sarah e tive uma filha. Foi uma boa época, mas a vida seguia o seu rumo. Nós fizemos muita grana durante a proibição, que nós investimos em novos negócios. Muitos deles eram legais. Tivemos firmas comuns como construção, transporte, restaurantes… – Olhava em volta, buscando lembrar. – Mandávamos em sindicatos… E claro, havia o jogo, apostas, loterias… Nós realmente nos demos bem. Apenas tentávamos ficar longe das drogas, mesmo que nem sempre fosse fácil.

- Ah, vamos lá, negócios são negócios, certo? – Perguntava gesticulando e olhando nos olhos do mafioso.

- Você está por fora. – Balançou a cabeça negativamente. – A Cosa Nostra não é para chineses ou qualquer um! Com drogas, vem muita grana e muitos problemas. Quando alguém tem um problema com os policiais por causa de drogas, ele faz a coisa certa – ele admite a culpa. E se a família o pegar, vão apaga-lo. Drogas são um tabu.

- Então o quê, há um tipo de grande chefão fazendo julgamento? – Olhou o mafioso não acreditando e ficou sério no fim.

- Algo assim. As famílias lideres escolhem um Chefe dos Chefes, o Capo di Tutti Capi. Eles resolvem os grandes problemas e fazem as regras do jogo.

- Então, criminosos que infringem a lei – apontou para Tommy enquanto falava. – tem sua própria corte que os julga? – Encarou Tom esperando uma resposta, embora sua pergunta fosse retórica. – Isso é ótimo. – E encostou no banco.

- Leis não são imutáveis, palavras sagradas. Todo país no mundo tem suas próprias leis. E apenas alguém com muito poder aplicando a sua própria vontade. Depende da pessoa se irá servir alguém cegamente, ou aplicar sua própria vontade. Por que o Don deveria ter restrições? A máfia prevalecia sobre as proibições com sua própria lei. Alguns pobres e analfabetos imigrantes da Sicília eram mais fortes que todas as leis, cortes e policia aqui nos Estados Unidos. Isso requer alguns feitos.

- O que, com assassinatos? Com o sofrimento que eles causam? – Desafiou o mafioso.

- Dá um tempo! Você acha que a máfia apenas assassina pessoas inocentes? A máfia pune aqueles que infringem a lei, e a maioria de suas leis também. Infelizmente, não podemos colocar ninguém em uma cela, ou multa-lo. Todos que trabalham para nós sabem o que esperar caso quebrem as regras. Pessoas mentem e roubam e há muitos criminosos que sentem um prazer inacreditável quando roubam da máfia assim como mafiosos que sentem prazer em enganar o estado.

- E sobre os subornos, assaltos e ataques? Heim? – E cruzou os braços.

- Ei, os tiras não são santinhos também. Nenhum Don encoraja seus homens a saírem por aí machucando as pessoas e o que outras pessoas fazem por si só não e nossa preocupação. E sobre subornos, a maioria das pessoas chegam sozinhas ao Don pedindo ajuda e conselhos. E eles irão pagar com gosto por isso. O Don é uma pessoa muito querida, mas nem todo Don é como Salieri. Essa é a verdade. – Angelo, após concluir, levou a xícara de café à boca para lhe umedecer as secas mucosas.

- Aqui está você… Seu sistema funciona, mas quer saber de uma coisa? Vocês são só um bando de assassinos egoístas e você apenas se preocupa com o que irá ganhar. Todos os seus esforços são gastos para ter certeza que você vive como porcos na merda. Por isso vocês tem tanto sucesso, só olham para si mesmos. – Recostou, olhando nos olhos do homem. – Nós cuidamos de todos. Alguns tiras tem que manter a lei e ordem para todos, e isso é um trabalho muito mais difícil.

- Isso é verdade, mas você pode facilmente deixar o Don de fora da sua proteção. Ele irá cuidar de si mesmo.

- E sobre você, por que está aqui sentado?

Tommy observou o policial, e abaixou a cabeça. Ele tinha razão. A conversa continuaria por horas, e mais café quente e enfumaçado viria.

Capitulo 20

1935

O tempo passou, mas a guerra continuava. A intensidade dela só viria aumentar em 1935. Certo dia, Tommy levou o Don para almoçar no restaurante de Pepe que ficava para as bandas do centro, Pepe era siciliano e um estimado cozinheiro. O guarda-costas pessoal de Salieri, Carlo, estava doente no dia. Por conta disso, Tom usou o carro de seu chefe, um conversível verde escuro, para levá-lo.

Era uma emboscada. Um grupo armado fuzilou o restaurante e matou praticamente todos os clientes, inclusive uma garçonete que trabalhava em seu dia de folga. Uma granada lançada por eles devastou todo o estabelecimento. Os dois mafiosos só sobreviveram porque se esconderam atrás da mesa em que comiam, derrubando-a no chão. A perícia de Tom, que a esta altura nem parecia ter sido um dia taxista, salvou o chefe. Fez-se uma chacina, assassinou todos os soldados de Morello, responsáveis pela tocaia. Os dois saíram apenas com leves machucados.

Os jornais trataram com delicadeza este acontecimento. Havia cadáveres para todo lado. Uma mãe e filho se salvaram porque ela havia levado sua criança no banheiro para lhe tirar a carne dos dentes, e nada haviam visto do acontecido. Agora, era uma viúva. Seu marido estava morto, com pedaços de pizza de tomate na boca ainda. O don teve de gastar muito dinheiro para que Pepe pudesse levantar seu restaurante novamente. Jamais poderia deixar seu amigo assim.

Ainda no mesmo dia do acontecimento, mais tarde, Tom invadiu o apartamento de Carlo, que ficava próximo ao bar de Salieri. Ele fugiu pela escada de emergência usando suas roupas de baixo, mas acabou baleado na cabeça. Fragmentos de crânio espalharam-se pelo pátio e o sangue jorrou nas roupas estendidas no varal.

Morello começava a se sentir acuado, mesmo dominando com mãos de ferro todos os sindicatos de Lost Heaven com a ajuda de seu irmão, Sergio Morello. Foi neste momento que a guerra tornou-se maior. Salieri havia sobrevivido a este ataque direto e com isso havia ganhado o direito legitimo de contra-atacar. E assim fez o velho.

O Don, Vincenzo e Thomas reuniram-se na sala de armas no fim da tarde, com emergência. O armeiro servia as bebidas enquanto a conversa se desenrolava.

- Tommy, aquela tentativa de assassinato significa que Morello abertamente declarou guerra contra nós. Nós temos que cuidar disso. Se Morello não tivesse ligações com os políticos e outras organizações importantes da cidade, nossas forças seriam quase iguais. Se liquidarmos essas pessoas, nosso oponente será muito mais fraco.

- Isso é exatamente o que faremos. – Disse Vince, sentando-se. – Eliminaremos seus contatos influentes.

- Certo. – Disse o chefe. – E como nós sabemos, a guerra de todos contra todos deve ser evitada. Pegue os generais, então os soldados irão desistir sem terem lutado. Entõ é isso que faremos, vamos acabar com eles um a um.

- Que você quer dizer exatamente?

- O primeiro na mira é o conselheiro da cidade que nos causou tantos problemas. – Recostou, fazendo a cadeira estralar, e cruzou os braços. – Morello o colocou na politic e isso faz dele um grande ajudante. Nós cuidaremos dele hoje.

- O conselheiro está celebrando seu aniversário e decidiu fazer uma grande festa. Ele está tendo ela num barco a vapor, com fogos e tudo mais, e estará fazendo um discurso aos paparazzi. Haverão muitas pessoas que não farão nada contra nós quando verem o que aconteceu com ele. – Vincenzo explicou para Tom, o olhando.

- Parece muito arriscado. – Falou Tommy, ajeitando sua perna cruzada.

- …Mas vale correr o risco. – Salieri disse balançando a cabeça em sinal de concordância. – Vincenzo sabe o plano.

- Certo, como eu disse, ele está num barco a vapor. Não será fácil entrar sem um convite, mas eu sei que você consegue Tom. Acima de tudo, tente não levantar suspeitas antes de conseguirmos alcançar nossa meta. Claro, você não passará com uma arma pela segurança, mas já cuidei disso. Logo que você chegar no deck, vá para um dos banheiros masculinos. Haverá um pequeno revolver escondido lá. Depois, apenas espere um pouco do lado de fora. O conselheiro provavelmente estará em sua cabine, mas saíra para o começo das celebrações e seu discurso. Será sua grande chance. Durante o discurso, você vai acabar com ele, Tom. Tem que ser em publico e seu discurso será a melhor oportunidade. Haverá uma grande multidão lá, então você poderá se misturar com eles logo que tudo estiver feito.

- E depois? Eu gostaria de voltar inteiro para a costa.

- Depois, será loucura. Haverá seguranças no barco e você deve conseguir passar por eles no meio do caos. Se não, vá pra a proa e Paulie estará com um barco para trazer você em segurança.

- E então, Tommy? – Falou o chefe. – Não vai ser um piquenique, mas você deve conseguir.

- Ta bom, eu faço.

O coração de Tommy batia forte, mais do que nas outras vezes. Agora, tratava-se de iniciar o fechamento dessa guerra que a tanto durava.

- O barco está ancorado na Ilha Central. Melhor você ir, ou vai se atrasar. Melhor ficar de olho na hora. – Advertiu o armeiro. – Buona fortuna, Tom.

Exatamente 1 hora depois, Tom entrava no chique barco a vapor, vestido de marinheiro. Roubou um dos trajes da tripulação, que estava em uma pequena sala próxima ao porto. Descobriu a sala por sorte, quando viu uma equipe de marinheiros saindo do local. Sem dúvida, se disfarçar era mais fácil do que arrumar um convite. Ajeitava o chapéu branco com detalhes azul marinho quando passava pela rampa de metal que ligava a embarcação ao píer.

O chique barco, com detalhes em madeira canadense, tinha bandeiras políticas espalhadas por todas as varandas. As pessoas da alta sociedade acenavam para fotógrafos e jornalistas que estavam no píer, outros estavam nauseados, quase vomitando na beirada das varandas. Alguns paparazzi cruzavam de um lado para o outro no barco. Risos forçados, sorrisos falsos e garçons servindo canapés. Tom odiava aquele lugar.

A embarcação era movida por um grande motor de metal atrás e na frente estava a rampa de ligação com acosta elevada. Havia três andares, sendo o segundo lounge e mesas distribuídas pelas regiões periféricas. No centro, havia um pequeno bar e cozinha, separado por uma porta dupla de madeira cara e fina vidraçaria.

O terceiro nível era onde ficava a sala do conselheiro, protegida por vários seguranças providos por Morello. Uma banda chamava Bandits of Rhythm tocava, composta de uma vocalista acompanhada de mais cinco homens, sendo alguns negros. Tocavam no palanque, onde o discurso seria feito. Neste anda existiam algumas mesas também.

Aos poucos o barco se afastava da costa, o panorama de Lost Heaven naquele começo de noite era formidável, em conjunto com um forte vento gelado do oceano. Tommy não tardou em procurar o banheiro. O revolver não estava em lugar nenhum, definitivamente isto poderia ser problema. Só sobrou um banheiro trancado, cuja chave estaria com o salva-vidas. Era o tipo de coisa que sempre acontecia com o mafioso.

Perguntando a tripulação, ele pode chegar facilmente até o homem. No caminho pensou em esmurrá-lo até ele dar a chave, mas isso seria mal negócio. O homem estava no primeiro andar, próximo ao banheiro, fumando. Era de constituição forte e usava uma camisa listrada. Tinha pinta de ser um vagabundo.

- Ouvi dizer que você tem a chave para o banheiro lá de cima.

- Não me enche, tenho muito trabalho pra fazer. – Falou o homem, sem nem sequer olhar pro mafioso.

- Ei, eu preciso dessas chaves, eu deixei algo lá. – Maneirou no tom.

- Ta certo, talvez eu te dê ela, mas você tem que me prometer limpar toda a bagunça lá e traga ela de volta pra mim. Eu vou esperar por você na popa.

- Limpar? Bem… – Tom olhou pros lados, odiando o salva-vidas. – Ta bom, pode apostar.

- Aqui está. – Deu a chave na mão de Tommy. – Mas traga-as de volta!

Tom acelerou até o banheiro, o abriu e deparou-se com vomito para todo o lado. Pelos azulejos e pia. O cheiro era horrível. Antes de qualquer coisa, Tommy fechou a porta e começou a procurar pela arma. Até que a encontrou, estava em baixo da pia, encaixada no cano. A guardou. Agora, deveria limpar o banheiro, ou do contrário poderia ser desmascarado. Mas se demorasse, não iria dar tempo de matar o homem durante o discurso. Arregaçou as mangas e lembrou dos tempos que limpava o banheiro para sua mãe.

Depois de acabar, foi até a popa devolver a chave. Isso o havia até mesmo deixado nauseado. Se dependesse dele, Tommy mataria todos no navio só por isso. Deu a chave na mão do salva-vidas.

- Viu só, como foi fácil? Nada mal, você poderia abrir uma firma de limpeza.

- É, aí eu usaria você como pano de chão. – Tommy respondeu com sarcasmo.

Deu tempo de Tommy ir até o ultimo andar e esperar o discurso. Em coisa de 10 minutos depois, o conselheiro saiu. Na frente, saiu um forte mafioso de Morello. Logo atrás, veio o velho, ajeitando sua gravata borboleta. Os flashes dos fotógrafos começaram a piscar. A estatura do velho era média, usava um chapéu e um paletó cinza por fora. Tinha um rosto bondoso, poderia enganar qualquer um. E juntando isso com o apoio da máfia, sem dúvidas cresceria na política.

O conselheiro passava pelo corredor cumprimentando a todos, escoltado com mais dois guardas. As pessoas elogiavam a festa, agradeciam e ele, por sua vez, acenava para todos. Quando chegou ao palanque, todos aplaudiram. Chegou ao microfone e acenou para todos com as duas mãos. Mais fotos. Tommy estava no canto direito do barco, de forma que pudesse atingi-lo e fugir.

- Obrigado, obrigado e sejam bem vindos a essa festa. Nunca iria adivinhar que tinha tantos bons amigos, que eu espero, irmão celebrar comigo essa ocasião especial. Nunca passou pela minha cabeça, nem nos meus mais malucos sonhos, que quando tivesse 40 iria terminar assim. Comecei apenas com um negócio pequeno e alguns dólares, mas tentei fazer o melhor que pude. Até mesmo nas piores épocas, sempre dizia: “Com integridade, um homem irá mais longe” e esse lema perdura até hoje.

O som se escondia ao longe, a luz escorria aos poucos do barco.

- Mais tarde, quando as coisas começaram a melhorar, eu casei com minha adorável Agnes. – E a olhou e sorriu, sua esposa tava próxima. – Infelizmente, aquela terrível guerra veio às nossas vidas. Foi uma época dolorosa, mas passamos por elas vivos e saudáveis. Minha querida esposa e eu pudemos conseguir uma vitória para o nosso amado país. Logo após a guerra, meu primeiro e único filho nasceu. Mesmo que a época não fosse boa, nós fomos muito bem. Criamos nosso filho para ser um modelo americano, e coloquei em sua cabeça os princípios de como ser um bom cristão. Mesmo com muitos negócios arruinados e falidos após o “boom”, meus negócios sobreviveram. Fui capaz de fazer doações modestas para caridades, ajudar os desempregados, me tornar um patrocinador das artes e mais: recuperamos uma igreja linda, porem devastada.

Mais fotos. Um raio de emoção pode ser visto na expressão do homem.

- O destino desejou que recentemente eu desse adeus ao meu filho, naquela mesma igreja. Ele perdeu sua vida graças a um criminoso. – Seus filhos umedecerem de lagrima.

Tommy abaixou a cabeça nesta hora.

- Tenho estado na política por muito tempo agora. Agora que estou na política, vou proteger os cidadãos de bem e vou proteger seus direitos! Prometo que o resto da minha carreira vai ter como objetivo a perseguição dos gangsters e comparsas que mataram meu filho! Vou varrer o crime dessa cidade!

Tom pode ver um dos seguranças de Morello sorrindo.

- Mas esta é uma festa de aniversário. Eu já disse o que devia e agora apenas quero que todos se divirtam nessa noite agradável. Estou iniciando outra década de minha vida e quero prosperar junto de todos vocês em sua cidade saudável e próspera. Para mim, esse é o inicio de uma nova era! Agradeço vocês.

Todos aplaudiram. O conselheiro virou-se para sair, ficando de frente para Tom. Rapidamente, o mafioso retirou a arma e mirou. Antes que alguém pudesse ver, atirou. Um tiro pegou no peito do conselheiro, que paralisou com um olhar fixo para Thomas. Os seguranças de Morello sacaram as armas e começaram a se aproximar empurrando as pessoas e mesas. Outro tiro foi dado, acertando o esôfago do velho. Ele caiu para trás cuspindo sangue. Caiu no chão de madeira do palanque, e em instantes formava uma poça de sangue no chão.

O caos se instalou, todas as pessoas saíram correndo em disparada, gritando e se escondendo em qualquer lugar que fosse possível. A banda largou os instrumentos e se jogou no chão. Algumas pessoas foram pisoteadas. Tommy desceu as escadas a toda velocidade e viu Paulie em um barco a motor o esperando. Pulou no barco e saiu em dispara de volta para a costa, largando toda a confusão para trás.

A esposa lançou-se em cima do corpo do marido e começou a chorar. Era tarde, ele estava morto. O tiro espalhou-se dentro dele, o cortando todo por dentro e criando uma hemorragia interna.

Os mafiosos chegaram com sucesso em Lost Heaven e todos os jornais trataram do caso na primeira pagina. As fotos do corpo substituíram as de seu discurso e festa. “Grande representante da cidade é assassinado pela máfia!” “Festa do massacre!”. Aquele foi o primeiro forte golpe contra Morello.

Muitas mortes estavam por vir.

E viriam.

CONTINUA NA PARTE 9

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 9

PARTE 10

PARTE 11 (FINAL)

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