Episódio 99 – Mafia: Pecado no Paraíso Perdido Pt. 10

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9

PARTE 11 (FINAL)

Capitulo 23

1938

O mafioso encarava o policial.

- Então você… matou o Morello! – Disse o investigador, apontando a parte traseira do lápis para Tom. – Deve ter se sentido bem, heim?

- Nós comemoramos. Salieri estava maravilhado, claro. Mandávamos na cidade inteira, praticamente e parecia que o derramamento de sangue havia acabado. Por um instante, me senti como um rei, até que percebi algo. Se um cara comum como eu – falava batendo a ponta do dedo indicador direito na mesa. – podia matar o homem mais poderoso da cidade, para que servia todo aquele poder?

O policial estava sem palavras, perplexo. Havia ouvido toda uma história de sucesso no submundo, e agora, o que era isso? Queda? Fim do sonho?

- Diabos, se ele não fosse tão poderoso, ele provavelmente estaria vivo. Parecia para mim que não importava o quão forte alguém era, sempre há alguém mais forte para acabar com ele.

- Então, onde essa intuição levou você? – Perguntou o tira.

- Ganância é um merda, quando você não tem dinheiro, você acha que algumas notas por mês bastam. Então você percebe que não seria nada mal ter um belo carro. Você tem um ótimo trabalho, na posição mais alta, mas na verdade você quer ir mais longe. Antes que perceba, você quer ser o presidente do país e vencer a guerra contra os alemães. – Observou um dos clientes falando com a garçonete, sentado ao balcão e depois o detetive, tomando uma xícara de café. – Felizmente, isso não vai acontecer. E toda estratégia para cuidar de alguém tem uma falha básica: O tempo todo você tem que cuidar de si mesmo caso alguém tenha a mesma idéia. Então pensei comigo mesmo que deveria mudar um pouco as minhas prioridades…

- Ótima história bíblica. – E riu, sorrindo sarcasticamente.

- Ria. Você sabe onde isso me levou no fim. – E retirou uma foto do bolso e jogou à mesa. – Isso.

O policial pegou e encarou a foto preto-e-branco.

- Quem é?

- É de 1920. O velho é o Don Peppone.

A foto mostrava três homens. No centro, um homem de rosto rechonchudo e oval, usando um chapéu e terno – e ultrapassado – paletó. Ao seu lado direito, um homem magro e mal encarado de terno branco e chapéu fedora. Era Morello. Do outro, um homem gordo e cabelos escuros. Ninguém menos que Don Salieri.

- Os dois mais jovens são Salieri e Morello. Essa foto me convenceu que esse tipo de vida é venenosa.

O tira continuava encarando as fotos, como se buscasse algo nela, e devolveu a foto voltando a escrever.

- Morello e Salieri eram amigos e eles eram comandantes do regime de Peppone. Mas em 1920, eles mataram Don Peppone por causa de um negócio. E o mais estranho, Salieri ainda admira o homem. Depois disso, eles dividiram a cidade e cada um cuidou de sua própria parte, mas então eles começaram a competir um contra o outro. Acabei sendo o instrumento de morte do Salieri para matar seu melhor amigo, para salva-lo de olhar Morello nos olhos. E veio a mim que meus amigos e as pessoas que amava eram a mesma coisa. Um dia eu iria olhar para o Paulie e estar olhando direto para o cano de uma arma. Não poderia ter certeza de ninguém, acima ou abaixo de mim.

- Mas você estava arriscando sua vida todos os dias. Ser um assassino da máfia não é um mar de rosas, do jeito que você fala…

- É diferente quando você está vivendo isso, – Tom falou com certa dificuldade, era difícil para ele. – quando você está cheio de energia e lutando por sua vida com alguém que é como se fosse seu irmão. Vocês são apenas dois soldados que sabem o que precisa ser feito e tudo depende de sua habilidade de sobreviver. É uma guerra. O sentimento constante de que você não pode nem confiar em seu melhor amigo é terrível. Você está sozinho e a morte pode vir de qualquer lugar. Fico acordado a noite pensando se a piada que meu melhor amigo me contou era apenas uma piada, ou se eu devia me preparar para minha execução. Uma pessoa precisa de alguém em quem confiar… – E abaixou a cabeça.

Capitulo 24

1938

A Família Salieri havia crescido muito. As ruas, por anos, foram praticamente todas deles. Se você tinha um problema, ia até o Don Salieri. Morello era apenas uma lenda sobre pontes e azar. Mais nada.

Mas, todos já previam que hora ou outra surgiria gente querendo competir. Logo, políticos estavam se metendo com os mafiosos. Bandidinhos de rua peitavam os homens de terno. O sangue continuava jorrando e jamais pararia. Se alguém pensou que as guerras acabariam, pensou errado.

O ápice foi quando Tommy invadiu a antiga penitenciária e, com um rifle de longa distancia, matou um político que fazia um discurso. Era um grande inimigo, mas não tão grande para sobreviver. Certa vez, Salieri os chamou para fazer um trabalho de relaxar. Coisa simples. Reuniram-se no escritório do Don e era tudo bem simples: Roubar cigarros no porto de uma tal exportadora Scorsese. Pra todos, isso era café pequeno. Por que diabos o Don iria querer roubar cigarros?

Durante o trabalho, numa tarde abafada e laranja, Paulie teve uma idéia e chamou Sam e Tommy. Estavam em um beco na quadra dos trabalhadores, preparando-se para roubar o caminhão e os documentos do motorista, a fim de ter acesso ao porto que desde a morte de Sergio estava muito bem defendido.

Thomas vestia roupa comum, boina, um paletó batido e calças de passear. Paulie explicava, com um pé sobre um caixote abandonado, levemente debruçado. Em frente a ele Sam, com uma mão no bolso, atento.

- Já que estamos todos aqui, quero pedir algo para vocês dois. – Começou Paulie.

- O que tem em mente? – Perguntou Sam.

- Bem, tive essa idéia e posso precisar de vocês dois para fazer um trabalhinho comigo.

- Sério? Qual é o negócio? – Tom olhava interessado o amigo.

- É um grande negócio. Não posso fazer sozinho e vocês são meus bons amigos, conhecemos uns aos outros… vocês sabem…

- E Salieri? Sabe disso? – Sam estava sério.

- Não, ele não sabe e nem precisa saber. Ele já tem muito dinheiro.

- Então, do que se trata? – Tom estava de braços cruzados.

- Bom, eu estava olhando um banco… – E olhou os amigos.

Os dois se espantaram. Tom e Sam se olharam, e fitaram em Paulie.

- Fiquem calmos! Esse banco não é muito seguro. No fim do mês eles sempre tem uma grande quantidade de dinheiro no cofre. Iríamos ficar cheios da grana se conseguíssemos.

- Ou estaremos todos mortos! Qual é o seu problema? E alem do mais, já temos muita grana! – Tom voltou a cruzar os braços.

- O cacete! Não estamos maus, mas com certeza não estamos ricos! Salieri não é um mau chefe, mas de vez em quando eu gostaria de ganhar uma bela grana, não apenas uma pequena parte.

- Não estou certo que seja um bom plano, Paulie.

Sam apenas observava, calado.

- Que você diz, Sam? – Olhou o calado, esperando sua resposta.

- Não conte comigo. A Família é muito importante pra mim. – Sam falou de cabeça abaixada, chutando uma pedrinha.

- Certo, vocês provavelmente estão certos, esqueçam. Estava apenas pensando alto. – Explicava-se, olhando os dois.

- Ok, bom.

- Certo, acho que está na hora. Vou me aprontar.

Separaram-se depois da conversa. Tom e Paulie foram atrás do caminhão no porto e Sam foi arrumar o resto do trabalho. Por fim, foi um sucesso. Thomas roubou as caixas e fugiu, sendo apenas visto na fuga, mas conseguiu deixar os seguranças do porto para trás. Encontrou-se com Paulie e foi junto dele para o armazém. Sam foi buscar o Don.

Chegaram no começo da noite, estacionaram o caminhão.

- Perfeito! Conseguimos! – Comemorou Paulie, sentado no banco do carona.

- Bom, agora nós finalmente vamos ver o que há dentro dessas caixas?!

- Boa idéia, espero que não tenha quebrado nada no caminho.

Os dois saltaram e foram até a carroceria. No caminho, Tom acendeu um cigarro.

- Algumas delas caíram e os cigarros estão amassados. – Paulie falou, subindo na traseira. – Não está tão ruim. Essa aqui só está torta, então vamos ajeita-la. – Paulie abria uma das caixas.

- O que diabos você está fazendo?

- Quê? Deixei umas coisas caírem, nada demais… Ei caixa, o que você tem aí dentro? Cristo! – gritou. – Tom, você não vai acreditar nisso!

- Que é, o que há dentro das caixas? – Deu uns passos a frente e gritou com surpresa.

O pequeno deu nas mãos de Angelo um estojo de cigarros.

- Maldição, você está pensando no mesmo que eu? – Falou abismado, ao abrir e encarar o conteúdo. Olhava a caixa e Paulie, sem acreditar no que via.

- Bem, não se parecem cigarros.

- E definitivamente não são pedrinhas de doce. – Erguia um diamante em direção ao decadente sol.

Pequenas pedras de diamante estavam naquelas caixas. Reluziam à luz solar.

- São diamantes, e que diabos, muito deles.

- E se eles forem apenas bijuteria? – Tom encarou Paulie e voltou a olhar as jóias. – Você sabe, eles trocam cigarros por espelhos, penas, contas, coisas assim.

- Acho que apenas Colombo fez isso. Esses parecem ser diamantes, Tom. E diabos, há muitos deles.

- Sabia que Salieri não iria se arriscar tanto por causa de alguns malditos cigarros.

- Parece que você estava certo. Que quer fazer? Devemos pega-los? – Paulie falava com volúpia, não mais olhando os olhos do amigo. Apenas a caixa.

- Como?! Você acha que iríamos escapar assim?

- Bem, podíamos dizer que algumas caixas se perderam na perseguição… ou…

- Esqueça isso! É pura bobagem! Coloque-os de volta onde os achou! – Deu a caixa na mão do mafioso. – Não quero acabar com um furo na minha cabeça! – Olhava em volta para ver se ninguém observava.

- E se nós pegarmos apenas um ou dois? – Paulie, enquanto guardava, pediu virando a cabeça para Tom, falando em tom moderado. – Há tantos.

- Paulie!…

- Tá bom, tá bom, vou colocá-los de volta. Mas e se Salieri não sabe sobre eles? – Perguntava, voltando até o camarada.

- Acho que podemos descobrir facilmente se ele sabe.

- Como?

- Sam está trazendo ele aqui, agora. – Observou no fim da rua o carro de Sam se aproximando rapidamente. – Venha, vamos ver logo se ele sabe. – Fechou a porta da traseira do caminhão, tragou o cigarro e foi receber o Don.

O chefe saiu lentamente de seu carro, com um charuto em mãos. Caminhou até os rapazes, encarando o caminhão.

- Bravo, rapazes! Vocês conseguiram e tem um merecido bônus a caminho. – Passou pelos dois os olhando e foi até a carroceria.

O chefe segurou e ficou na ponta dos pés para melhor ver as caixas. Estava curioso.

- Ah, uma caixa quebrou, mas não foi nada. Essas daqui de trás parecem estar bem. Bravo, bravo.

Thomas e Paulie se olharam, e o pequeno fez um movimento com a cabeça para que Tom perguntasse.

- Chefe, devemos descarregar as caixas e coloca-las no armazém?

O Don, lentamente, virou a cabeça e o encarou, com a expressão de que pensava em algo.

- Eh… não não, não agora. – Falou com hesitação, balançando a cabeça negativamente. – De qualquer forma, por que deveriam fazer isso? Posso pedir a outra pessoa. Vocês querem trabalhar em meu armazém também? – Deu uma risada, tocando no braço de Paulie e caminhando com eles. Sua postura corporal deixava clara que era para eles saírem. – Agora vão com cuidado, rapazes. – Tragou seu charuto e foi até o caminhão novamente, olhar as caixas. – Bom trabalho…

A dupla caminhou até o carro, onde Sam esperava no volante.

- Paulie? – Disse Tommy. – Vou passar amanha para conversar sobre aquele pequeno negócio que você mencionou. – Dizia enquanto entrava no carro.

- Ta bom, certo.

Sam os olhou de soslaio e deu partida no carro. Fim do dia. O Don estava feliz, mas nem todos compartilhavam deste sentimento.

Capitulo 25

No dia seguinte, Thomas foi até o apartamento do Paulie nos arredores da Pequena Itália. Era uma manhã ensolarada, de nuvens bem formadas. Era um lugar arrumado, de bom espaço e boa vista. Bem arrumado também, mas não por cuidados, mas por ausência. Sua família estava fora.

Angelo foi bem recebido, sentou-se logo e Paulie lhe trouxe uma bebida.

- Então, Tom? – Botava o copo com bebida na frente de Tom. – O que lhe fez mudar de idéia? Não achava que queria fazer isso. – Voltou até a cozinha para deixar as bandejas.

- Isso foi quando eu ainda achava que Salieri não estava nos usando. – Deu um gole na bebida. – Agora sei que ele esta.

- Bom, você certamente está correto em seu pensamento. Então, quer roubar o banco?

- E Sam?

- Você o ouviu. Ele está preocupado com o que possa acontecer e o Don indo atrás de nós. – Falava, ainda na cozinha.

Tom abaixou a cabeça, pensativo, se estava ou não fazendo o certo.

- Então, se quiser fazer, é só você e eu.

- Primeiro gostaria de ver esse banco, então vou escutar seu plano.

- Ótimo, podemos dar uma olhada agora. Não fica longe, podemos ir de trem.

- Ta bom, vamos lá.– E levantou-se, indo para a saída.

De saída, Paulie tomou o resto do uísque que Tommy havia deixado no copo e o seguiu. Pegaram o trem e seguiram ao banco. De fato, ele não era muito grande, mas podia abarrotar seus bolsos com dinheiro. Na entrada, o educado guarda lhes deu bom dia.

Assim que entravam, havia um corredor com três portas de madeira e caro vidro. Uma à frente, que levava à dependencia dos funcionários. Uma porta fechada à direita, que levava à parte superior. E finalmente, na esquerda, a que levava ao hall de negociações, para onde costumamente os clientes iam. Haviam dois vigias nesta área.

Os dois se acomodaram a uma mesinha. Um homem de meia idade brigava no balcão, parecia ser um empresário, estava bem vestido. Todos cuidavam de sua vida. O som das máquinas de escrever ecoavam com seus tictacs quase infernais.

Em voz baixa, Paulie começou a explicar o plano para Tom.

- Certo, vamos começar aqui na entrada. Corremos aqui e gritamos que é um assalto. Aqueles dois guardas provavelmente vão desistir, mas se eles quiserem bancar os heróis, vamos acabar com eles. Assim que eles estiverem fora do nosso caminho, pegamos as chaves para o cofre. Temos que descobrir onde elas estão, perguntando aos atendentes. Acho que eles vão falar com uma arma apontadas para suas cabeças.

O cliente enraivecido gritou, interrompendo Paulie. Era sobre um problema na conta dele. O pequeno o olhou e retomou a conversa.

- Você vai pela porta atrás do corredor, depois de pegar a chave. A porta te leva para um corredor. A direita tem uma escada, para baixo leva ao cofre e para cima o escritório. Se você tiver as chaves, vá direto ao cofre, se não você terá que pega-las em algum lugar lá em cima. Lá embaixo provavelmente haverão mais guardas e você terá que lidar com eles sozinho enquanto mantenho tudo em ordem. Lá embaixo há um grande cofre, abra-o. Pegue a grana e caia fora, isso é tudo.

- Certo. – Confirmou Tom.

- Perfeito, vamos embora daqui então.

Os dois saíram, deram uns passos e foram até a esquina.

- O banco é ligado ao Sistema de Segurança Holmes, mas mesmo com rádio nos carros eles não chegam antes de 5 minutos. Isso quer dizer que teremos cinco minutos entre entrarmos, fazer tudo e então desaparecer. Precisamos de um carro, e é estupidez pegar um do Ralphy, ele vai contar para Salieri. Você precisa pegar um carro bom e rápido, Tommy. Pra você isso não deve ser problema.

- Não, não deve. Acho que Lucas deve saber de algo.

- Certo, tenta pegar algo rápido, precisaremos. Acho que eles não vão nos deixar em paz mesmo que saiamos do banco a tempo, ainda podemos encontrar com os tiras pelas ruas.

- E como pretende lidar com eles? – Tom já sabia a resposta, mas mesmo assim perguntou. Não queria matá-los.

- Vamos para uma construção abandonada lá no Hoboken, a Palermo Club.

- Ótimo.

- Então, temos um pequeno problema com as armas. Tenho minhas próprias armas, mas você não. Você vai ter que pegar alguma arma. Acho que sei de um lugar onde você pode consegui-las. É meio longe, fica no Hoboken também. Próximo da estação Central Hoboken, abaixo dos trilhos elevados, há uma rua. Entre e pegue e vire na próxima esquerda. Você vai ver um velho cinema chamado Twister e na entrada lateral, a loja do Pete Amarelo. Diga a ele que te mandei, ele deve ter algo.

- Certo, vou preparar tudo e vou passar na sua casa.

- Quando chegar, buzine, e aí vou te encontrar.

Anteriormente, Paulie havia deixado outras roupas no galpão e uma maleta para guardar o dinheiro depois.

Thomas foi preparar tudo. Foi ver Lucas Bertone e ele o indicou um belíssimo conversível alemão, vermelho e preto. Apenas um homem na cidade possuía – um professor. Tommy arrancou o homem de seu carro e entrou acelerando a toda. As crianças na porta da escola Oakwood, que tudo viram, aplaudiram pensando aquele ser um tipo de show.

Em seguida, foi até o tal Pete Amarelo. Sua loja era grande, repleta de armas. Um jovem auxiliar vigiava tudo, inclusive a porta, que era uma grande chapa de aço com uma pequena janela no centro para que se visse quem entrava. Foi apenas preciso citar Paulie. Pete deu alguns revolveres e pistolas para o mafioso, perfeito. Realmente as conhecia, foi um veterano da primeira guerra mundial. Seu hálito era semelhante ao de um cão vadio.

Já de tarde, encontrou Paulie. Hora de realizar o trabalho. Ajeitando o terno, o mafioso aproximou-se do carro e se espantou em vê-lo.

- E então, tudo em ordem? Pegou o que precisa? – Perguntou Paulie, entrando no conversível.

- Sim, só aquele Pete Amarelo que é meio louco.

- Ele é um velho lunático, mas suas coisas são boas.

- Por que o chamam de Amarelo?

- Você viu seus dentes? São os mais amarelos da cidade, os mais fedidos!

- Certo, certo. – Disse Tom, com um ar de riso.

Chegaram ao banco, estacionaram. Tom guardou o saco no interior do terno. Os dois entraram. Paulie parecia calmo, mas Tom estava, nitidamente, nervoso. Mais por Salieri descobrir do que por qualquer outro motivo.

- Ok, todo mundo! Isso é um assalto, todos no chão e nada vai acontecer com vocês! – Gritou Paulie, sacando uma pistola colt.

Tom retirou a pistola também e mirou. Gradativamente, as pessoas foram se jogando no chão, inclusive um vigia. Havia apenas um ali, por algum motivo. Um continuou de pé, com os braços levantados.

- Eu disse chão! Todos!

E se fez lei, o homem caiu e cobriu a cabeça com as mãos. Tom ouviu uns passos e quando virou-se, foi surpreendido por um guarda. O mesmo que havia lhe dado bom dia mais cedo. Os dois começaram a brigar, o mafioso encostou o cano da pistola no peito do tórax do homem e disparou. A janela foi pintada de sangue, os clientes gritaram. Tom empurrou o corpo contra o chão e ajeitou o terno, assustado.

- Belo e legal. Tudo vai ser fácil. – E correu até o balcão, apontando a arma para um funcionário. – Eu quero as chaves para o cofre e rápido! Onde elas estão?

- Senhor, as chaves das grades estão aqui mas… Apenas o gerente tem as chave para o cofre.

- E onde está o gerente? – Paulie gritou, mirando a arma por cima da bancada.

- Ele está lá em cima, em seu escritório… – O funcionário tremia, estava pálido.

- Você ouviu, pegue as chaves e traga a grana rápido, homem! – Paulie gritou, para que Tommy acordasse e fosse fazer algo. Nitidamente, o mafioso estava assustado com toda a situação.

Angelo pegou as chaves das grades em um armário próximo ao homem e subiu, no caminho teve de balear mais um vigilante, que ficou sangrando no chão. Aos chutes, entrou no escritório do gerente. Uma cara sala feita toda em madeira, com uma estante cheia de livros. Apontou a arma para o velho.

- Onde estão as chaves do cofre?

-  Estão a-ali no armá-armário… Só não me ma-mate, eu tenho famí-mília. – O gerente estava com as mãos para o alto, gaguejando.

Tom pegou as chaves e desceu. Teve de matar mais dois guardas para chegar até o cofre, que ficava em uma sala repleta de grades e salas de armários. Finalmente viu o grande e circular cofre, de aço puro. Estava sujo de sangue, devido ao tiro na cabeça que um dos pobres homens levou.

O mafioso colocou a chave e começou a girar a porta com força e depois de alguns estalos e ruídos, ela começou a abrir. Uma luz dourada iluminava seu rosto. Pilhas de ouro e notas. Passou os olhos em tudo aquilo. Ali estava a quantia de dinheiro equivalente à quatro Salieri e dois Morello.

- Uau… – Falou em tom baixo, fascinado.

Correu até a estante e pegou um dos sacos de estopa onde se guardam o dinheiro para carregamento. Trazia os maços de dólares da prateleira abruptamente, alguns até caíam no chão. Rapidamente encheu a saca.

No hall, uma cliente começou a chorar e gritar. Mulher de meia idade, cabelos louros enrolados, vestido vermelho. Paulie estava no centro da sala, apontando a arma para todas as direções.

- Pare de gritar! – Apontou a arma para ela. – Pare agora! E ninguém se mexe!

Tommy pegou cerca de 50 maços de dinheiro, formados por nota de 100 apenas. Amarrou o saco em suas costas e saiu correndo dali. Quando subia as escadas em direção ao hall, escutou mais gritos e três tiros. Foi quando viu Paulie segurando a arma e, à sua frente, uma mulher baleada. Tommy parou e ficou encarou o corpo e Paulie, sem crer. Ele havia matado alguém que poderia ser a Sarah, ou sua filha.

- Basta, vamos embora daqui! – Paulie percebeu o olhar de Tom e gritou, dando um tiro pro alto.

Os dois fugiram e jogaram o dinheiro no banco traseiro do carro, os dois pularam dentro dele. Paulie no carona, Tom na direção. Aceleraram, deixando para trás o estridente alarme do banco. Os carros estavam parados na rua e na outra calçada todos observavam o acontecimento horrorizados. Fugiram com grande estilo.

Em 15 minutos chegaram até as proximidades do Palermo Club e abandonaram o conversível em uma esquina. Empurraram uma grande porta dupla azul e seguiram afobados correndo até o galpão abandonado.

- Estamos ricos, Tom! – Paulie falava, com a voz embargada devido à falta de fôlego. – Conseguiu! Deu certo! – Segurou Tom pelos ombros e o puxou pra perto.

- Parece que sim, e agora?

- Vamos mudar nossas roupas para que eles não nos peguem nas ruas, e colocar a grana na maleta. Não vamos falar nem uma palavra disso para ninguém! Durma, passe aqui e vamos pensar sobre o que fazer com essa grana. Vou levar comigo, assim Sarah não descobre.

- Só não fuja com a grana!

- Claro, vou voar pro Hawaii! – E Paulie riu, com seu jeito de sempre.

- Nem tente, eu te encontraria e faria você engolir essa maleta. – Sorriu.

- Mal posso esperar por isso! – Paulie gargalhou, dobrando o corpo.

Depois dali, trocaram de roupa, acomodaram o dinheiro e saíram a pé, separaram-se. Tomaram um táxi e cada um foi para sua casa.

O roubo havia dado certo. Estavam ricos agora. Foi perfeito. O dinheiro havia ficado na casa de Paulie por alguns dias. Eles não podiam gastar tudo rapidamente, nem ostentar comprando coisas caras, as pessoas acabariam estranhando. Tommy foi até a casa do mafioso no dia seguinte, como o combinado. Iam pensar o melhor jeito de investir o dinheiro.

Tommy não podia se agüentar. Subia as escadas do prédio de Paulie mal se contendo, pensando em como usar o dinheiro. Quando chegou à porta do apartamento, levou a mão para bater na porta. Quando ela encostou, a porta abriu um pouco. Estava destrancada.

O mafioso a abriu e deparou-se com o corpo de Paulie no carpete, aos seus pés. Sua camisa social estava coberta de sangue, seus músculos faciais enrijecidos, fazendo uma expressão de dor.

- Jesus… – E tirou sua Colt Detetive, um pequeno revolver de 6 balas. – Que diabos aconteceu? Paulie… Paulie!

Estava morto. Quando se aproximou, viu um tiro em sua cabeça, que vazou boca à fora.

- Cristo… a grana, onde está a grana! – Correu até o caixote em que estava guardada a maleta. Ela estava quebrada, vazia. – Maldição, sumiu! Isso é um pesadelo…

O telefone tocou. Thomas Angelo, abalado, levantou-se devagar, olhando com desconfiança.

Seu melhor amigo estava morto agora. Uma bala na cabeça, três nas costas.
Paulie estava afogado em uma poça de seu próprio sangue.

CONTINUA NA PARTE 11 (FINAL)

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

PARTE 8

PARTE 9

PARTE 11 (FINAL)

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