Episódio 83 – Grand Theft Auto III – Vendetta Latina Pt.7

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A música estava alta e jovens dançavam alucinadamente no salão circular. As luzes em tons básicos e claros que corriam pela pista de dança pintando o corpo de mulheres que usavam maquiagem forte e de moleques fazendo caras e bocas com seus músculos à vista. O cheiro de cigarro e álcool subia até as mais entupidas narinas. Os funcionários dançam com suas garrafas nos bares periféricos e os seguranças transpassavam quase que de forma invisível por todos e observava suas ações usando seus ternos e microfones colados à boca.
Falas ao ouvido, risos escandalosos, vestidos abanando. Nas televisões espalhadas formas alucinógenas, mulheres quase inumanas vestindo roupas infantis dançavam em quatro pedestais posicionados. No fim da sala, um palco onde o DJ dançava e tocava usando grandes fones, teclando coisas em um note book Apple. Em espaços de tempo aleatórios, uma fumaça de efeito especial subia junto de um cheiro doce criando um nevoeiro a ser aspirado.
Na porta que dividia entre lounge e dance estavam dois homens quase como esfinges. O da esquerda tinha em média 1,89 e estava estático, seu cabelo encaracolado e castanho até o meio das costas permanecia parado também, usava um blazer preto com alguns fios de cabelo escondendo por baixo uma camisa branca com um Ás de Espada preto e parte de sua quase surrada calça jeans preta. Os olhos eram fundos e negros como uma noite apocalíptica, sua pele como se fosse esculpida em marfim formando uma face ossuda e comprida, com uma boca arqueada. Sua expressão era como de um jogador, um sorriso infame e um olhar que caminhava por cada pessoa semelhante ao que câmeras de vigilância fazem e nada congruente com sua aparente idade – uns 27 anos no máximo.
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“Vinda de França, ela disse. Isso são as cousas da vida, ela explicou. Meu amor, ela enganou.
O mundo não é mais o mesmo. Como a história – por mais mentirosa que seja – ou os sobreviventes dela dizem, a exemplo da Idade Média, as mudanças vinham a cada século. Agora não, elas são semanais.
Eu sou do tempo em que tudo começou a ficar rápido. Ora, sou da década de trinta, o que você poderia esperar dela alem de movimentos políticos ditatoriais e cruéis ao longo do mundo? É preciso entender que depois da morte, especialmente se ela vem nos anos cinqüenta, você não se torna mais criado da massiva politicagem – muitas vezes derivada do Velho Mundo – e sim se torna parte dela. Evidentemente, meu caro, a esta altura já é possível presumir que neste tabuleiro de xadrez, quem move as peças somos nós. Ou seria melhor dizer que peças movem peças?
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“Eu nunca gostei muito dos portugueses, mas Salvador Abílio se destacou. Foi, sem dúvidas, a maior jóia dos anos setenta. Eu sinceramente achei que essa década passaria em blanc pra mim, mas eu estava errado.
Foi no começo dos anos 90 que eu ouvi falar sobre este lusitano, professor de História. Um dos meus contatos em São Paulo me contou que o “colonizador” seria um ótimo, como os italianos diriam, consiglieri. Nunca gostei de conselheiros, eles escutam tudo, sabem tudo e no fim podem te trair. Dessa vez eu havia errado.
Neste tempo, o Regime Militar aqui no Brasil estava montado em sua decadência com ares de prosperidade, e nos meados da década, o petróleo havia “secado” de nosso mundo. Embora não pareça, isso conseguiu até mesmo abalar nossos joguinhos. Não porque não podíamos ir usar nossas latas moveis, e sim porque até mesmo os Familiares do Oriente Médio nos são confusos. Desta forma, por que eu deveria me importar com algum letrado e pior, de Portugal?
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” Um dia, em algum lugar de minha juventude, disse que o demônio eram as pessoas. Grave erro. Oh, obrigado pelo elogio, mas a jovialidade escorreu de meu corpo ao longo dos anos. O que você está vendo, é uma alma da “melhor idade” dentro de um corpo vinte.
Não me olhe deste jeito, como tantos já o fizeram, capiche? Imagino que não esteja entendendo, e compreendo isso, eu mesmo levei muito tempo para chegar neste estágio. O seu tempo é apenas um pouco diferente do meu. Em meus anos, diziam que comunistas comiam crianças – todos acreditam. Hoje, se eu lhe disser que existem apenas 15.000 iguais a mim pelo mundo, você de fato não acreditaria. Ah, claro, o que sou, você pergunta. Você tem escolha, pode ir embora agora.
Ah, eu imaginei que não iria. Apenas não imaginei que veria seu belo sorriso nesta situação, e este abafado comentário de que estou insano. É claro que pessoas não vivem pra sempre. Eu de fato, estou maluco. Perdoe-me, pode se retirar, mas antes, pegue a chave no armário do canto.
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Salute, meus caros! Tudo bom?
É, eu realmente andei sumido… Mas vim com boas novas:
Passei no vestibular e agora estou na UERJ. Ei, esse não é o objetivo desse episódio!
Hoje vamos abordar um tema que me enche os olhos: Imortalidade. Sim, viver eternamente em carne, passear pelas eras… Você gostaria? Nesses últimos dias, alguns cientistas falaram que em cinqüenta anos, a vida eterna estará disponível na clinica mais próxima de você.
Não morrer é algo buscado por muitos, e há muito tempo, sem distinção de
local. Na Europa, vemos o Elixir da Longa Vida buscado por muitos, inclusive Paracelso. Assim como a Pedra Filosofal (Sem relações com Harry Potter), que era necessária na construção desta poção. Vemos também a China e a Índia buscando esta proeza, e claro, os Egípcios. As lendas são muitas (isso se realmente forem lendas…).
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Salve, povo!
Tudo bom com os senhores e as senhoras? Eu espero que sim!
Hoje vamos lidar com um assunto delicado, que é nada mais nada menos do que os nossos sentimentos.
Você não precisa ir muito longe para ver pessoas tristes, caídas. Eu vejo várias quando ando por aí.
Isso é um problema, ah, se é. Um dia desses eu estava no Plaza Shopping aqui em Niterói e vi uma mocinha chorando, não me contive e foi ajudá-la. No começo ela nem foi muito receptiva, mas em seguida foi se abrindo. Isso me fez pensar bastante.
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O tempo, o tempo é uma coisa foda pra caralho! O tempo ensina, o tempo tira, o tempo dá, o tempo muda… E pra completar, te dá sentimentos de saudade, de raiva, alegria… O tempo corre diferente pra cada pessoa, e ao mesmo tempo, faz tudo parecer igual entre cada ser humano.
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